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Resenha: Thick As A Brick (1972)

Álbum de Jethro Tull

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Fundamental em qualquer coleção de prog rock.

Autor: Tiago Meneses

13/10/2017

Certo que existem muitas características que acompanham bandas que fazem rock progressivo, mas sem dúvida alguma duas das principais delas são a capacidade de fazer álbuns conceituais e de desenvolver épicos. Thick as a Brick contém ambas dessas características. 

O enredo é sobre um garoto fictício chamado Gerald “Little Milton” Bostock que escreve um poema complexo para uma competição, mas que é desqualificado pelos juízes sobre o pretexto de ter usado uma palavra que não é dita claramente em momento algum do álbum, mas que deixa subentendido que trata-se de uma expressão de 4 letras. Mas a preocupação está ligada ao poema por inteiro, com a sua moral e toda a temática forte abordada nele. Por isso decidem dar a vitória a uma garotinha de 12 anos que escreveu algo bem mais simples sobre ética cristã chamada “ele morreu pra salvar as crianças pequenas”. Enfim, a temática de Thick as a Brick gira em torno da influência negativa da sociedade sobre as pessoas, de maneira a não permitir que elas pensem por si próprias, como tentou o jovem Geral Bostock. 

Pode ser visto como um tema simples e engraçado, mas trata-se de uma sátira ferrenha sobre a hipocrisia da sociedade britânica, que muitas vezes se esconde atrás de uma falsa moral pra evitar falar de temas polêmicos que eles sabem que são verdadeiros, mas querem mantê-los na obscuridade.

Thick as a Brick também contém uma das melhores capas da história. A apresentação original do álbum é impecável. São 12 páginas simulando o St. Cleve Chronicle (um pequeno jornal da cidade), que incluem as letras, a história toda, créditos e até mesmo uma acusação de estupro contra o personagem Little Milton por uma menina mais velha.

Um álbum que é confeccionado com tamanho cuidado em todos esses aspectos, musicalmente não poderia ter um resultado final inferior a magnífico. Lindas peças acústicas medievais, tanto por parte dos violões quanto dos teclados, partes mais pesadas que nos remetem ao hard rock, influências folclóricas. Vale destacar também obviamente Ian Anderson com a sua tradicional flauta e uma maneira ímpar de interpretação vocal e belas ideias no violão. Mas sem dúvida, John Evans é a grande surpresa, os teclados são completos e carrega o peso de todo o álbum, não deixando uma nota redundante ou sons desnecessários, tudo está certo em seu devido lugar.

Martin Barre também tem participação crucial, especialmente nas partes pesadas quando sua guitarra acrescenta personalidade e força para a música. Barriemore Barlow nas baquetas é sempre rigoroso, embora ele não brilhe, executa o que é necessário para manter a seção rítmica com o baixo de Jeffrey Hammond que faz um excelente apoio.

Jethro Tull estava em seu auge aqui e confesso que eu não poderia descrever de maneira razoável que seja, 43 minutos de uma verdadeira obra-prima como esta, não de forma que faria uma justiça real.

As letras são de fato o texto do poema de Gerald "Little Milton" Bostock (que é creditado como co-autor, piada de Ian) e merecem ser ouvidas com atenção especial porque são muito complexas e tocam em assuntos muito controversos.

Enfim, Thick as a Brick é um dos trabalhos que entram no rol de discos perfeitos, se você ainda não ouviu, você está perdendo um dos álbuns mais fundamentais da história do rock progressivo e uma verdadeira obra-prima que deve ser de propriedade de todo mundo que tenha um mínimo de apreço pelo estilo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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