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Resenha: New Horizons (2019)

Álbum de Adellaide

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Voando alto sob novos horizontes

Autor: Diógenes Ferreira

01/12/2019

Dois anos após o lançamento de seu debut “Flying High” que entrou na minha lista de melhores do ano de 2017, a banda Adellaide está de volta lançando seu segundo álbum “New Horizons” (2019). O grupo começou as suas atividades em 2016, quando Daniel Vargas (vocal) saiu da banda Horyzon e montou um novo projeto que começou a tomar forma com as entradas de Leandro Freitas (teclado), Cadu Yamazaki (baixo) e o lançamento do EP auto-intitulado. Depois tivemos o lançamento de seu primeiro álbum, e consequentemente as entradas de Vitor Balconi (guitarra) e Herbert Loureiro (bateria) completando a formação atual. O fato é que após um excelente cartão de visitas que foi o álbum de estreia Flying High, a Adellaide continua rumo a novos horizontes e chega com o mesmo time que vem trabalhando duro para que nossos representantes do AOR/Melodic Rock brasileiro possam alçar vôos cada vez mais altos. Continuando com a gravadora dinamarquesa Lions Pride com distribuição europeia assim como no primeiro álbum, a banda também mantem a parceria com Tito Falaschi na produção e Joey Polycarpo na arte da capa dos álbuns.

O resultado é New Horizons, novo álbum saindo do forno que traz a qualidade e bom gosto do grupo elevado a uma potência mais alta de modernidade e profissionalismo. “Robotica” abre o disco já mostrando essa modernidade mas sem perder a essência melódica do grupo com direito a narrativa de Joey Polycarpo na intro. Em seguida entra algo que nos remete diretamente a genialidade do Toto, mas que também caminha na sonoridade de bandas atuais como Care of Night e Work of Art, trata-se de “Times Hotel”, uma canção marcante, sem dúvida. Outra faixa que traz elementos de Toto é “Nightfall”, com percussão característica tanto na intro quanto no refrão, com destaque para as melodias vocais de Daniel Vargas. A próxima é “Tonight”, uma bela balada que inicia com um piano soturno e que vai evoluindo para uma canção carregada de emoção, inclusive nos solos de guitarra e com a participação especial do grande Robbie LaBlanc (Blanc Faces, Find Me). “Ring of Saturn” é outra que mostra o talento de Vitor Balconi, com sua guitarra envolvente, além dos teclados sempre pontuais de Leandro Freitas. Depois vem uma sequência que vai levar você de volta no tempo, diretamente para o AOR anos 80 e que empolgará os mais saudosistas, com as faixas “Smile” e também “It’s Just a Matter of Time”, com destaque para a segunda que é o primeiro single do álbum, ganhou clipe e conta com a participação especial dos vocais de Marina Ammouri. “Oceania” vem em seguida lembrando um pouco de “Andrea”, música presente no primeiro álbum da banda. Já “Paradise Grace” despeja teclados singelos no começo para depois entrar com um clima meio Survivor, também uma ótima referência do grupo e que conta com os backing vocals de Rodrigo Marenna, outro grande nome do nosso cenário AOR/Melodic Rock brasileiro, que já fez outra parceria com Daniel Vargas no projeto Ocean Drive 85. “Together Again” encerra o álbum com uma vibração alto astral, a cozinha de Cadu Yamazaki/Herbert Loureiro numa linha mais solta e até dançante, com os vocais de Daniel bem pra cima.

O novo álbum da Adellaide mantém as expectativas, sempre evidenciando o ótimo nível do grupo, mostrando uma banda cada vez mais homogênea, redonda, que está fazendo um trabalho digno de destaque no cenário AOR brasileiro e até mundial. Não faltam elementos que colocam sorrisos nos rostos dos fãs do estilo, não falta profissionalismo e dedicação por parte dos envolvidos com a banda em entregar um material de qualidade no segmento. Espero que as oportunidades para a Adellaide continuem surgindo no mercado europeu pois ter nossas bandas crescendo mundo afora sempre será motivo de orgulho para nós que torcemos e sabemos a dificuldade que é fazer música de qualidade no Brasil. Flying high on the new horizons!


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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