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Resenha: Led Zeppelin II (1969)

Álbum de Led Zeppelin

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Obra-Prima (Pauleira, pesado e clássico absoluto)

Autor: Fábio Arthur

17/12/2019

"Gravamos rápido demais o segundo disco, exigiram de nós, uma agilidade sem precedentes. Acredito, que deveríamos ter tido mais tempo, na elaboração do mesmo".

Robert Plant.

Com essas palavras, Plant definiu o sentimento do grupo em relação à situação da banda em 1969, após o impacto do primeiro álbum. 

A banda fez turnê, se apresentou em programas de TV e ainda lançou um vídeo para uma faixa do debute - isso seria a primeira e última vez que fariam algo nesse seguimento. Deixaram Woodstock de 1969 de lado, e, mesmo assim, o boca a boca expandiu os caminhos do Zeppelin. 

O que o grupo britânico mostrava desde o começo, seria uma banda muito pesada para os padrões de época, tinham o potencial em seus respectivos instrumentos e ainda inovavam dentro do cenário musical.

O Led se valeu dos conhecimentos de Eddie Kramer, o fabuloso engenheiro de áudio e produtor - e não que Jimmy Page não soubesse como produzir -, mas Eddie foi fundamental nessa fase. Ele - Kramer - produziu inúmeros astros da música, exemplos não faltam, desde Curtis Mayfield, genial com seu Soul, Funk americanizado, passando por Santana, David Bowie, The Beatles entre tantos outros. Enfim, a banda se aprofundou em seus conhecimentos. 

"Led Zeppelin II", como ficou conhecido, começou a ser gravado e produzido em janeiro de 1969 e terminou em agosto de mesmo ano, mas somente chegou às lojas em setembro do mesmo ano. Para se ter uma ideia da dificuldade, o grupo guiado por Peter Grant gravava em vários locais, hora em Los Angeles, depois em Londres e assim continuava no Canadá, e, mesmo nesse segmento todo, o segundo petardo do Led tem uma produção uniforme entre todas as faixas; um mérito isso. Notadamente, todas as canções não saíram com aquele nível de produção polida e nem mesmo chegou perto do que a banda traria em 1973, mas, pelas condições impostas para os mesmos, tudo saiu corretamente e eternizou um dos maiores discos já feitos na história da música. 

Como o Led Zeppelin sempre foi um grupo em expansão musical e todos eram demasiadamente talentosos, o álbum vem com temas direcionados em vários estilos musicais, entre eles o Rock, Hard Rock, Heavy Metal, sim, tem metal nessa empreitada ,e como tem, Rock Psicodélico, Blues e também algo na linha habitual do grupo, aquelas vertentes do debute. Um prato cheio para fãs de música, realmente cultural acima de tudo. 

No quesito letras, o Led trouxe um apanhado mais elaborado do que outrora, aqui, esse fator fez a diferença, e assim, devidamente ajustado com o som, deu vida a um disco em que mostraria o interesse das rádios e público e também mais ainda da gravadora. Tanto que chegaram ao topo de vendas nesse segundo álbum.

Algo bastante importante de citar, é que vários riffs contidos em "Led Zeppelin II" foram retirados durante a tour do primeiro disco, e muito se conseguiu gravar em fitas e depois repassar em ensaios. "Muitas partes, foram adicionadas em "Led II" durante as inovações ao vivo de "Dazed and Confused", aonde Page fazia longos improvisos", diria John Paul Jones anos depois. E parte do material também foi preparado em quartos de hotéis, durante as viagens de turnês. Uma loucura e que deu muito certo por sinal.

Tudo em "Led Zeppelin II" soa muito bem elaborado, a arte não seria por menos e David Juniper era o responsável por cuidar desta parte. A banda encomendou algo das mãos de David que trouxesse uma grandiosa surpresa e que fosse chamativa, assim, o mesmo chegou no estúdio com um poster e uma imagem. David focou em um projeto da Força Aérea Alemã do denominado de Esquadrão de Combate N. 1 e mais conhecido como Jagdegschwader 1. Na fotografia de arte, os rostos da banda foram adicionados e retocados e também estão lá os de Peter Grant, empresário e escudeiro fiel do grupo, e o de Richard Cole, parte importante da equipe. A arte foi indicada ao Grammy Award, no quesito melhor Arte de Disco.

A Atlantic Records obteve uma encomenda de 400 mil cópias antes do lançamento do disco, isso valeu uma posição por si só, confortável para a gravadora e banda. E assim o grupo conseguiu se manter em primeiro lugar durante semanas e chegou - acreditem - a bater o recorde dos The Beatles nas posições - nessa fase os Beatles, estavam com o disco "Abbey Road", outro clássico absoluto. "Led Zeppelin II" chegou ao final dos anos noventa com mais de 12 milhões de exemplares vendidos; um feito e tanto. 

São 41 minutos de puro som, êxtase ou clássico musical, como quiserem denominar. O que importa é realmente a qualidade e força de uma banda realmente que viria comandar o cenário setentista de forma única e avassaladora. 

As faixas de "Led II" são dignas de notas, todas elas. "Whola Lotta Love" começa com um riff poderoso, um dos melhores já elaborados e que maneira deliciosa para o ouvinte já se familiarizar com o segmento do disco. A faixa obteve uma diminuição em seu tempo, para tocar nas rádios e foi alavancada por um single, coisa que ficaria de fora da carreira do grupo para sempre. O miolo da canção contém efeitos, experimentações várias e Kramer e Page usaram de tudo qual disponível dentro do estúdio para elaborar o feito. Essa música é sem dúvida uma das melhores do grupo, da discografia toda. Com certeza! 
"What is and What Should Never Be" é fenomenal, com vocais supremos de Plant, harmonias ótimas, uma pegada incisiva de bateria de Bonzo, muito além, e uma letra bem ardida, em que Robert Plant comenta seu caso com sua cunhada da época; coisas do rock. "The Lemon Song", com também uma letra bem inusitada e sugestiva, o grupo traz um Blues pesadão, calcado em mudanças durante sua execução, e que som de primeira, que pegada forte de John Bonham, e ainda, que baixo firme de Paul Jones. Em "Thank You", temos uma belíssima obra, com harmonias totalmente férteis e um vocal muito emocionado de Plant, o vocalista homenageia nessa faixa, sua então esposa Maureen de forma comovente. Os teclados de Jones e a guitarra intuitiva de Page se unem em um propósito de encher os ouvidos com o que há de melhor em termos musicais. Do outro lado - no caso do vinil - a coisa começa de novo a pegar fogo, "Heartbreaker" é realmente uma canção com riff poderoso, pegajoso no bom sentido e muito além de tantos outros já elaborados no mundo do rock. A canção tem uma batida frenética, um vocal primoroso de Plant e ainda assim em seu miolo um solo devastador de Page, que culmina com a pancadaria que se segue - pesada e clássica!
"Living Loving (She´s Just a Woman)" na sequência é ágil, com refrão grudento, e em que o balanço da mesma traz o ouvinte consigo a sacudir dentro de um hard gostoso e swingado. Uma faixa curtinha e ótima, que da lugar para a magnífica "Ramble On", com sua letra maravilhosa em que Tolkien - autor de (Senhor dos Anéis, O Hobbit entre outros) - é citado de forma coesa em trecho de seus contos, algo que casa perfeitamente com Rock Blues apresentado na mesma. Muitos vieram copiar essa vertente anos e anos depois. "Moby Dick", o peso pesado da bateria, um dois maiores realmente da história, John traz aqui sua performance encurtada da versão ao vivo, usado o título do livro de Herman Heville (Moby Dick a baleia branca) - clássico literário e também filme de 1956 -, e são pauladas com viradas e bumbo batendo forte, dobrando notas e percussão alinhada ao mesmo. Destruição sonora em massa! Esse era John Bonham (R.I.P.). O final vem com ar de quero mais, na canção "Bring It on Home", e que canção, que maestria e que disco meus amigos! Essa tem algo de Willie Dixon também, seu nome foi creditado anos depois.

Enfim, o que falar mais de um disco clássico? O que dizer se não somente, ouvir e ouvir e ouvir...

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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