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Resenha: Dreamspace (1994)

Álbum de Stratovarius

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Quanto mais melhor, correto? Talvez...

Autor: Yago Neco Teixeira

24/11/2019

O Dreamspace se representa por características que vão além de suas músicas, são elas: estréia de Jari Kainulainen no baixo (ele que fez parte da formação clássica da banda); Álbum com maior quantidade de músicas ao lado do Nemesis (2013) (ao todo são 15 músicas nos dois contando com as bônus lançadas somente em discos do Japão); Contém solos de flauta (tocada pelo próprio batera Tuomo Lassila) e até de oboé. 
Embora tenha músicas alegre e empolgantes, é, de longe, o álbum mais melancólico/sombrio e progressivo da carreira da banda. Como os seus irmãos Fright Night (1989) e Twilight Time (1992), o Dreamspace (1994) também faz parte da primeira fase da banda. Ele foi o último álbum dessa fase que contava com Tolkki nos vocais. Fica nítido nesses três álbuns o quanto Tolkki e companhia eram altamente influenciados pelo som oitentista (uma das principais características das músicas desses discos).

O álbum começa pela excelente "Chasing shadows", uma ótima abertura, pois a música é rápida e contagiante. Logo em seguida vem a queridinha desse álbum, inclusive do próprio Tolkki que chegou até a tocá-la nos shows do Symfonia. Estou falando de "4th Reich", ela começa de forma até duvidosa, mas cresce até o refrão e explode logo em seguida.
"Eyes of the world" exemplifica a veia oitentista que falei anteriormente, essa música é totalmente anos 80. Uma melodia fácil de digerir, riffs bem calcados e um refrão que nos chama a bater cabeça.
"Hold on to your dream" é outro som arrasa quarteirão, além de ter uma letra belíssima bem auto astral é altamente contagiante. Aqui já são apresentados alguns traços fortes do que viria a ser o Stratovarius em sua ascensão (principalmente na guitarra).
"Magic Carpet Ride" tem uma introdução "a la Oriente Médio" fazendo jus ao nome da música e sua letra. Ela tem uma sonoridade bem nostálgica até pra quem não viveu nessa época (eu, por exemplo). Porém, ela fica enjoativa e morna.
"We are the future" é outra "oitentista" que empolga até defunto, ao ler a letra dela você pode chegar a conclusão de que ela é uma "Paradise" (do Visions) da primeira fase da banda. Tolkki, como sempre, preocupado com o futuro do planeta expõe sua visão neomalthusiana catastrófica.
"Tears of ice" é a primeira balada desse álbum e ela caracteriza fielmente a sofrência do Power Metal. Brincadeiras a parte, a música é muito boa e  lhe faz viajar ao som dos solos de Oboé.
"Dreamspace" tem uma introdução bem no padrão Stratovarius clássico, chega a ser uma prévia do que viria a ser a Banda. Porém, no decorrer da música ela se torna sombria e melancólica para se encaixar com a letra da música, afinal, estamos falando do "espaço dos sonhos".
"Reign of terror" para mim é uma música ok, sem grandes nuances e que pode ser facilmente esquecida se você não gostar com todas as forças dela.
"Thin ice" ganha o prêmio de enchimento de linguiça desse álbum, chega a ser cômico os gritinhos do Tolkki nessa música (sim, você terá vontade de baixar o som se tiver alguém ao seu lado para não passar vergonha).
"Atlantis" é mais uma das faixas instrumentais da banda, um auterego do Tolkki. "Abyss" e Shattered" são outras faixas que se enquadram como músicas ok... legal... beleza.
"Wings of Tomorrow" é a balada que encerra esse álbum para as edições normais, com uma sonoridade bem... deixa eu ver... filme de ação/aventura heroico do mundo da fantasia ?!?!? Sim, esse é o objetivo da música, Tolkki expõe um pensamento de mundo onde tudo será belo para todos, onde não existirá mais ódio nem precisará de fronteiras ou leis. Essa música é muito boa, te faz realmente viajar nas "asas do amanhã".
No Japão, temos a "Full moon" encerrando o álbum, mais uma com sonoridade melancólica/sombria com efeitos na voz de Tolkki. Ela se enquadra fácil fácil na classe de músicas ok... beleza.

No mais, o Dreamspace tem momentos bons, momentos "tá beleza" e momentos "vou parar por aqui". O álbum até poderia ter sido mais valorizado se Tolkki não tivesse feito esse amontoado de músicas em apenas um trabalho (praticamente metade das músicas aqui não lhe dá aquela vontade de escutar uma, duas, três ou mais vezes).

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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