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Resenha: Scarabus (1977)

Álbum de Ian Gillan Band

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Seguindo sem o Purple

Autor: Fábio Arthur

28/11/2019

Após a saída do Deep Purple, Ian Gillan passou aproximadamente uns dez anos fazendo shows, discos solos e até mesmo turnê e material com Black Sabbath. Segundo o próprio Gillan diria mais tarde, "Tocar com Sabbath, foi minha pior incursão". 

O fato é que a carreira solo de Gillan, apesar de deixar álbuns de ponta, o mesmo não atingiria seu máximo expoente, até voltar ao Deep Purple em 1983, com a formação clássica de outrora. 

Dando sequência em sua vida pessoal, o nobre vocalista passou por momentos ruins financeiros e com investimentos errados. Além disso, o público ou a mídia talvez esperassem que Gillan voltasse ao estilo e/ou ao Purple, antes mesmo de fazer outro álbum solo. Um dos pontos altos da carreira solo de Gillan seria a qualidade musical e das faixas em si, mostrando uma variável bem distinta e colocando à prova todo um conceito bem evolutivo. 

Dotado de um Jazz Fuzion e um lado de Rock Progressivo, Ian Gillan Band nos traz o melhor do melhor em três discos marcantes, sendo que esse "Scarabus" não seria diferente. 

Mantendo a formação do disco anterior e após a sequência de shows pelo Japão, Gillan trouxe, de forma única, um material muito coeso e gostoso de ouvir. Não cabe aqui comparações com seu passado glorioso, mas sim olhar a linha musical de um trabalho digno e estruturado. 

O álbum em questão, foi relançado pela Virgin em 1982, com alguns bônus e também uma sonoridade melhorada. Ainda assim um revival de ótimo gosto e que detém alguma coisa ao vivo em uma destas prensagens, com faixas gravadas no Budokan Hall (famosa casa de espetáculos japonesa), enfim, relançado com méritos. 

O long play saiu em 1977. Uma curiosidade sobre a arte de capa, é que uma delas remete em uma mudança entre original e relançamentos, sendo que a que traz a banda estampada sob o fundo negro é uma elaboração mediante ao filme de horror "The Witch Who Came From The Sea", de 1976, uma adaptação na verdade, e a outra, a que conhecemos como "a original", desenhada em estilo meio épico e medieval. 

E dá-lhe boas faixas em "Scarabus". "Mad Elaine", que é uma das mais fortes do disco; "Country Lights", com várias incisões nos vocais; "Poor Boy Hero", bem dançante; "Slags to Bitches"; "Scarabus", em que as linhas foram utilizadas para compôr a canção "Disturbing the Priest" do Sabbath, em 1983; e "Fool´s Mate", deliciosamente musical e também um dos pontos dignos do petardo. 

O álbum foi produzido pelo próprio Gillan e seu grupo. No mais, em 40 minutos o ouvinte pode ser agraciado com uma avalanche musical e bem distinta. 

Fica a dica.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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