Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Big Generator (1987)

Álbum de Yes

Acessos: 102


Mergulhando de vez no pop

Autor: Marcel Z. Dio

02/11/2019

Quatro anos após o sucesso de 90125, o Yes chegava ao seu décimo primeiro álbum com Big Generator. Apenas uma sequência natural do antecessor, com canções enxutas e de apelo comercial, que comparado no conceito geral, perde em qualidade para 90125.
Ao contrário do que muitos pensam, Jon Anderson tinha um temperamento difícil, que ia além do seu conhecido perfeccionismo, travando batalhas com o caçula Trevor Rabin por uma volta as origens do Yes. Se ganhou a queda de braço eu não sei, mas o novo empreendimento de forma alguma apresenta um retorno ao passado. Sem contar os velhos problemas internos entre Anderson e Squire.

Mesmo com todos os conflitos, o álbum alcançou boas vendas, e algumas faixas tornaram-se hits estruturados e prazerosos de se ouvir, como "Rhythm of Love" e "Love Will Find A Way", canções com vocalizações nos moldes de "Leave It", além da ótima faixa título.
Na verdade é essa trinca de ases que segura Big Generator, não fosse por isso, eu nem estaria perdendo tempo escrevendo esse texto, e a nota seria muito abaixo.

Até aqui, tínhamos obras com refrões ganchudos, daqueles que se tornam parte do inconsciente, grudando feito cola.
Trevor se envolveu mais com o disco, dividindo bem os vocais com Jon Anderson, criando belíssimas harmonias de guitarra, em musicas que a primeira vista não pareciam tão relevantes, como é o caso de "Shoot High Aim Low".
"Almost Like Love" tem indícios de ELP (fase Cozy Powell) empolgando somente até a segunda pagina.
Na introdução de "Runnin" temos um ótimo solo de Chris Squire em variante de Rumba, pois é ... estranho misturar um ritmo tão nada a ver com a história do Yes. Lembra também passagens do Spyro Gyra, pelo timbre de vibrafone.
De resto, Big Generator não apresenta inovações, algumas são tão fracas, que caberiam no medonho City Of Angels de Jon Anderson, como a mornas "Holy Lamb" e "Final Eyes".

Big Generation merece no máximo uma nota 6,5 ou 7. Nada mal, se considerarmos que a maioria dos medalhões progressivos já estavam em férias permanente, e o Yes conseguiu achar uma brecha no concorrido mercado da "nova" década, que tinha no pop seu diamante rentável.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: