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Resenha: Death Walks Behind You (1970)

Álbum de Atomic Rooster

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Não é apenas um disco de hard rock, mas de um hard/heavy rock brutal

Autor: Tiago Meneses

27/11/2019

Apenas Vincent Crane permaneceu na banda em relação ao primeiro disco, Carl Palmer deu lugar a Paul Hammond, enquanto que Nick Graham teve o seu espaço preenchido por John Du Cann. Em minha opinião, Death Walks Behind You é o melhor álbum do grupo. Embora o álbum tenha alguns elementos progressivos, logo de cara nota-se que ele foi feito em um tom mais pesado ao melhor estilo Black Sabbath.  A Atomic Rooster foi um grande representante do que o lado sombrio do rock britânico havia alcançado até aquele ponto. 

“Death Walks Behind You” começa com uma introdução arrepiante de piano de Vincent Crane, que soa um pouco como alguns dos primeiros trabalhos de Van der Graaf Generator. O riff de guitarra hipnótico entra em ação e continua durante a primeira metade da música, enquanto os vocais de John Du Cann falam de algo como medo e pavor mórbido da morte. Funciona como um exemplo de tudo o que engloba o som da Atomic Rooster: riffs de guitarras rítmicas arrasadoras e pesadas que se alternam entre letras lentas e rápidas, escassas, minimalistas e mórbidas. Começo de tirar o fôlego. 

“VUG” é uma excelente faixa instrumental com um ritmo pesado que mostra o talento de Crane e apresenta algumas batidas selvagens de Paul Hammond. O baixo de todo o álbum é realmente produzido, de acordo com os créditos, por Crane, utilizando uma excelente 'combinação de técnicas fortes de mão esquerda e pedal, juntamente com dispositivos especiais de reprodução de som instalados em seu hammond'. Um som interessante e único. 

“Tomorrow Night” é um dos singles famosos da banda. Um clássico hard/heavy com liderança nos teclados sempre furiosos de Crane. Vale mencionar que com essa música a banda conseguiu entrar no top 20 das paradas britânicas. 

“7 Streets” é uma faixa que mescla três riffs para criar uma ótima música. O órgão de Crane soa como se ele estivesse tocando em uma igreja e é ainda mais eficaz devido a isso. Certamente, um daqueles sons “chute na cara” e maiores destaques do disco. 

“Sleeping For Years” tem um excelente solo de guitarra de Cann e se tornou uma das faixas mais solicitadas da banda ao vivo em seus concertos, de acordo com Crane. Ela tem um riff matador que gruda no seu cérebro. Empolgante. 

“I Can't Take No More” era para ter sido um single do álbum, mas foi substituída por “Tomorrow Night”. A faixa tem um ótimo riff de guitarra que se move muito bem, mas por algum motivo me lembra o “Don't Bring Me Down” da Electric Light Orchestra, embora o Atomic Rooster certamente estivesse gravando bem antes do ELO. A faixa aparece frequentemente nos Best Of da banda. 

“Nobody Else” sem dúvida é a música mais silenciosa e menos impactante do álbum, talvez combinasse até mesmo mais no primeiro disco da banda do que aqui. Porém, serviu como uma bela bonança após a tempestade de guitarra da faixa anterior. 

“Gershatzer” é a última música do álbum e também é instrumental. A faixa mais longa encerra o disco de forma brilhante. Uma das melhores composições da história da banda. Bastante pesada tanto em órgão quanto em bateria, Paul Hammond ainda não havia se soltado como aqui, mostrando que podia ser considerado também um dos grandes bateristas da época. 

Death Walks Behind You não é apenas um disco de hard rock, mas de um hard/heavy rock brutal, cheio de peso e influências progressivas em vários pontos.  Teclados explosivos, excelentes bateria, vocais cintilantes. Altamente recomendado.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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