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Resenha: Kingdom of Lost Souls (2019)

Álbum de Unholy Outlaw

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Um clássico instantâneo!

Autor: Tarcisio Lucas

28/12/2019

Eis que aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo do ano de 2019 - exatamente no dia 20 de dezembro, a banda Unholy Outlaw lança aquele que já é, na minha humilde opinião, um dos maiores lançamentos metálicos do ano, senão o maior!

Estando na ativa desde o longínquo ano de 1999, a banda de Mogi das Cruzes soube condensar em "Kingdom of Lost Souls" toda a experiência e vivência do Doom metal que tiveram ao longo desse tempo.
Infelizmente, até o presente momento não consegui ouvir o primeiro disco lançado pela banda, de forma que minha análise focará exclusivamente este lançamento.

Kingdom of Lost Souls é uma obra prima dentro de seu gênero, o Doom metal. Na verdade, temos aqui uma das maiores aulas de Doom já dadas nós últimos anos!

Deixando de lado pretensões grandiosas, a banda aposta no som do estilo tão como o mesmo se apresentava nós anos 80 - ou início dos anos 90, e investe em um som direto, cru, sem frescuras e malabarismos, sem contudo nunca deixar de lado o que o gênero exige: andamentos lentos, arrastados, bases precisas e abafadas, riffs poderosissimos, um clima sombrio e sinistro, e muita, muita pegada Heavy Metal!

Após uma curta introdução, a banda abre os trabalhos com uma música de título sugestivo: “Open the Gates”. Não poderiam ter escolhido musica melhor para “dar as caras”! “Open the Gates” sintetiza tudo que ouviremos ao longo do disco: Doom metal em sua essência mais pura. Investindo em vocalizações limpas – mas que não dispensam um bom drive quando a música exige – e um instrumental direto e sem firulas, a música entrega que o que foram abertos foram na verdade os portões da boa música e do bom doom metal!
Outro fator que deve e merece ser citado é a produção. Que produção fantástica!
Não digo isso por ter ficado tudo límpido e claro. Não. A produção merece palmas por conseguir captar o clima e a sonoridade clássica que ouvíamos nos discos de doom metal da década de 80 e começo dos anos 90. Ainda que sejam músicas originais e novas, ouvir esse disco é uma viagem ao passado, no sentido de trazer aquele prazer e aquele frescor que quem viveu aquela época sentia ao pegar em mão álbuns de bandas como Pentagram, Witchfinder General, Candlemass e similares.
Mas não se engane: não se trata de um lançamento-tributo àquela época. 
O que temos aqui é um disco de uma identidade única, que transborda em todas as faixas, da curta introdução, passando pela instrumental “Mephisto” até a última faixa, que considero a melhor de todas, “13 Disciples”.
A longa história da banda serviu para que a mesma encontrasse sua essência e sua identidade de maneira inequívoca e acertada. O que temos aqui é Unholy Outlaw, acima de tudo.
É muito raro ver bandas capazes de representarem tão intensamente as características de um  determinado estilo ao mesmo tempo em que moldam para si um som único e reconhecível ao primeiro acorde. Pois não se enganem: após uma única audição desse disco, você reconhecerá uma musica do Unholy Outlaw à distância; os caras são de uma personalidade musical impressionante.
E como sempre acontece em minhas resenhas, reservo um destaque a parte gráfica do material. Ainda que eu tenha tido contato apenas com o lançamento digital do disco – não tendo ainda, infelizmente, o CD com encarte em mãos (estou corrigindo essa minha falha, em breve estará aqui comigo) – a arte da capa é de uma beleza ímpar, que de alguma forma remete às capas das bandas clássicas do estilo, que muitas vezes apostavam em um imaginário clássico/barroco/romântico para figurar seus trabalhos. Uma obra lindíssima, que acompanha o que é apresentado sonoramente.
Como dito acima, o grande destaque vai para a faixa que encerra o disco : “13 Disciples”. Mas todo o álbum é de uma homogeneidade e constância videntes, e todas as músicas agradam, sem exceções.

Enfim, recomendo a todos que curtem não apenas o mais true e puro doom metal, mas à todos que curtam o mais honesto heavy metal possível.
E que o futuro nos brinde com mais petardos do Unholy Outlaw!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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