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Resenha: Angel Of Light (2019)

Álbum de Angel Witch

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O jeito antigo de se fazer metal

Autor: Diógenes Ferreira

16/11/2019

Sempre é uma satisfação escrever sobre uma banda que gostamos muito. Minha história com o Angel Witch começa com o álbum Frontal Assault (1986), um dos primeiros LPs que tive e posso afirmar que foi um dos álbuns mais marcantes da minha vida, perdendo a conta das inúmeras vezes que ouvi canções como ‘Dreamworld’, ‘Straight From Hell’, ‘She Don’t Lie’, ‘Take To The Wing’, ‘Underdogs’... enfim, o disco inteiro era repetido por mim exaustivamente. Naquele período, o Angel Witch contava com Dave Tattum nos vocais, uma breve fase em que nesse e no álbum anterior Screamin’ and Bleddin’ (1985) Kevin Heybourne, guitarrista, líder e mentor do grupo estava concentrado apenas nas seis cordas e trazia na figura de Tattum, uma abordagem mais Hard n’ Heavy para a banda. O fato é que pra mim, essa fase e esse disco ficaram marcados na minha vida de tal forma à considera-lo especial pra mim. Entretanto, a história da banda começa em 1978 e sua essência reconhecidamente por todos está no seu debut Angel Witch de 1980. 

Sendo uma das bandas pioneiras da chamada New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), o Angel Witch era “a escolha” da EMI para ser a galinha dos ovos de ouro em relação às bandas que emergiam naquela época, até que um dos representantes da gravadora foi ao assistir um show do Iron Maiden e imediatamente mudou o foco para a banda de Steve Harris, assinando contrato com a donzela e o resto é história. Embora a banda de Kevin Heybourne seja respeitadíssima no underground e o debut Angel Witch (1980) até hoje é considerado um clássico do estilo, o sucesso ficou mesmo com o Iron Maiden, com o Angel Witch assumindo o posto de banda ‘cult’, sendo amada e cultuada pelos fãs do gênero, mas longe do ‘mainstream’. 

Porém, desde 2012 o Angel Witch retornou às fileiras tentando retomar o impacto de seu primeiro álbum, com o lançamento As Above So Below nesse mesmo ano. O disco trazia um pouco do resgate dos elementos característicos do primeiro álbum, com Kevin Heybourne novamente na linha de frente, tocando e cantando, além de apostar novamente no clima de canções mais pesadas, sombrias numa pegada Heavy com pitadas Doom como nos primórdios da banda. Não obstante, agora em 2019, o Angel Witch volta a lançar mais um disco nessa mesma pegada, seguindo essa sua essência característica.

O novo disco abre com a empolgante “Don’t Turn You Back”, música totalmente com a marca Angel Witch de se fazer Heavy Metal, cuja as características você encontra facilmente em qualquer disco da banda. Até a produção do disco, propositalmente ou não, é meio abafada, como nos moldes antigos, para delírio de qualquer saudosista de plantão que ao longo do álbum vai jurar estar ouvindo um disco dos anos 80. O álbum segue com a cavalgada “Death From Andromeda” com um riff maligno cortante que fará o mais ardoroso fã chorar de emoção. “We Are Damned” vem também meio obscura com forte pegada de bateria para depois abrir espaço para a balada “The Night is Calling”, daquele jeito... com belos dedilhados seguidos de um crescente peso que se manifesta no Doom total. “Condemned” começa na mesma pegada Doom, mas logo flutua para um típico refrão calcado na NWOBHM, com “twin guitars” e melodias vocais marcantes, até o solo inspirado que arremata a canção. E depois chega “Window of Despair” para esmerilhar com riffs cavalgados que fazem banguear o ouvinte e mais um solo arrebatador da dupla Kevin Heybourne e Jimmy Martin (ex-Fisc, sim aquela banda francesa de Hard Rock dos também marcantes álbuns Too Hot For Love ’87 e Handle With Care ‘88). “I am Infamy” traz mais riffs sujos, cortantes e saturados que semeiam o Heavy/Doom de nomes como Witchfinder General, Saint Vitus, Candlemass e afins numa pegada mais tradicional. Encerrando o álbum, temos a faixa-título Angel of Light para louvar a mais pura essência resgatada do Angel Witch num álbum que certamente fará a alegria de seus adoradores. 

A banda atualmente que conta com Kevin Heybourne (v/g), Jimmy Martin (g), Will Palmer (b) e Fredrik Jansson (d) está afiadíssima, praticando um Heavy Metal que para muitos pode ser ultrapassado em todos os aspectos, mas que para os amantes daquele período oitentista, é uma celebração à moda antiga de se fazer música pesada. Fortíssimo candidato à melhor álbum do ano, sem dúvida nenhuma, jogando para a nova geração um pouco da essência daquele período e também mostrando todo o talento e persistência de um sujeito chamado Kevin Heybourne, que continua apostando na sua maneira de fazer metal... com alma!


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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