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Resenha: Atomic Rooster (1970)

Álbum de Atomic Rooster

Acessos: 71


Um disco de estreia de som cru, puro e enérgico

Autor: Tiago Meneses

27/11/2019

Atomic Rooster é o primeiro álbum da banda de mesmo nome e que foi lançado em 1970. Muitas vezes mais do que suas músicas, a primeira coisa que vem na mente de quem o escuta é lembrar que se trata da banda de Carl Palmer antes do mesmo fazer parte do trio Emerson, Lake & Palmer. Então quer dizer que por ter esse baterista podemos esperar um álbum de rock progressivo? Não, mas um disco de hard rock com uma bateria matadora. Hard Rock? Então estaremos diante de efusivos solos de guitarra? Não, mas de um trabalho liderado pelos sempre bombásticos hammond de Vincent Crane. 

“Friday The Thirteenth” é a faixa que dá início ao disco. Uma boa música de heavy/blues com um trabalho de órgão extremamente selvagem e uma bateria feroz. Devo admitir que mesmo Nick Graham tendo pra muitos apenas um vocal típico pra aquela época, sou um grande fã. 

“And So To Bed” apresenta algo que nota-se praticamente em todo o disco, então não falarei sobre isso em outras faixas pra não soar repetitivo. Apresenta uma performance com energia e atenção dramática aos detalhes. Nick Graham novamente mostra um vocal muito apropriado, Crane além dos trabalhos de hammond, também fornece uns vocais atmosféricos de apoio e Palmer mantem a peça sempre sob controle enquanto toca de maneira não convencionais. 

 “Broken Wings” a introdução de metais faz uma melancolia a qual Graham encontra a contrapartida perfeita do blues, dando aqui pela primeira vez, ainda que de leve, uma sensação progressiva no disco. O hammond novamente rouba a cena e chama pra ele maior parte do interesse pela faixa através de excelentes investidas e rosnados. O clima sentido é perfeito. 

“Before Tomorrow” é uma faixa instrumental. Começa com Carl Parlmer novamente tocando de maneira agressiva. Na verdade ele permanece agressivo durante toda a faixa, brilhando sob os ataques do hammond de Crane. 

“Banstead” é uma balada de performance muito apaixonada, porém, não tem como negar que desperdiçada em uma música um tanto banal e esquecível. Possui um intervalo instrumental que até é mais interessante, Palmer fazendo mais um ótimo trabalho de bateria e que é muito bem decorada pelo hammond de Crane, mas logo tudo volta pro mesmo caminho. Não é necessariamente ruim, mas é daquelas faixas que esperamos mais do que nos é ofertado. 

“S.L.Y.” é mais um daqueles momentos em que a música não é lá muito notável. Mas a fusão entre o soul nortista americano e o hard rock não deixa de manter uma boa vibração na faixa. Possui um momento no seu núcleo que é intenso e viajante o qual eu também considero ótimo. Porém, a música volta pra sua base normal antes de chegar ao fim. 

“Winter” começa com uma flauta que se desvia completamente da vibe encontrada no hard rock dos anos 70, trazendo a tona um clima pastoral e uma verdadeira sensação progressiva. A textura geral então é completamente alterada pelo piano de Crane e por uma bateria cheia de sensibilidade de Palmer. Essa faixa é simplesmente magistral e de uma influência muito grande em Jethro Tull, mas sem deixar de produzir uma mágica própria. À medida que a peça avança, diferentes instrumentos são introduzidos, dando um fluxo e refluxo contínuo às texturas sônicas, pintando uma tela larga de uma variedade quase deslumbrante de cores auditivas. Pra mim, sem dúvida é a melhor faixa do disco. 

“Decline And Fall” fecha o disco nos levando a um som de hard rock 70’s puro e cheio de energia. Umas pinceladas de psicodelia deixam a música também em uma atmosfera onírica. Uma boa oportunidade de Carl Palmer ser o centro das atenções através de um solo de bateria, embora eu sempre diga que solo de bateria no meio de música é chato e desnecessário. 

No geral, sem dúvida é uma ótima estreia. Devo admitir que é ótimo ouvir um grupo de hard rock baseado em hammond que não soa como Deep Purple ou Uriah Heep. Uma mistura de composições realmente boas com outras em que a banda parece estar apenas se divertindo. Mas falamos de um momento que a psicodelia ainda existia bastante, então está valendo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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