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Resenha: Egypt Station (2018)

Álbum de Paul McCartney

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Paul de volta às paradas

Autor: André Luiz Paiz

12/11/2019

Cinco anos após o lançamento de "New", seu último álbum de estúdio, Paul retorna com um novo lançamento. Depois de se aventurar com trabalhos paralelos, voltou a focar em sua carreira solo com o ótimo "Egypt Station", que lhe permitiu mais uma vez sentir o gostinho de liderar as paradas.

"Egypt Station" foi produzido por Greg Kurstin, com exceção de uma faixa do álbum ("Fuh You") e algumas bônus. O produtor é famoso por trabalhar ao lado de nomes como Beck, Adele e Foo Fighters, e teve participação chave no desenvolvimento do trabalho, que mescla tudo o que Paul fez em sua carreira, com sonoridade contemporânea.

O que temos aqui não se trata de um álbum conceitual, mas Paul gostou do nome "Egypt Station" e decidiu criar uma abordagem em que cada faixa representasse uma passagem por uma estação de trem em uma viagem criada pela imaginação do ouvinte. A capa é derivada de uma das pinturas de Paul e curiosamente demonstra bem o que encontraremos dentro do álbum: vários elementos distintos combinados.

Após a vinheta inicial, a primeira faixa é uma balada linda, densa e triste, conduzida pelo piano de Paul. "I Don't Know" é definitivamente um dos destaques. Em seguida, "Come On To Me" saiu como single aperitivo e agradou logo de cara. Tem muito de Beatles aqui em sua melodia feliz. Outro acerto.
Como as baladas acústicas não podem faltar, "Happy With You" é ótima e feliz. "Confidante" é uma declaração de Paul ao seu violão e soa um pouco mais emotiva, também com bom resultado. Ainda temos as baladas "Hand In Hand" e "Do It Now", que seguem a linha densa de "I Don't Know".
Paul sempre se aventurou no pop contemporâneo. Aqui temos bom resultado com  a pop rock "Who Cares" e "Dominoes", sendo esta última uma excelente composição. "Fuh You" é a mais pop e foge bastantes das características de Paul, podendo gerar controvérsia entre fãs. Eu até que gostei do resultado.
Agora vamos falar dos destaques e dos deslizes:
Os principais deslizes de "Egypt Station" são: "Back In Brazil", uma tentativa estranhíssima de utilizar ritmos latinos misturados com alguns dizeres em japonês. A outra é "People Want Peace", que soa como uma tentativa de repetir a mensagem de John Lennon com "Give Peace A Chance". Não deu muito certo e a faixa é descartável.
Os destaques são: "Caesar Rock". Um rock diferente e cativante, principalmente no refrão, com bom vocal de Paul. E, é claro, "Despite Repeated Warnings", uma faixa com várias progressões de temas, assim como Paul fazia nos tempos de Wings. A letra é uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O resultado é muito, muito bom.
Faltou falar também da faixa de encerramento "Hunt You Down/Naked/C-Link" um medley feito por provavelmente algumas ideias inacabadas de Paul. Começa pop, passa pro rock e termina com um blues rock mais denso. Não se destaca mas também não compromete.

Com "Egypt Station", Paul conseguiu liderar as paradas novamente pela primeira vez desde "Tug Of War", lançado em 1982. Um feito notável, principalmente por um senhor no auge dos seus 76 anos, sua idade quando o álbum foi lançado. Só nos resta agradecer e apreciar.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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