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Resenha: Stormbringer (1974)

Álbum de Deep Purple

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A nova dimensão da MK III

Autor: Fábio Arthur

19/11/2019

Passar imune ao sucesso e potencial de "Burn" seria uma tarefa bem difícil. Acima de tudo, a miscelânea de influências dos músicos contribuiria em demasia para - inclusive de Glen Hughes. 

Martin Birch teve de se virar mediante a todos os problemas envolvidos durante as gravações. Em partes com descontentamento de Ritchie Blackmore, que queria estar longe da veia Funk e Soul do álbum. 

Esse marca o nono disco do grupo e foi gravado na Alemanha, assim, com apenas 36 minutos de canções, a banda desfilou um pouco do Purple mais antigo e um afinco nas novas direções que iriam perdurar até o próximo álbum. 

Sem o peso de seu antecessor o disco ganha o ouvinte pelas faixas e seus arranjos e levadas. Exemplos dessa veia não faltam, como: a faixa título "Stormbringer", fascinante em verdade, "Holy Man", e "Hold On", ambas pegam o lado mais Soul do álbum. "Lady Double Dealer" é uma paulada que foi executada durante a tour, "The Gypsy" e a balada clássica "Soldier of Fortune", em que a interpretação de Coverdale segue com maestria até o final e fecha o álbum de forma branda e de bom gosto. Ainda assim, o disco traz outras peças ótimas e bem alinhadas. 

Dois fatores curiosos durante o processo se fazem presentes no disco: um deles é a arte que foi trazida a partir de uma foto de um tornado que passou por Minessota em 1927, e com isso a capa foi concebida. O outro fator seriam as linhas de guitarra que foram gravadas, tanto os solos como arranjos de linhas de mesa de som feitas por Blackmore para apoiar os músicos a gravarem. Na concepção final, a banda considerou algumas mudanças, mas Ritchie se negou, já pelo fato de que estava descontente com o andamento das coisas dentro do grupo. 

Ao ouvir "Stormbringer", o que se tem é a nítida impressão da empolgação dos músicos em relação a um novo patamar, a desenvoltura de Paice, Lord (R.I.P.), Glen e Coverdale é bem sugestiva, enquanto como já dito Blackmore, apesar de estar contra a direção do grupo, traz um salto dentro de seu estilo e mostra o quanto ainda assim estava em uma situação relevante. 

Em verdade os três discos da MK III  são muito empolgantes e muito acima do previsto. Discaço!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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