Para os que respiram música assim como nós


Resenha: The Miracle (1989)

Álbum de Queen

Acessos: 99


O início do fim

Autor: André Luiz Paiz

26/11/2019

Três anos após o lançamento do álbum "A Kind Of Magic", o Queen estava no meio de um voo com inúmeras turbulências. Os críticos ainda pegavam no pé com o uso excessivo de sintetizadores desde o fraco "Hot Space" e os membros tentavam canalizar as tensões entre eles se aventurando em projetos solo. Freddie tinha lançado "Mr. Bad Guy" em 1985 e "Barcelona" em 1988. Roger formou o grupo The Cross e Brian passava por sérios problemas em seu casamento. Além disso, o pior de tudo: Freddie Mercury estava com AIDS...

Com a produção novamente de David Richards, o Queen voltou aos estúdios novamente para calar os críticos. A primeira intenção era resgatar o trabalho em conjunto, sendo que várias das composições não são individuais. Além disso, nota-se claramente a intenção de uma volta ao rock, finalmente e novamente o estilo predominante aqui. Assim, em maio de 1989 sai: "The Miracle". O álbum a princípio se chamaria "The Invisible Man", mas acabaram optando por mudar bem próximo ao lançamento.

A bela capa feita por Richard Gray recebeu críticas de Derek Riggs, famoso artista responsável por inúmeras capas de álbuns e singles do Iron Maiden. Derek afirmou na época que a banda tinha roubado a sua ideia da arte do single "The Clairvoyant". 

Apesar da faixa de abertura "Party" dar impressão errônea sobre o conteúdo do álbum, a canção pop até que é legal. Ela faz link com a ótima "Khashoggi's Ship", que traz enfim o rock de volta. Destaque para a potência vocal de Freddie. 
A faixa-título é uma das mais belas e complexas escritas pela banda. Passagens belas, ótimas progressões e melodia agradável são as suas principais características. 
"I Want It All" é o Queen o mais próximo possível do hard rock. Um petardo espetacular, com ótimos riffs, solos e vocal espetacular de Freddie. Uma das melhores faixas de toda a sua carreira. Ela é seguida pela faixa "The Invisible Man". É pop, mas também empolgante, principalmente o baixo de Deacon.
Sem perder o ritmo, "Breakthru" inicia com um trecho de uma pequena faixa de Freddie, chamada "A New Life Is Born", que cresce e se integra brilhantemente resultando em mais uma faixa rock. Destaque para o vídeo, que mostra a banda com um Freddie já magro em cima de um trem em movimento.
Seguindo adiante, "Rain Must Fall" é uma baladinha pop com sonoridade típica dos anos oitenta. Não é um clássico, mas eu acho bastante agradável. É seguida por "Scandal" outro rock agora mais denso, com letra que relata os dramas pessoais de May.
"My Baby Does Me" segue a linha de "Rain Must Fall", mas acaba se revelando a pior faixa do disco. Um pop sem graça e sem emoção. Por sorte, "Was It All Worth It" encerra o álbum em alto nível, com ótimos riffs de May e belo vocal de Freddie.

Sobre os vídeos de divulgação, "The Invisible Man" traz os membros do grupo atuando em uma filmagem meio estranha. Chama a atenção mais uma vez a perda de peso de Freddie Mercury. Já o vídeo da faixa-título ficou bem legal, em que crianças tocam no lugar da banda. Por fim, o vídeo de "I Want It All" é o que eu mais gosto, com a banda simplesmente detonando em um palco com ótima produção e iluminação.

A versão em CD de "The Miracle" veio também com as canções "Hang On in There" - um pop rock que não brilha mas não compromete, "Chinese Torture" - instrumental solo de May e uma outra versão não tão legal de "Invisible Man".

"The Miracle" não teve turnê de divulgação. A decisão foi de Freddie e o motivo nós já sabemos. Como a sua doença era um segredo na época, a mídia ficou em polvorosa, com muitas especulações a seu respeito. Sem a turnê, o Queen rapidamente voltou aos estúdios para registrar mais material, pois era o que Freddie queria fazer até que não pudesse mais.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: