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Resenha: Live Evil (1982)

Álbum de Black Sabbath

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O Live da discórdia

Por: Marcel Z. Dio

13/11/2019

Black Sabbath assim como Van Halen, são bandas que não souberam aproveitar a fase áurea e reverter isso em discos ao vivo. A exceção de lives não oficiais e do forçado Live at Last, lançado pelo empresário Patrick Meehan - sem autorização da banda, tínhamos somente o somente o show de Hammersmith Odeon pela tour Never Say Die.

Live Evil, agora na era Ronnie James Dio, supriu a carência dos fãs e foi considerado o estopim para que Dio e Vinny fossem chutados do Sabbath.
Os motivos são mal explicados até hoje, um deles foi a forma autoritária de Ronnie, que incomodava a dupla Tony e Geezer. Este ultimo, alem de suplantado do papel de letrista oficial, enxergava em Ronnie uma ameaça, pois o mesmo parecia estar dirigindo até os negócios da banda.
A gota d'água foi a alegação por via de um técnico de som, de que Dio estaria mexendo na mixagem do álbum, diminuído o volume do baixo e da guitarra para sobrepor a sua voz e a bateria de Appice. Tempos depois o boato foi desmentido por Tony Iommi, embora seja um argumento convincente a época, para expulsar o cantor que a cada dia fazia algo diferente sem o seu consentimento. Era marcar território ou abaixar a cabeça para o baixinho.
Na parte sonora, a produção foi um fiasco, reflexo da citada confusão na mixagem. O som parece anêmico, abafado e mal equalizado. Não sou técnico de gravação, mas essa foi a impressão que tive ao ouvir pela primeira vez, e tenho até hoje.
Todavia vale como um bom registro da época, não sendo de todo o mal.

Dio cantando canções de sua autoria é chover no molhado, com o poder de se apoderar de outras, como as do rival Ozzy Osbourne, a exemplo da macabra Black Sabbath, em que ele se entrega de corpo e alma numa atuação irretocável. Mandando ver também em Iron Man e War Pigs, tocadas desde os tempos do ELF.
O vocal de Dio é como água, se molda a qualquer coisa. No que se meter a fazer suas amígdalas de aço darão conta do recado.

Heaven and Hell se estende por quase doze minutos, com um bom improviso de Tony,  quase uma jam session com direito a um solo bem doido do riff master na parte final.
Dessa forma Heaven And Hell volta a dar as caras na seção intermediaria de The Sign Of The Southern Cross, uma junção bem feita ao mesmo tempo que é triste não a termos na integra. 

Voodoo é sempre termômetro para detectar vozes competentes em cover(s) do Black Sabbath,  poucos cantariam da mesma forma, sob o risco de terem suas cordas vocais dilaceradas. Exige tanto que nem o próprio Dio estica os refrães como feito em estúdio. 

A bolacha é fechada com a dobradinha Children Of The Grave + Fluff, apresentando um grotesco corte na ultima, atenuado por um sem vergonha fade out, isso na edição em vinil. Cá entre nós, totalmente desnecessário, encerrando-se apenas com Children of the Grave estaria de bom tamanho.

A capa com a maravilhosa ilustração de Stan Watts, trás personagens relativos a cada música apresentada, dessas, só não achei referência a N.I.B, o resto está bem estampado na ilustração.
Talvez a mais complicada de associar, são as estrelas da contracapa, formando a constelação Cruzeiro do Sul, em alusão a The Sign Of The Southern Cross.
Na mesma contracapa, incrivelmente vemos o nome de Geezer, Tony e Dio como membros principais, enquanto Vinny Appice aparece abaixo em letras miúdas sob o título de agradecimento especial, juntamente com o tecladista Geoff Nicholls, uma sacanagem ao baterista.

Live Evil mesmo com todos os erros, é um registro que merece ser conferido, até pela época. Quem for exigente com discos ao vivo, pule fora e caia direto para Live at Hammersmith Odeon que é da mesma época e muito melhor.

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