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Resenha: Yes (1969)

Álbum de Yes

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Autor: Tarcisio Lucas

16/10/2017

A banda Yes é um verdadeiro monumento na história da música, e do rock progressivo em particular. Prestes a completar 50 anos de existência, com mais mudanças de formação do que seria humanamente concebível, com idas e vindas constantes de integrantes, mortes e desavenças artísticas, a banda soube preservar em cada lançamento, em maior ou em menor grau, sua essência e personalidade. De um começo calcado no rock psicodélico dos Beatles e do The Byrds, passando pela fase progressiva de musicas complexas e longas dos anos 70, o pop rock intrincado e radiofônico dos anos 80 até o sincretismo musical dos anos 90 e 2000, tudo que a banda fez está impresso com o selo de qualidade “YES”.

“YES”, o primeiro disco do conjunto, foi lançado no longínquo ano de 1969. 
Aqui ainda não temos o som intrincado e megalomaníaco que faz a alegria da maioria dos fãs da banda. Nem seria possível, uma vez que o rock progressivo se encontrava ainda em um estado embrionário, começando a gestar-se a partir dos últimos trabalhos de bandas como Beatles (logicamente), Jefferson Airplane, The Byrds...bandas como Yes, Deep Purple e Pink Floyd entraram de cabeça nesse som (o Deep Purple depois partiu para algo mais pesado, mas os 3 primeiros álbuns da banda confirmam fortemente essa tese).

O que encontramos aqui é um excelente disco de músicas ao mesmo tempo acessíveis, sem as intrincadas divisões e mudanças de tonalidade e ritmo que hoje esperamos do Yes, que passeiam pelo Pop, o rock psicodélico, o jazz (influência do primeiro guitarrista da banda, o finado e saudoso Peter Banks) e aquilo que seria o rock progressivo da forma como ele se estabeleceu. Foi uma estreia muito digna e honesta, ainda que do ponto de vista comercial não tenha despertado grande interesse nas paradas, assim como o segundo lançamento da banda, “Time and a Word”. Apenas a partir do terceiro disco a banda encontrou seu som definitivo assim como o reconhecimento de público e mídia.

No entanto, agora quase 50 anos após o lançamento, é fácil perceber as enormes qualidades apresentadas nas músicas: as letras que já se encaminhavam para tratar de temas mais espiritualistas e holísticos, o som estalado do baixo de Chris Squire, a voz de John Anderson que se tornaria um das mais singulares da história do rock. Mesmo os 2 covers presentes , “See You”, hino psicodélico presente no álbum “Fifth Dimension”, lançado 3 anos antes pelo The Byrds, e “Every little Thing”, lançada em 1964 pelo quarteto de Liverpool no álbum “Beatles for Sale” são tocados no “modo YES”, que não apenas se conteve em reproduzir as canções, mas sim rearranjá-las com personalidade e criatividade. 

Enfim, aqui está incontestavelmente a semente daquele que se tornaria um dos maiores nomes do rock progressivo de todos os tempos, e da música em geral. 
Não é esta aqui a chamada “formação clássica” da banda; ainda não estavam aqui o guitarrista Steve Howe, nem o tecladista/pianista Rick Wakeman...mas a história do YES e longa, cheia de reviravoltas, e muita coisa aconteceria nos anos vindouros!

Faixas:

		
1	"Beyond & Before"		
2.	"I See You"		
3.	"Yesterday and Today"		
4.	"Looking Around"		

5.	"Harold Land"		
6.	"Every Little Thing"
	
7.	"Sweetness"		
8.	"Survival"		

Banda:

•Jon Anderson – lead vocals, incidental percussion
•Peter Banks – guitars, backing vocals
•Chris Squire – bass, backing vocals
•Tony Kaye – organ, piano
•Bill Bruford – drums, vibraphone

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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