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Resenha: Deep Purple (1969)

Álbum de Deep Purple

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O disco mais obscuro da banda

Por: Marcel Z. Dio

15/01/2020

Ah, o que o tempo não faz com nossa percepção musical, não é mesmo? Esse é um belo exemplo, pois recordo quando comprei o Awaken do Dream Theater, juntamente com esse "disquinho" (cd) do Purple, chutado e ignorado pela maioria como um moribundo do rock. Na época também dei uma bica a lá Roberto Carlos e fiz a besteira de passar adiante.
Comercialmente temos um álbum de menor reconhecimento, comparado aos três lançados pela formação Mark I, sendo ignorado pelos críticos após seu lançamento. Com isso,  aliado as diversas crises internas, a saída do vocalista Rod Evans e do baixista Nick Simper foram inevitáveis.

O fracasso abriu o leque para que Rod Evans fundasse o espetacular Captain Beyond e Nick Simper criasse o excelente Warhorse. De quebra, inaugurou o caminho para a MK2 com Gillan e Glover - formada a partir do clássico In Rock. Colocando o Deep Purple para sempre no circuito dos gigantes do rock.

Chasing Shadows era uma boa faixa de abertura, um tanto estranha pela seção percussiva a lá Simpathy for the Devil dos Stones, deixando espaço para a guitarra fazer o que bem entendesse. Os teclados de Lord apareciam somente no final. A psicodelia não era só na parte instrumental, pois a letra desconexa e sombria, aparentava sair de uma mente regada à muito chá de cogumelo.

Quem brilha em Blind, é Ian Paice, detonando nas viradas e no ritmo que só ele consegue criar no mundo dos bateristas. Timbres do cravo vem direto da influência erudita de Jon Lord.

Lalena é uma baladinha que não tem grande importância, porem não compromete a sequencia do disco. O tema original de Donavan tem arranjos mais requintados, e no geral a diferença ganha evidencia no órgão de Lord e na voz de Evans, mais agradável aos meus ouvidos.

The Painter tem uma certa similaridade harmônica com Hush, é só ouvir as guitarras iniciais e trampo da "cozinha" para sacar de imediato, o que muda o curso de tudo é a melodia vocal.

O grande hit fica por conta de Bird Has Flown, contando com um excelente solo de Blackmore, arrisco a dizer que é um dos mais legais de sua carreira. Sucessivamente Lord aparece com o Hammond, é ... parece que havia uma disputa entre os dois.

O fechamento com April não poderia ser melhor. Sem duvida uma das canções mais emblemáticas e de certa forma, esquecida. Uma das primeiras fusões de rock com música clássica dentro do convencional hard rock. As ideias fervilhantes dos geniais Jon Lord e Blackmore estavam dando frutos e num futuro próximo espantariam o mundo. April segue longos nove minutos de instrumental até sair do casulo com os vocais de Evans.

Vale lembrar a excelente Emmaretta, que antecedeu o disco e acabou ficando de fora, saindo somente como single, assim como aconteceu com Black Night para o In Rock.

A capa é sobre Jardim das Delícias Terrenas, um tríptico de Hieronymus Bosch, que descreve a história do Mundo a partir da criação, apresentando o paraíso terrestre e o Inferno nas asas laterais.
Enfim, um registro da era pré histórica da banda, que infelizmente passa batido por muitos, e o resgate se faz necessário para se entender a evolução dessa instituição inglesa. Não bate de frente com os clássicos, porem, merece atenção.

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