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Resenha: Sonic Origami (1998)

Álbum de Uriah Heep

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Encerrando bem os anos 90

Por: Vitor Sobreira

11/12/2019

Já não eram mais os expressivos anos 70, muito menos os glamourosos anos 80, mas sim o final da década de 90. O Uriah Heep era mais um antigo e respeitado nome que felizmente se mantinha de pé, colhendo os frutos de uma longa carreira.

‘Sonic Origami’ ocupa o marcante posto de número 20 na discografia da banda britânica, tendo sido lançado pelas gravadoras Eagle (Europa), Victor (Japão) e Spitfire (EUA) em setembro de 1998. Após este trabalho, um novo de inéditas sairia apenas dez anos depois, o prometido ‘Wake the Sleeper’.

Com produção e co-arranjos de Pip Williams (que anos mais tarde supervisionaria os arranjos orquestrais do Nightwish), o vigésimo álbum do Uriah Heep é extenso; com treze faixas e mais de 01 hora de duração. Além disso, também trouxe uma banda entrosada, já que os músicos estavam juntos desde o final da década anterior.

Homenageando os ex-integrantes David Byron (vocal, falecido em 1985) e Gary Thain (baixo, falecido em 1975), “Between Two Words” ao contrário do que possa parecer, não apresenta qualquer tipo de teor fúnebre ou “pra baixo”, mas é uma composição que em seus 6:29 exibe algo quase épico, com ecos da sonoridade do passado, mas sem se desprender da época em que estavam. Um pouco mais curta, “I Hear Voices” também é forte, apostando no refrão e obtendo êxito com o instrumental. Com uma pegada relativamente mais empolgante, “Perfect Little Heart” se enquadra perfeitamente em um descompromissado Hard Rock.

Impossível não gostar de um arranjo bem feito de violão, ainda por cima se for acompanhado por uma linha vocal carregada de feelin’! Pois é, é isso que o ouvinte encontrará em “Heartless Land”. Claro, que alguns efeitos de teclado também conferem um sabor extra. Em uma veia mais Progressiva “Only the Young” é outra que tem muito bom gosto nas melodias e no refrão, além dos solos de Mick Box.

“In the Moment” é diversificada, elegante e ainda se permite breves viagens instrumentais aos anos 70, sem mencionar a boa interação entre guitarra e teclados! Os vocais de Bernie Shaw também são um caso a parte. O violão retorna em “Question”, com um clima bastante sereno, acompanhando apenas por teclados e vocal. Aliás, isso é bem pessoal, mas aqui Bernie me lembrou um pouquinho Geoff Tate (ex-Queensrÿche).

Um toque de vigor se faz presente em “Change”, apenas para contribuir com a diversidade, já que em momento algum a audição soa maçante, mesmo com a seção rítmica não sendo tão aventureira. Com um título no estilo de “Shelter from the Rain”, é claro que a faixa não poderia deixar de apresentar um clima quase que melancólico, até meio que introspectivo, talvez. Mas mantenha a calma, pois “Everything in Life” não repete a fórmula anterior e ainda te dá um gás na empolgação, com pegada discretamente direta.

O tempo passa rápido e logo nos vemos nos momentos finais do álbum. A trinca de encerramento é composta por “Across the Miles”, “Feels Like” e “The Golden Palace”. A primeira eu podia jurar que estava ouvindo Journey – aqui e ali, claro -, mais tranquila e com alguns contornos mais Pop é uma música que tocaria facilmente nas rádios ou até poderia ter estado na trilha sonora de algum filme. A segunda tem algo em sua estrutura que me remeteu bem vagamente a “N.I.B”, do Black Sabbath (!) por alguns breves instantes, com a guitarra definitivamente comandando tudo. Já a última – a mais longa – começa com uma introdução épica e sombria de teclados, até a chegada da voz e dedilhados de violão, sem pressa e bastante climática. Apesar da pompa, a canção não apresenta tantas surpresas, se tornando um bom encerramento. E ponto.

Se você é daqueles que enxerga a banda apenas nos anos 70, dê uma chance a este ‘Sonic Origami’, que lhe garanto encontrar momentos muito bons!

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