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Resenha: Every Picture Tells A Story (1971)

Álbum de Rod Stewart

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Um álbum bem consistente

Autor: Fábio Arthur

14/01/2020

Rod Stewart chegava aqui com seu terceiro disco solo de estúdio. E esse clássico, denominado de "Every Picture Tells a Story" é considerado um dos maiores discos do cantor e também como álbum de ponta dentro do cenário musical.

Stewart como sempre embala com canções covers, com temas ligados ao conteúdo sexual e também com suas próprias pérolas. 

Em 1971, Rod trouxe um apanhado de sons variados. Ele caminha pelo Rock Clássico, pelo Hard e pelo Folk. Um disco muito evolutivo por sinal. Com produção do próprio Stewart e lançado pela gravadora Mercury, o disco rendeu bem na carreira que já era elevada do cantor e para o próprio selo. 

Neste long play o casting de músicos acaba sendo fenomenal também, vide Ron Wood (The Faces e Rolling Stones), Pete Sears no Piano, Andy Pyle no baixo, Micky Wallar na bateria e tantos outros. Assim era o agregado de profissionais da empreitada. 

Logo de cara, com violões entre batidas frenéticas da bateria perfeita de Wallar, Rod carrega uma composição sua e de seu parceiro do The Faces, Ron Wood, a faixa-título "Every Pictures Tells a Story", que traz um som poderoso e fortalecido pela voz fenomenal e firme de Rod. Na sequência "Seems Like a Long Time" traz o lado emocional e a fértil interpretação de Stewart, em um balanço meio balada e bluseiro; som de primeira linha. "Thats All Right", a cover de Arthur Crudup, acaba sendo enaltecida pela competência de banda e cantor. Aliás, Rod Stewart sabe como ninguém fazer um cover, ele entra no espírito da coisa de forma digna e muito sentimental, o que lhe confere a si mesmo um dom divino nessa área. Os violões são mais profundos nesse disco, o que melhorou e muito a força das faixas, e em "Tomorrow is a Long Time" a prova disso se faz concreta e completamente imponente. "Maggie May", obra intacta de Rod e Martin Quittenton - que tocou violões no álbum também - tem uma nobreza profunda e emotiva. Na verdade, (Maggie May) é um título, um tema antigo tradicional britânico, em que uma prostituta comete furto após o ato sexual, ela, a canção em si, como se fosse um hino nos idos antigos europeus; aqui no caso de Rod, a ideia vem elaborada diferentemente e tanto instrumental como em composição de letra. Já, a (Maggie May) dos The Beatles é a versão antiga original dos fatos e confesso que a de Rod ficou muito acima e inovadora. A música ainda mantém além de interpretação ótima e sensível, uma musicalidade em cordas excepcional provando fronteiras. Curiosamente a gravadora em primeiro momento deixou-a de fora do disco, alegando que era fraca, e assim ela foi colocada em Lado B de single, mas em pouco tempo a mesma estourou em primeiro lugar - até mesmo nos EUA - e assim voltou a figurar no álbum. "Mandolin Wind" brilha por si só, trazendo um complemento sonoro alimentado por um embalado mandolin. A pegada firme entre Rock e Hard vem com "(I Know) I´m Losing You", perfeita, com pianos preenchendo entre batidas percussivas e um baixo swingado para valer. "Reason to Believe" a grande aposta da gravadora, saiu em single e também fez sucesso nas rádios, e realmente é uma faixa poderosa e muito intensa, uma semi-balada, com teor que somente Rod pode trazer. 

Um disco perfeito! Rod depois viria a ser forte em vários trabalhos e seguiria se adaptando com os anos, e esse álbum realmente impulsionou o cantor a chegar em seu passo gigante para a fama.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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