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Resenha: Don't Panic (2019)

Álbum de IZZ

Acessos: 61


Música progressiva de alto nível e de padrões acima da média

Autor: Tiago Meneses

05/11/2019

Antes de mais nada, eu devo admitir que IZZ nunca foi exatamente uma banda na qual eu tive uma grande intimidade, mesmo sabendo que eles podem ser considerados até mesmo um dos luminares da cena progressiva estadunidense dos últimos 20 anos. Apesar de conhecer vários de seus álbuns, nunca lhes dei a devida atenção, tanto que tirando Don’t Panic, somente The Darkened Room, de 2009, eu ouvi com o mesmo zelo. IZZ não é conhecida por fazer álbuns muito longos, no geral eles são bastante enxutos, algo que pode ser visto inclusive como uma coisa ótima, afinal, é menor a chance de perceber momentos gordurosos no disco. 

A faixa título é também a faixa de abertura, “Don't Panic”. Após alguns efeitos a banda entra completa junto de algumas vocalizações com um toque bem progressivo. A linha sinfônica direciona a banda com uma mistura de vocais masculinos e femininos e linhas de ligeiros toques de jazz. Os instrumentos quando avaliados de maneira individual são todos bem tocados e nítidos para que o ouvinte perceba tudo o que está acontecendo. As melodias são bastante cativantes. A duração da faixa é naquilo que podemos chamar de uma música padrão, pouco mais de quatro minutos, mas mesmo nesse pequeno tempo a banda consegue mostrar muito do que farão ao longo do disco. 

Agora é a hora do épico do disco intitulado, “42”, inclusive uma faixa que pode explicar muito bem qual a inspiração do álbum, principalmente se você é um fã ou mesmo conhece Douglas Adams, em especial “O Guia do Mochileiro das Galáxias”. Há uma boa construção para uma faixa pesada de guitarra e baixo suportada por efeitos corais no sintetizador. O começo instrumental é bastante alegre pelo lado do teclado e complicado em relação às linhas de baixo. Pouco antes dos quatro quatro minutos o ritmo se ameniza e tudo soa de forma moderada por um tempo, para que depois tudo ganhe novamente intensidade. Os vocais aparecem pela primeira vez, vozes femininas muito bem harmonizadas seguidas logo por vozes masculinas. Ainda sobre as vozes elas não seguem um padrão de versos e refrãos, não são nada repetitivas e soam muito melódicas. Uma passagem liderada pela guitarra é seguida por uma melodia de sintetizadores desenvolvidos muito bem pra esse estilo sinfônico de música. As mudanças instrumentais complexas seguem. Após os 10 minutos os vocais são trazidos de volta à música. Novamente as melodias mudam conforme as letras e os vocais masculino e feminino são usados de forma intercambiável, tornando a faixa muito dinâmica e do tipo que nos prende a atenção a cada segundo.  Após os quinze minutos, ouvimos um solo de órgão bastante alegre e logo em seguida um solo de guitarra com a mesma melodia e que depois se desenvolve mais. Um épico belíssimo em todos os sentidos. 

"Six String Theory" é a menor faixa do disco com pouco mais de 2 minutos. É apenas um bom solo de violão que pode ser vista como uma espécie de pausa pacífica e agradável. “Moment Of Inertia” é uma faixa instrumental que segue em um estilo suave, mas agora ao piano e que mais tarde ganha como companhia uma guitarra que dobra a sua melodia.  Uma tensão é criada pelos sintetizadores bastante atmosféricos até que uma explosão repentina da bateria traz junto dela um pesado riff de guitarra. Enquanto isso uma segunda guitarra executa um solo empolgante. Mudanças de tempos e riffs também são notórias e se substituem, afinal, enquanto a guitarra principal mantém a liga da música, os suportes instrumentais criam mudanças progressivas interessantíssimas. A complexidade e o peso que essa faixa proporciona é algo até mesmo inesperado dentro do disco, mas não deixa de ser muito bem vindo. Sei que nove minutos é um tempo interessante pra uma faixa instrumental de rock progressivo, mas "Six String Theory" ainda assim consegue deixar um gostinho de quero mais. 

A faixa que fecha o disco chama-se, “Age of Stars”, também começa de uma maneira suave, apesar de um baixo pesado. Os vocais ao entrar soam meio ameaçadores, mas logo essa sensação passa. Em seguida as coisas começam a ganhar mais progressividade e contrapontos vocais. Possui alguns bons vocais compartilhados por guitarras e sintetizadores. Ainda há tempo pra uma grande mudança da melodia e no tom, na medida em que as melodias vocais se tornam um pouco mais complexa, com cada vocalista em linhas diferentes, há em seguida um ótimo solo de sintetizador. Os vocais ainda retornam após essa parte e trabalham em um belo final de álbum. 

Don't Panic é um disco que apresenta uma música progressiva de alto nível e de padrões acima da média, excelentes melodias e mudanças de tempos complexa sempre executada com extrema inteligência. Um destaque também para as harmonias vocais que são lindas e bem definidas. Indicaria sem medo pra qualquer amante de um bom rock progressivo sinfônico.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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