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Resenha: CSN (1977)

Álbum de Crosby, Stills & Nash

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A volta do trio parada dura!

Autor: Márcio Chagas

18/01/2020

Formada em 1969 e levando o sobrenome de cada um de seus integrantes, o Crosby, Stills & Nash lançou seu primeiro álbum homônimo e seguiu fazendo sucesso com a adesão de Neil Young e o lançamento do clássico “Deja Vu”. Porém, mesmo com todo o excelente resultado, o grupo se separou após o lançamento de um álbum ao vivo e não conseguiam mais se reunir.

Na verdade, aconteceu um racha no quarteto: de um lado estavam Crosby e Nash, do outro Stills e Young que lançaram bons trabalhos, mas sem o apelo e sucesso do quarteto original. 

E foi por culpa desta última dupla que o trio original conseguiu se reunir novamente. Eu explico: Stills e Young caíram na estrada promovendo o excelente álbum da Stills Young Band “Long May Your Run”. Porém, durante a excursão no verão de 76, velhas rusgas apareceram, uma vez que Neil insistia em utilizar o Crazy Horse como banda de apoio, e Stills queria músicos mais profissionais. 

Neil deixou a turnê pela metade em um show na Carolina do Sul, mandando apenas um telegrama ao “amigo” informando sua decisão. 

Muito irritado, Stephen Stills acabou se aproximando de Crosby e Nash ainda naquele ano,  quando encontrou com o trio em um show ocorrido em Los Angeles e começou a ensaiar sua volta.

Desde modo, no inicio de 1977, o Trio se reuniu no Critéria estúdios em Miami, para começar a reunir ideias e gravar o novo trabalho. As longas turnês promovidas pelos músicos, ainda que separados, ajudou a lapidar ainda mais o talento de cada um com a experiência adquirida nos palcos.  A confiança dos músicos os levaram a tomar a decisão de produzirem o próprio álbum, contando com a ajuda de Howard Albert, Ron Albert apenas como co-produtres e engenheiros de som. O resultado foi um álbum duplo, recheado de canções clássicas, sendo que muitas fazem parte do repertorio do trio até os dias de hoje.

No quesito musical, este pode ser considerado o álbum mais rebuscado, com ênfase na  melodia e arranjos elaborados, inclusive com a primeira experiência do trio  utilizando quarteto de cordas. A lista dos músicos que participaram da gravação também é enorme, nomes do porte de Jimmy Haslip, Mike Finnigan e Ray Barreto, só pra citar alguns.

Os integrantes escreveram várias letras em separado. Embora optassem pela composição individual, as letras tinham uma temática homogenia, onde cada autor se inspirava em experiências pessoais ou mesmo crises existenciais para a concepção de determinada canção.
Stephen Stills trouxe “Dark Star” com letra inspirada em seus problemas de relacionamento. A canção possui um piano jazzístico e um bom trabalho de percussões no estilo Santana. Ele utilizou a mesma concepção rítmica para a criação de “Fair Game”, inserindo ainda duetos incessantes de violões e piano.

David Crosby investia em temáticas menos óbvias e mais filosóficas como na faixa de abertura “Shadow Capitain”, com seu ritmo dinâmico ditado pelo piano de Craig Doerge e um jogo de vocal irrepreensível. É dele ainda “Im My Dreams”, uma das mais lindas canções já gravada pelo trio, com seu andamento lento e vocais quase sussurrantes.
De Nash, o destaque fica por conta da melhor música do álbum, “Cathedral”, um tema Com uma entrada calcada  no piano com a voz de Nash que logo ganha apoio de Crosby  para chegar ao ápice com a adição dos demais instrumentos. A letra relata a experiência do músico na catedral de Winchester após uma dose de LSD. Vem também de Nash o single do disco, a balada “Just A Song Before I Go”, que ficou em sétimo lugar nas paradas, a melhor colocação de uma música do trio.

O álbum possui doze canções, e nenhuma pode ser considerada inferior, os destaques acima foram feitos apenas por gosto puramente pessoal, sendo que o trabalho realizado pelos músicos merece aplausos em todas as faixas.

Este foi o ultimo álbum que o trio trabalhou as vocalizações sem nenhuma ajuda externa ou vozes de apoio, tomando para si a responsabilidade musical desde a concepção dos arranjos a finalização das harmonias.

Tanta dedicação valeu a pena, pois o disco chegou nas lojas em junho de 1977 trazendo na capa apenas uma despretensiosa foto do trio e levando apenas o nome de seus integrantes. Porém foi  o álbum mais vendido do grupo até os dias de hoje, ficando em segundo lugar no top 10 da Billboard e levando o grupo em uma grande turnê, pelo ano seguinte. 

“Crosby, Stills & Nash”, o álbum, mostrou que o grupo ainda tinha química e que não era necessário a adesão de Neil Young para fazerem o merecido sucesso.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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