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Resenha: Big Generator (1987)

Álbum de Yes

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Fracasso tanto do ponto de vista artístico quanto do ponto de vista comercial

Autor: Tiago Meneses

12/11/2019

Sempre que o alvo de uma resenha é um disco dos anos 80 do Yes, parece que somos obrigados falar aquela mesma história de sempre, que o grupo havia renovado completamente seu som naquela época. Em seu disco anterior, 90125, reformaram sua formação com um novo guitarrista (Trevor Rabin), trouxeram de volta o tecladista original da banda (Tony Kaye) e, claro, retornaram com Jon Anderson nos vocais. Se em 90125, apesar de eu não gostar do disco, é inegável que o Yes mostrou até com certa competência que o grupo poderia ceder à pressão comercial e ainda fazer um álbum com certo valor artístico, em Big Generator, disco gravado em um processo longo, tedioso e finalmente lançado 4 anos após seu antecessor, nem isso conseguiu mostrar. 

O Big Generator foi gravado em 3 países diferentes e como já mencionado, levou 4 anos para ser feito devido principalmente a diferenças criativas e mudanças nos direitos de produção. Trevor Horn, ex-membro da banda e produtor em 90125, começou como produtor do projeto, mas partiu após alguns meses de gravação da banda na Itália. Em seguida, a banda gravou em Londres com o produtor Paul De Villiers. E finalmente, a produção mudou-se para Los Angeles para os estágios finais de Trevor Rabin.

“Rhythm Of Love” tem uns primeiros 40 segundos até interessante, mas quando entra bateria tudo vai por água abaixo e se torna nada além de uma faixa com todos os ingredientes sonoros da década de 80 utilizados de maneira irritante. 

“Big Generator” é mais uma música que começa até com uns vocais em camada interessante, porém, novamente quando a banda entra a química é mais uma vez bastante tóxica. O refrão é irritante e banal, encaixando perfeitamente na instrumental da faixa que é insossa e sem graça. 

“Shoot High Aim Low” é a música que salva o disco? Bom, ela tem mais valor que qualquer outra e até uns bons momentos, mas a ponto de salvar alguma coisa seria demais, ia parecer que a acho ótima. Anderson e Rabin fazem uma boa troca de linhas vocais e a música possui uma atmosfera onírica bem interessante. Trevor Rabin não é exatamente nenhum Steve Howe, mas encaixa um bom solo aqui. 

“Almost Like Love”, oh céus, eles parecem tão empolgados enquanto tocam essa música, mas sinceramente, não consigo seguir o barco. Será que todos os refrãos desse disco são chatos? Pra completar tudo na música, ainda tem a utilização de umas trompas que o Genesis também usava em seus piores momentos. 

“Love Will Find A Way” tem um começo meio sinfônico/orquestral que mais parece que vai entrar uma banda de power metal, mas o Yes encaixa uma balada que me lembra um pouco filmas 80’s da Sessão da Tarde. Admito que não é uma música ruim. É sentimental e melancólica em boa dosagem, porém, também é enjoativa e pode ter a vida útil bem curta. 

“Final Eyes”é uma tentativa (ao menos tentaram) de uma balada progressiva. O violão e voz do início eu devo admitir que é interessante. Devo admitir também que algumas de suas mudanças de acordes são umas das mais bonitas do disco. Mas então existe algo de errado com essa música? Diria que não, considero até emocionalmente envolvente, só que também não é do tipo que envelheceu bem e logo pode enjoar o ouvinte.

“I'm Running” é um tipo de música que fazer um comentário não é muito fácil. O que exatamente eles quiseram aqui? Yes tocando música com toques caribenhos? Isso é uma tentativa de se mostrar progressivo? Enfim, não faço ideia de nada, mas sei que a banda aqui perdeu toda a atratividade que outras músicas têm (não pra mim, mas muita gente gosta) e ainda não recuperou o talento e desempenho de seus trabalhos anteriores. Resumindo, a pior música do disco. 

“Holy Land” é uma música que encerra o disco de maneira tão decepcionante quanto ele foi por cerca de 80%. Uma balada sem sal onde nada acontece e que dá a impressão que nem mesmo terminada ela estava, o que não faz diferença também. 

Big Generator foi um fracasso tanto do ponto de vista artístico quanto do ponto de vista comercial. A produção datada atrapalha ainda mais as coisas. Não diria que esse seja o nadir artístico da banda, mas não há nada aqui para oferecer aos fãs do clássico Yes, nada mesmo. Mas apesar disso, não é completamente descartável quando avaliado de uma perspectiva maior, de um público maior.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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