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Resenha: Vol. 4 (1972)

Álbum de Black Sabbath

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Petardo sonoro

Por: Fábio Arthur

16/12/2019

Uma banda digna de aceitação e muito criativa - apesar de alguns críticos de época não assimilarem o conteúdo do grupo, - o Sabbath viria majestoso em "Vol. 4", pesado e permeado por excessos, com um disco muito musical e além.

Gravado em Los Angeles, em maio de 1972, o álbum chegou nas lojas a partir de setembro do mesmo ano, e trouxe, de certa forma, uma adulação por parte de fãs de um lado, desafetos de gravadora e crítica do outro. Patrick Meehan cuidou da produção - que sinceramente, deixou a desejar, com um som meio perdido nas elaborações como um todo -, mas que obviamente não compromete a qualidade musical do grupo. Desta feita, a arte de capa ajudou e muito, sendo que, em dois últimos antecessores, a coisa andava meio sem criatividade, assim, Bloomsbury Group cuidou do esquema todo; ficou bem legal a imagem de Ozzy com sua vestimenta franjada. 

O disco se mantém entre heavy, algo experimental e obviamente aquele teor psicodélico que paira sobre a banda em seus discos durante a vigência de Ozzy nos vocais. Em termos de voz, Ozzy Osbourne chegou com uma vocalização mais aguda e gritada, que iria permanecer em discos futuros do grupo. Iommi se revelou bem criativo neste petardo e a cozinha com Ward - magnífico - e Buttler, o que falar destes senhores a não ser ficar espantando com qualidade de ambos?

Naquele momento, o Sabbath vinha de uma vida destemperada em meio a tours, discos e afins, as drogas estavam em alta, a cocaína seria um desfrute e tanto para o grupo, era a bola da vez. Tanto que o título seria o nome da canção "Snowblind", referência direta à droga em questão; mas obviamente a gravadora não permitiu. 

"Wheels of Confusion/The Straightener" abre com passagens intricadas, mudanças melódicas, peso, algo psicodélico e um avanço para época e banda também. "Tomorows Dream" carrega algo dos discos passados e é muito bem encaixada no álbum, com uma pegada intensa. "Changes", a primeira faixa a ser gravada e tocada no Mellotron por Iommi, particularmente eu nunca gostei dela, tem um clima muito ambicioso, mas ao mesmo tempo algo tristonho, e assim uma das que menos gosto, realmente. "Supernaut" é bem swingada e mantém a face do Sabbath dentro do long play, muito boa. "Snowblind" nasceu fervorosa e clássica em absoluto, sua letra bem peculiar e, assim digamos, uma certa afronta à censura e liberdade de expressão, ao mesmo tempo traz um teor avançado; a melodia desta é perfeita, assim como os riffs. "Cornucopia" é bem carregada ao estilo Black Sabbath de ser, e seus riffs também são bem definidos e mantém a solidez do disco. Como em todo disco do grupo, não poderia faltar as incursões instrumentais de Iommi, e "laguna Sunrise" é de bom tom, belíssima. "St. Vitus Dance" tem aquele clima de Sabbath, com algo mais rocker no riff principal e a voz de Ozzy está mais para o lado agudo de impor sua voz. "FX" é uma viagem estranha entre um experimento de pouquíssimos minutos, serve de aperitivo entres as faixas. "Under the Sun/Every Day Comes and Goes" é um final de álbum, com cara de Black Sabbath realmente, pesadona, riffs imponentes e uma levada perfeita, isso somado ao vocal de Ozzy; perfeito aqui. 

O Sabbath ainda ficaria melhor após esse, Iommi sob a obrigação de ter que compor um hit - pressões de gravadora -, seguiria um passo em frente. Se esse disco não funcionou em seu total na época, ele é tido com um dos melhores da banda nos dias hoje.

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