Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Power And The Passion (1975)

Álbum de Eloy

Acessos: 88


Não é um dos seus maiores clássicos, mas também não decepciona

Autor: Tiago Meneses

28/11/2019

Power And The Passion é o 4º disco de estúdio da Eloy e que apresenta um conceito de estória meio brega. Talvez a primeira vista o ouvinte possa não perceber, mas depois com algumas audições e maiores atenções, nota-se que mais parece um enredo de um filme de baixo orçamento. Mas quantas não são as músicas que amamos, mas que liricamente são pobres, não é mesmo? Ou então pergunte o conceito de vários álbuns para pessoas que os amam e verás que elas pouco ligam paras suas tramas. Power And The Passion tem como tema uma viagem no tempo de um jovem chamado Jamie e filho de um cientista e que após ingerir acidentalmente um comprimido fabricado pelo pai, foi parar na Idade Média. Mas vamos falar das músicas agora. 

O disco começa com uma faixa de nome bastante original, “Introduction”. Baseada em órgãos, faz com que o ouvinte relaxe e respire fundo através de uma nuance musical que define a atmosfera encontrada em todo o álbum. Possui pouco mais de um minuto, mas é bem interessante. 

Em "Journey Into 1358" nosso jovem Jamie conhece uma garota chamada, Jeannie, filha de um rico proprietário de terras. Começa com uma linha vocal bastante melódica apoiada por um bom trabalho de piano. A adição de uma bateria mais enérgica e preenchimentos bem encaixados de guitarra enriquecem a composição. A combinação órgão, guitarra, linha de baixo e bateria é realmente muito boa. 

“Love Over Six Centuries” é o momento da estória onde os dois se apaixonam e também compartilham de uma experiência um quanto viajante após fumarem juntos um “baseado”. Começa com um trabalho suave de guitarra e novamente com uma linha vocal melódica. Flui muito bem até que a linha de baixo dá uma crescente na música junto a um som de órgão muito agradável e cativante. Possui um momento longo e atmosférico no seu núcleo que parece feito pra combinar com o estado de chapado dos personagens. Algumas narrações deixam tudo mais viajante ainda. Termina em um ritmo rápido, um solo de guitarra impressionante antes dos vocais voltarem pela última vez com um órgão de fundo. 

“Mutiny” é onde o jovem Jamie conhece o pai de Jeanne, que o acolhe, mas com uma condição, a que através dos seus conhecimentos do século XX, o ajude a controlar uma revolta de trabalhadores, porém, o coloca em um profundo dilema moral quando ele percebe a situação de indulgência em que os camponeses vivem e a forma como são tratados, fazendo com que Jamie decida se juntar a eles na rebelião contra o senhor feudal. Começa novamente com um vocal melódico e suave, apoiado por um piano e um trabalho sereno de órgão. O preenchimento da guitarra entra gradualmente na música e traz com firmeza a faixa a um ritmo otimista com um som de órgão grandioso. Em seguida é ligada por um simples trabalho de guitarra, apoiado por um som de órgão flutuante. A música se transforma gradualmente em um ritmo mais rápido, mostrando um ótimo solo de teclado, bom ritmo de guitarra e excelente bateria. A linha de baixo também é uma parte interessante a ser observada.

“Imprisonment” representa a consequência da escolha de Jamie na faixa anterior, ou seja, seu aprisionamento. Depois de duas faixas mais longas, a banda nos oferta com uma música de cerca de três minutos. Começa com uma boa paisagem sonora seguida de uma linha vocal que parece distante. O preenchimento tanto da guitarra quanto a do teclado oferecem uma excelente fluidez à faixa. 

“Daylight” é a faixa que representa a sua libertação que acontece depois da ajuda de um guarda. É uma continuação lógica da faixa anterior, mas em um ritmo mais rápido com adição de bateria. O clima é animador com uma boa combinação de excelente linha de guitarra, órgão e baixo. Guitarra e órgão tocam de maneira alternada. Um Excelente momento do álbum.

“Thoughts Of Home” mostra que o pensamento de Jamie agora é o de voltar pra casa. A faixa mais curta do álbum com pouco mais de um minuto apenas. Baseada em clavinete e vocal, mais parece uma introdução para a próxima faixa. 

“The Zany Magician” lembro que quando a ouvi pela primeira vez, logo de cara me fez pensar em “Sabbath Bloody Sabbath”, ainda que com um riff menos agressivo e pesado que o de Tony Iommi. Zany é o nome de um mágico excêntrico que após Jamie ser libertado, ajudou o jovem a de fato escapar. A guitarra do início casa muito bem com o final suave da faixa anterior. O desenvolvimento da faixa possui um grande sabor de hard rock, sei deixar de se manter dentro do território musical da banda. 

“Back Into the Present" como o nome sugere, é quando Jamie é conduzido, com a ajuda do mágico, novamente para o século XX. Em termos de melodia e estrutura é mais uma faixa que citarei como parecida com outra, nesse caso com “Love Machine” do Uriah Heep. Inclusive a banda inglesa é uma das influências do Eloy. 

“The Bells of Notre-Dame” é quando a estória chega ao fim, mostrando Jamie tendo doces lembranças, a saudade Jeanne e o seu profundo desejo que aquela jovem que conheceu tão pouco estivesse ao seu lado. Extremamente sombria, explora o som de órgão executado numa marcha lenta. A textura geral da faixa é flutuante com adições de alguns sons de mellotron. Sei que no começo falei sobre a estória não ser lá essas coisas, mas a atmosfera da faixa ligada ao emocional triste e cheio de saudade de Jamie faz desse o momento mais belo do disco. 

Eloy é uma banda que faz parecer fácil com que qualquer pessoa ouça continuamente uma música ambiente e agradável, sem que ela se faça maçante aos menos familiarizados com esse tipo de som. Cada álbum da banda possui uma personalidade distinta e variam significativamente não apenas de década para década, mas também de um simples disco pro outro.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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