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Resenha: True Blue (1986)

Álbum de Madonna

Pop

Acessos: 280


Despontando com classe

Autor: Fábio Arthur

20/12/2019

Esse é considerado o disco mais íntimo e aprofundado em uma feminilidade de Madonna, um álbum que marca o terceiro long play da cantora e o mesmo retrata a visão pessoal da artista em relação ao trabalho, decepções vividas e o amor como um todo. 

Madonna trouxe Patrick Leonard para produzir e compor e o trabalho saiu bem definido, marcando uma época em que a artista pôde alavancar sua carreira. 

Lançado em conjunto com a Sire Records e Warner Bros., o álbum chegou nas paradas e atingiu de cara o número 1. E por 34 semanas ficou no topo. "True Blue" é tido como um "Dance Pop", mas contém elementos latinos e instrumentos de linhagem cubana; o álbum é permeado por violões e sintetizadores também. 

A fonte do disco caminha entre o final dos anos 80 - já que fora lançado em 1986 -, com uma pequena essência dos 90, e assim seguiu entre as programações férteis da extinta MTV e rádios em inúmeros países. E uma curiosidade, é que ninguém bateu recorde de vendas em 1986, deixando Madonna como a artista mais vendida no ranking. 

No quesito voz, a cantora conseguiu ser mais profunda em interpretações e vocalizações, deixando um teor mais firme nas canções; a própria crítica elogiou os vocais de Madonna. 

Madonna alterou junto à sua equipe o título do álbum no último momento, anunciando em uma coletiva que estava trabalhando em um disco mais autoral e reflexivo. 

A arte ficou famosa, com Madonna do pescoço para cima em tons de cores cinzas, azuis e pretas, bem sutis. O trabalho veio das mãos de Herb Ritts. Dentro do disco, uma foto como a um poster traz Madonna em continuação de capa e a mesma é bem sensual por assim dizer. 

Com os singles à solta e um disco recheado de faixas mais maduras e as tais interpretações fortes, Madonna obteve não somente fama e dinheiro, mas o respeito dos grandes críticos musicais. Sua voz aqui não vem estridente e sim com moderação em tons mais graves. São 40 minutos de músicas de ótima qualidade. 

"Papa Don´t Pleach", com sua letra sobre gravidez na adolescência, é uma abertura digna e forte. A canção por si só, é bem cotada até hoje por crítica e fãs, inclusive gerando debates em salas de cursos. "Open Your Heart" é outra faixa digna e ótima. "Live to Tell", que daria título ao álbum anteriormente, é uma canção forte e profunda; vide interpretações e suas nuances. "Where´s the Party" lembra algo dos trabalhos antecessores, mas com vocais mais firmes é bem dançante, além de ter uma condução rítmica excelente. "True Blue" é outro momento ótimo, mais na linha Pop Music tradicional, a faixa empolga. "La Isla Bonita", com seu vídeo provocador, meio obsceno e contestador, traz uma canção bela, forte e que já nasceu clássica. A Igreja Católica se incomodou e muito com o teor apresentado na mesma entre letras e vídeos. "Jimmy Jimmy" é tipicamente anos oitenta, refrão grudento, tecladinhos arranjados e backing vocals repetitivos, bem clichês, mas que funcionam no contexto geral. E outras faixas fazem parte do álbum e que mantêm a mesma qualidade e profundidade. O disco termina agitado com a canção "Love Makes The World Go Around". 

Para quem curte essa vertente vale conferir. Deixe-se levar pela doçura e o som contagiante de Madonna.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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