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Resenha: The Book Of Souls (2015)

Álbum de Iron Maiden

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A excelência da Donzela

Por: Fábio Arthur

16/01/2020

Confesso que ouvir Iron Maiden para mim é quase um dever e a banda uma espécie de religião. Porém, não sou um fã cego e nem mesmo deixo de ser crítico em relação ao grupo. Quando em 1984 meu pai me deu o vinil de "Killers", eu pirei naquilo, era algo surreal, eu havia escutado o KISS, mas o Maiden era divino,  e se me tornei baterista também fora por causa de Clive Burr (R.I.P.). Enfim, daí adiante, era começar a comprar tudo pertinente do grupo, revistas, posteres, camisetas e obviamente os LPs. 

Com passar do tempo, eu vejo que Harris e cia, não precisam provar mais nada, pois, o que eles realizaram durante o período de 80 até 90 daria para arrebatar os fã de alegria em ótimos discos consagrados. Mas é claro que a mídia e fãs sempre estão de olhos e ouvidos abertos para os novos lançamentos do grupo. 

Quando o Maiden anuncia lançamento de disco novo, eu, assim que posso ter a mídia em mãos, ouço atenciosamente cada faixa e repito essa audição mais vezes possíveis. Com esse "Book of the Souls" não foi diferente. O meu parecer sobre esta obra é o mais direto e sincero, levando em conta que a banda sempre esteve em evolução e que Harris, de anos para cá, faz do Maiden o cruzamento entre Rock, Heavy Metal e o Progressivo, que é a veia mor do baixista e compositor. As influências do líder do Iron Maiden são junções poderosas aliadas ao estilo do Maiden, fato esse que por vezes soa exagerado e até mesmo enjoativo, mas em sua maioria surte o efeito de agradar e trazer o fã para mais perto do grupo também. 

Creio eu que esse disco, trouxe uma distância brutal para com o trabalho antecessor, de longe ele encarna letras melhores, temas mais profundos e uma brilhante musicalidade que agrada em cheio. Um disco bem fértil!

A faixa de abertura "If Eternety Should Fail" seria uma obra solo de Dickinson, no entanto Steve Harris adorou a ideia de tê-la no álbum, o que realmente funcionou muito bem. Em "Speed of the Light" temos uma volta do Maiden ao estilo mais antigo do grupo, com sua levada mais clássica e um refrão que casa bem com restante da faixa. "The Great Unknown" vem na linhagem calma, entre instrumental brando e vocais recitados, que dão lugar em poucos minutos à uma levada cadenciada e uma bateria bem consistente e pesada de Nicko, assim como a camada de teclados por detrás, e assim a faixa segue mudando de andamento; essa é realmente uma música muito evolutiva e muito boa também. Em "The Red and the Black", a nuance de discos anteriores a este soa presente, com um peso extra e uma interpretação de Dickinson perfeita, mas tem lá seus momentos enjoativos intercalados por guitarras extremamente imponentes; uma mistura de bom gosto com a falta de trabalhar melhor alguns pontos. Quando chegamos em "When the River Runs Deep" a coisa fica mais ágil como nos velhos tempos, mas valendo-se de uma inserção de novos caminhos. De certa forma, essa faixa nunca me agradou, falta algo em que eu pudesse gostar mais e não pular a mesma, sempre. "The Book of the Souls" é ótima em seu total complemento, letra, guitarras, arranjos e andamentos. Com seus mais de dez minutos, a faixa empolga e traz o Maiden ao seu âmbito original, faixa digna realmente. "Death or Glory" poderia ser a abertura e funciona muito bem, traz uma pegada típica do grupo e mostra que a banda quando quer ainda revive seu passado. A canção tem a ponte e o refrão perfeitos. E o ponto seguinte, "Shadows of the Valley", não me empolga em nada e não me recordo de ter conseguido deixar de pular essa canção. Ela soa mais do mesmo, sem medo de dizer, e carece de algo mais profundo em termos sonoros, mas sua letra é fenomenal, como sempre. "Tears of a Clown" é uma homenagem ao ator maravilhoso (falecido) Robin Williams. Bom dia, Vietnã, Sociedade dos Poetas Mortos e Tempo de Despertar são alguns dos filmes maravilhosos em que o genial Williams atuou - bela homenagem da banda ao ator e a faixa é muito consistente, ótimo refrão, levada certeira e emotiva, e nos solos a canção flui bem, além logicamente da vocalização de Dickinson, perfeita . "The Man of Sorrows" traz uma outra faixa de que acredito poderia ser retirada do álbum sem sombra de dúvida, pois é mais uma que não foi totalmente bem aproveitada. E o final do disco vem firme com uma faixa épica, "Empire Of The Clouds", com uma letra suprema e que traz Dickinson atuando nos pianos e voz com arranjos de cordas fenomenais, além de ser uma música que te prende do inicio ao fim, além da letra belíssima. Uma canção para contemplar realmente. 

Esse álbum é o primeiro lançado pela Parlophone Records e sua produção ficou por conta de Kevin Shirley que, desta feita, acertou a mão, juntamente com Harris. O disco tem mais de 90 minutos e sua arte de capa traz um Eddie na cara e com ar de perverso. Fazia tempo que o mascote não tinha essa aparência em um álbum do grupo e logicamente o mesmo combina com o tema do disco, porém, acredito que ficou um pouco vaga a ideia por detrás da figura de Eddie. Acho que faltaram mais detalhes além do fundo em negrito. 

Com o lançamento, em pouco tempo o grupo chegou pela quinta vez ao primeiro lugar nas paradas, inclusive aqui no nosso país. 

Uma curiosidade entre esse e seu antecessor, foi a pausa mais longa entre um disco e outro que a banda efetuou; foram cinco anos de hiato (isso em gravação de estúdio). 

Eu vejo esse disco como um deleite e ao mesmo tempo como a um trabalho que poderia ter sido reduzido a um número menor de faixas. Sinceramente eu não espero que a banda realize outro "Number of the Beast", mas, mesmo assim, acredito que algumas faixas pequem por excessos ou mesmo por falta deles. Mas, esse disco agrada e muito, e deixou o antecessor bem atrás. Como disse antes, não sou fã cego e, conhecendo o grupo desde meio da década de oitenta, posso falar com propriedade sobre o som da banda. Não acredito que eles regrediram, de forma alguma, pelo contrário, evoluíram com classe. Isso faz parte de cada um de nós e acaba sendo saudável à arte como um todo. 

Up The Irons!

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