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Resenha: Show No Mercy (1983)

Álbum de Slayer

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Um disco visceral

Por: Fábio Arthur

23/01/2020

Brian Slagel, produtor e descobridor de talentos, assistiu o Slayer certa noite em um pub. A banda estava fazendo uma cover de "Phantom of the Opera", do Iron Maiden. Na verdade, o vocalista Tom Araya sempre teve uma voz forte e propensa ao rock pesado e metal e, em seu começo de carreira, Tom mandava ver em covers de bandas como: Scorpions e Black Sabbath, daí o potencial do mesmo. Mas no Slayer, a banda teria uma veia mais forte, um som mais intenso e seus vocais passaram a ser mais rasgados. As guitarras foram influenciadas por Maiden e Judas, Kerry King e Jeff Hanneman - saudoso, falecido membro chave do Slayer -, trouxeram a mistura certeira entre o nascimento do Thrash Metal e Heavy. 

O selo, através de Slagel, chamou a banda para seu cast, mas o caso era que a distribuição vingaria pela gravadora, com a incursão pelo estúdio seria por conta do grupo. A metal Blade era a empresa responsável em questão. 

No início, eles nem tinham condições de ter uma equipe, mas a banda fluía muito bem ao vivo. O grupo tinha ajuda constante de amigos e alguns parentes para poder circular com seus concertos. Com a produção de baixa qualidade e temas diabólicos em suas letras, o Slayer trouxe à luz do dia o debute "Show No Mercy". O incrível disso tudo é que o álbum foi o mais vendido do cast da gravadora, dando assim impulso à carreira inicial do grupo.

Estamos falando do ano de 1983, então, grupos como Venom acentuavam as temática mais pesadas e inovavam o cenário metálico. 

Um fator também importante seriam as roupas do Slayer nessa fase e seus sutis corpse paints faciais. 

No disco, a pegada de bateria de Dave Lombardo é fenomenal, muito forte e com batidas certeiras; creio eu que ele - Lombardo - tenha sido um dos maiores bateristas de metal na década de 80.

O disco dura pouco mais de trinta minutos e tem uma arte de capa para lá de assombrosa, chamando atenção dos puritanos e dos fãs, obviamente. Em termos de metal, essa marca uma das maiores do gênero, com certeza.

Durante a turnê de divulgação, o grupo passou necessidades e somente consumiam o necessário para continuar a seguir com roteiro de shows.

Muitos críticos denominaram a banda de "apenas mais uma" ou de "lixo" também, mas o Slayer ia vendendo bem e trazendo fãs cada vez mais; prova do disco ser bom e dos críticos como sempre serem pessoas sem as noções de julgamentos. Aliás, muitos nem sabiam o que era o Heavy Metal, eles conheciam bandas de rock, mas não entendiam com que estavam lidando.

O álbum chega com vários pontos positivos, faixas que até mesmo em pouco tempo atrás a banda ainda tocava nos concertos. 

"Evil Has No Boundaries" abre o disco com um riff furioso e daí em adiante a coisa fica monstruosa. Uma curiosidade desta faixa é que no refrão, na palavra "Evil", a banda obteve várias pessoas cantando essa parte no estúdio, isso porque somente o backing de Jeff e King não bastavam, e assim, até mesmo o grande baterista Gene Hoglan (Death, Testament entre outras) acabou entrando para finalizar a música. E segue o clássico com "The Antichrist", "Die by the Sword", "Black Magic", "The Final Command", entre tantas outras.

Logicamente que a banda mudaria seu curso com passar dos anos o grupo até seu final. Manteve o peso e sua excelência, mas mudou consideravelmente. 

O Slayer nunca deixou de ser uma banda adorada pelos fãs e chegou ao Mainstream, mesmo sendo uma banda não radiofônica.

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