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Resenha: Déjà Vu (1970)

Álbum de Crosby, Stills, Nash & Young

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Com a música na alma

Por: Fábio Arthur

12/12/2019

Partindo do princípio de que o grupo fora uma junção de músicos que estavam querendo estar em ascensão no mundo da música, e muito talentosos, o quarteto veio fulminante com seus talentos e munidos de ótimas composições. No entanto, a dificuldade existia desde sempre, fato esse que revelou que esse grupo seria fundamental e juntos realizariam um produto bem acima do esperado. Mas, notadamente, alguns tempos antes eles não conseguiam, de certa forma, se acertarem dentro do cenário; por questões inúmeras. 

Como a um furacão musical e de bom gosto, em Woodstock de 1969, brilharam e trouxeram o melhor de si, em que os jovens ficaram impressionados e amaram o estilo de tocar e as canções do grupo. A química funcionou com todos esses artistas de ponta, unidos por um propósito, que era o de brindar a arte. 

O momento Pop Music que também vigorava em época, deixou Crosby, Stills, Nash and Young ávidos por um som mais profundo, vindo com uma ganância de mostrar conteúdo artisticamente mais elaborado e com raiz em uma musicalidade fértil. Anteriormente, um disco feito em trio permeou os idos de 1969, mas, aqui, em uma concentração ilimitada e com as mãos de Neil Young para emanar todo potencial exibido, foram eles em frente a um disco, intitulado de "Déjà Vu", disco esse que demandou mais de 700 horas de estúdio - algo cansativo e de certa forma, que fez com que Young deixasse a trupe para voltar somente muitos anos luz adiante ao centro do grupo. 

Para a percussão fora recrutado Dallas Taylor e no baixo Greg Reeves. A produção veio das mãos dos quatro integrantes oficiais, sendo que a mesma acabou por ser bem promissora e em moldes bem apreciativos. 

O disco chegou nas lojas em 1970, pelo selo Atlantic Records e com um pouco mais de 35 minutos de duração. A banda transita entre Folk, Rock, Country Music e logicamente uma veia setentista de ser, bem ao estilo do grupo, mas com apelo de época. Foram realizados quatro singles para a popularização do mesmo e assim o disco conseguiu um impacto bem interessante. 

A abertura com "Carry On" é bem forte, uma faixa consistente e muito bem evolutiva, com destaque certeiro para as vozes dos músicos inseridos de forma como uma espécie de ópera, conduzida por uma avalanche sonora entre cordas e nuances belíssimas. "Teacher your Children", com contribuição de Jerry Garcia (R.I.P.) do Greatful Dead, acaba sendo um hit do álbum. Em "Almost Cult my Hair" os vocais principais são de Crosby e a faixa vem na linha mais rock and roll. "Helpless", de Neil Young, acaba sendo carregada em melancolia, mas confere com o andamento do disco, sem perder a qualidade. A faixa "Woodstock", de autoria de Joni Mitchell, é brilhante em um andamento bem mais ágil, e com vocalizações ótimas. Joni - a loira de cabelos escorridos e de voz aguda e doce -, era namorada de Nash nesse período. A canção título "Déjà Vu" chega psicodélica e com violões em ascensões rítmicas de excelentes bons tons. E quando chegamos na canção "Our House", temos uma visão como se fosse Paul McCartney que estivera cantando e tocando o piano, tamanha semelhança entre voz e composição; bela demais, diga-se. "Country Girl" traz Young de volta na voz e "Everybody I Love You", em que a mescla das vozes em um estilo agitado sonoro, mostra o quanto realmente vocais são importantes em um estilo de grupo assim, e realmente fecha o álbum com aquele gosto de quero mais.

Sugiro uma audição com bastante atenção, o que acaba por fazer a diferença, já que aqui, as vozes e melodias se fundem em um ode à música e tão somente à arte de se fazer música.

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