Para os que respiram música assim como nós


Resenha: She's The Boss (1985)

Álbum de Mick Jagger

Acessos: 566


Mick no comando

Por: Fábio Arthur

10/12/2019

Mick veio ao ano de 1985 com avidez em sua carreira solo, ele estava, em meados dessa década, cansado de levar Richards e os Stones nas costas. De fato, Jagger sempre foi muito ativo e o cabeça do grupo de um momento em diante. O que deu margem à voz sufocada de Mick Jagger, foi também o fato de que ele acreditava que Keith não era mais como nos velhos tempos, além da ascensão solo de outros renomados da música. E assim, nasceria "She's the Boss", em 19 de fevereiro de 1985. 

O título do disco veio de um ato egocêntrico e dotado de muita auto confiança, moldou-se em uma piada interna nos bastidores do início das gravações, e assim, algo como se Jagger fosse "patroa" de si mesmo, de seu som e de sua carreira. Obviamente coube de forma descarada e abusiva e que culminou com olhares raivosos de Keith para seu parceiro. Olhares esses, que mais tarde refletiram na carreira dos Stones, e por um longo período.

Assim, sem ter que prestar contas de nada e somente nessa fase cuidar de seu interesse musical e assim pessoal, Jagger mandou ver na promoção do disco, com vídeos e até mesmo se valendo de um filme nesse período, algo de uma importância menor de fato. 

A canção de abertura acaba sendo um vínculo com seu parceiro Richards, "Lonely at the Top" traz um rock centrado e uma canção que havia ficado de fora dos discos dos Stones, assim mantendo uma atração entre os dois artistas. Se tratando do momento musical, Jagger passeia sem inibição pelo Pop Music, sem se deixar reprimir, o que agrada alguns e deixa de lado o interesse de outros. 

Mas são quarenta e poucos minutos de interpretações ótimas, canções que vagam pelo teor clássico de época e até mesmo de algo enfadonho. Mas, é Jagger aqui, modulando tudo e balançando como sempre.

Em "Runnin' out of Luck", o ouvinte não consegue enxergar uma linha Rolling Stones e assim se depara com algo mais diferenciado e ao mesmo tempo gostoso de ouvir. "Just Another Night" é perfeita em seu ego e pop descarados com guitarras sutis e muita folia em seu vídeo oficial. Aliás, este que vinculou na MTV por exaustão e nas rádios sem cessar; de fato ela carrega o álbum e Jagger mantendo um nível diferente além de abusado e sublime. Na bela balada "Hard Woman", a voz de Jagger embargada e seu tom brando seguem dando força ao longo play. "Lucky in Love" remete com pop/rock e dispara uma intensa interpretação de Mick, profundo e bem consistente. 

A arte do disco se compromete fielmente ao disco e cai como luva no estilo andrógeno de Jagger. O conteúdo do álbum continua mesclando uma produção ótima de Nile Rodgers, em canções, como já mencionado, balanceadas entre várias variáveis. 

Um álbum digno na verdade, parte de uma década recheada ótimos momentos e projetos musicais, com ascensão de grupos e cantores. Enfim, é puramente anos oitenta.

As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor


Compartilhar

Comentar via Facebook

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.
Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito e aberto para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.