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Resenha: Rise And Fall Of Passional Sanity (1991)

Álbum de Blezqi Zatsaz

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Teclados progressivos no primeiro projeto de Fabio Ribeiro!

Autor: Márcio Chagas

30/12/2019

Blezqi Zatsaz é um grupo / projeto capitaneado pelo tecladista Fábio Ribeiro. O músico, ao lado de Fábio Laguna e Eloy Fritsch compõe a tríade de tecladistas nacionais mais conhecidos e com carreira mais representativa.

No caso de Ribeiro, sua trajetória começou ainda nos anos 80 com grupos precursores dentro do Heavy / Rock como a Chave do Sol. O tecladista também acompanhou o Angra em sua primeira fase, e atualmente trabalha com o Shaman e o Remove Silence.

Porém, o Blezqi Zatsaz foi formado para trazer à tona as influências progressivas do músico, que no inicio dos anos 90 se juntou a Luiz Sacoman (guitarra), Ronaldo Lobo  (baixo)  e  Chico Mocinho (bateria),  para gravar o primeiro álbum do grupo denominado Rise And Fall Of Passional Sanity, trabalho todo instrumental, calcado nos teclados de Fábio que usa seu instrumento para criar as estruturas dos temas com camadas dos mais variados teclados e pianos, e também os utiliza para os solos.

Embora Fábio seja o grande destaque do álbum, há espaço para os demais instrumentistas, como na suíte “Heart and Soul”, uma das melhores do disco, onde Sacoman aparece com grandes solos de guitarra e intervenções certeiras, cabendo até mesmo um oportuno solo de baixo fretless de Ronaldo na parte final do tema. Outra canção que merece destaque é “The Wrath” com seu clima meio medieval e um excelente solo de guitarra do convidado José Renato Luiz, que traz ao tema ares jazzisticos com sua guitarra encharcada de swing; e ainda “Friday Twilight” , com sua introdução soturna com fortes influências de Genesis da primeira fase.

Embora tenha destacado as canções acima por gosto pessoal, todas as faixas seguem a mesma construção harmônica, com os teclados predominando nos temas. Por todo o álbum há fortes influências dos trabalhos solo de Rick Wackeman, do grego Vangelis, e em alguns momentos o grupo húngaro Solaris. Há ainda passagens que lembram Jean Michel Jarre e grupos progressivos na linha de Emerson Lake & Palmer ou Trace. 

O projeto possui apenas mais um CD lançado nove anos depois e desde então permanece inativo. De todo modo é uma ótima oportunidade de conferir o lado mais progressivo do músico.

Ah sim!  antes que eu me esqueça, o nome excêntrico foi resultado de uma conversa bem humorada entre Fábio um amigo quando ouviam Black Sabbath no volume máximo. O tio deste amigo apareceu e reclamou: "Não me interessa se é o novo disco do Blezqi Zatsaz ou seja lá o que! Abaixem este negócio já!" O tecladista curtiu o nome e o utilizou para batizar seu projeto. 

O álbum em questão foi lançado no Brasil e no exterior pela prestigiosa gravadora francesa Musea.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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