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Resenha: Van Halen (1978)

Álbum de Van Halen

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Rock, mas é rock mesmo!

Autor: Fábio Arthur

05/11/2019

O Van Halen chegou em um período em que o Rock Progressivo estava meio esquecido pelo público, os grandes eruditos não tinham a mesma força de anos antes, apesar de serem realmente maravilhosos. O que ocorria era que o Punk Rock havia invadido o espaço entre muitos jovens que surgiam naquele fim de década. Some isso ao desempenho monumental do Led Zeppelin, que ainda voava alto. E nesse miolo todo, o Deep Purple havia terminado sua carreira devido a inúmeros fatores e o momento musical estava misturado e indo para várias direções. Ainda assim, na cena o Motörhead surgia como favorito entre o pessoal do rock e do punk, e a banda despontava. Já o Black Sabbath, esse vinha como uma banda tentando se encontrar novamente. O Van Halen começou a abrir shows para eles, ganhando notoriedade todas as noites em cima dos veteranos. Eddie Van Halen não foi o pioneiro do tapping a técnica peculiar de tocar com as duas mãos sob braço da guitarra, mas assim como Hendrix, inovou e muito no meio musical. Eles outrora mandavam ver em covers de outros grupos, e Gene do Kiss queria empresariá-los, mas com suas imposições sob os músicos, tudo acabou ficando sob outra perspectiva, ainda assim Gene os ajudou. O próprio Kiss em 1978, ano de lançamento de "Van Halen", trouxe um mega sucesso para as rádios e essa era também a época da Disco Music. Sim, quantos estilos buscando espaço... Mais em frente tudo daria lugar para o Heavy Metal, com bandas como o Iron Maiden, Saxon e tantas outras. Um outro grupo que se sobressaiu sobre tudo isso acabou sendo o Whitesnake de David Coverdale - ex-Deep Purple -, e assim, metendo as caras com um Blues com Rock, a banda desafiou o status musical daquele momento, vindo como uma espécie de Faces do Rod Stewart com pitadas de Howlin Wolf. Enfim, o Van Halen seria o rock pesadão paulada da vez e traria um dos maiores discos de Rock da história; sem dúvida alguma.

Ted Templeman da Warner os viu tocando e assentiu um contrato com a banda, ele, assim como Gene, previu o quanto aqueles caras eram bons e inovadores. Chegaram então na Califórnia e realizaram uma obra fundamental para o gênero com apenas 35 minutos de música. E que pegada eles trouxeram. Uma banda afiada!

Com orçamento baixo de apenas 39.500,00 dólares, conseguiram fazer um milagre musical, vide bateria bem timbrada, vocal bem na frente e audível, e o baixo de Anthony e seus backings explodindo geral e bem equalizados. Quanto a Eddie, as guitarras ficaram bem acima, o som dos riffs são pesados e bem harmonizados, sendo que mesmo na hora em que os solos são executados - e somente a bateria e baixo ficam marcando - ainda assim se tem uma ótima audição e timbragem do instrumento. Gravaram tudo em apenas três semanas.

Nesse período, abriram para o Journey também, outra banda de ponta. E por um breve período para o Montrose, cujo vocal Sammy Hagar iria substituir Roth futuramente - coisas do destino.

A primeira boa impressão de "Van Halen" é a sua arte de capa, concebida no Whisky a Go Go, em que cada músico está separado por um quadro e a foto é tão bem exposta que chama atenção até mesmo de quem não tem nada em ver com o estilo. Belíssima arte e de muito bom gosto. 

Juntamente à artwork do álbum, temos uma banda que realmente faz a diferença. David Lee Roth traz um vocal rasgado, limpo e por vezes em tons graves totalmente limpos e muito fortes. Que interprete esse cara! Um ponto acima do disco é definitivamente a voz. Eddie, o talentoso e que influenciou inúmeros caras na década seguinte, mostra que tocar guitarra é muito mais do que apenas executar acordes ou notas, o homem é furioso e, sem exagero, mostra que tem qualidades muito além do que muitos veteranos que estavam no auge naquele período - final dos setenta. Michael Anthony traz marcações incisivas e tem um backing vocal perfeito, aliás, ao vivo ele destrói sem modéstia alguma e se todas as bandas tivessem vocais de apoio como esse, seriam melhores nos palcos, pois faz muita diferença. Alex, traz sua bateria para frente, com muita força e vontade. Ele tem swing, peso e técnica de sobra. Nos concertos sempre se mostrando virtuoso e não diferente nos álbuns da banda. Em suma, o grupo chegou pronto e arrasando, ganhando fãs. Impossível não se deleitar com as faixas do petardo. E pode ouvir inteiro e sem medo de ousar no volume.

De cara o disco rendeu mais de 10 milhões nos USA e é considerado até hoje um dos mais importantes trabalhos iniciais de um grupo. O disco trouxe três singles e vídeos clipes também. 

As faixas falam por si só, mas sempre é gostosos destacar algo, então desde o início com "Runnin' with the Devil", passando pela instrumental de Eddie, a fabulosa "Eruption", o disco mostra a que veio. A cover do The Kinks, "You Really got Me", encaixou perfeitamente com o grupo , e "Ain't Talk bout Love" é fulminante de verdade. Outras são merecedoras de destaques, como: "Jamies Cryin", "Atomic Punk", "Little Dreamer" - sinta a interpretação de Roth - e o final com "On Fire" é devastador. Obviamente pode ouvir inteiro, e como sempre digo, nos fones de ouvido. 

O Van Halen depois faria outros grandes discos. Hagar seria o vocalista futuramente e levaria a banda para um nível acima, mas com Roth, o showman, a banda era perfeitamente Rock, em sua essência.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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