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Resenha: When All the Heroes Are Dead (2019)

Álbum de Vision Divine

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Uma visão divina dos heróis mortos

Autor: Diógenes Ferreira

02/11/2019

Surgido como um projeto do guitarrista italiano Carlo Magnani, mais conhecido como Olaf Thorsen, o Vision Divine chegou metendo o pé na porta no final dos anos 90. Olaf ao lado de seu amigo Fabio Lione, onde ambos tocaram juntos no Labÿrinth, fizeram com que o Vision Divine tomasse maiores proporções e acabou vingando como banda, já completando 20 anos de carreira. Os dois primeiros álbuns, Vision Divine (1999) e Send Me An Angel (2001) com Lione nos vocais foram marcantes e abriram caminho para Olaf apostar na continuidade do Vision Divine mesmo com a saída de seu renomado vocalista. Olaf na época, buscou na figura de Michelle Luppi (ex-Secret Sphere) um substituto que embora não estivesse no mesmo patamar de Fabio Lione, possuia talento e competência de sobra para também se destacar e continuar mantendo o Vision Divine em evidência. Então vieram os ótimos álbuns Stream of Consciousness (2004), The Perfect Machine (2005) e The 25th Hour (2007) que traziam o Vision Divine praticando seu característico e técnico Power Metal mas agora com pitadas de Hard e Prog. Em 2009 voltaram a ter Lione nos vocais no álbum 9 Degrees West of The Moon e também no álbum seguinte Destination Set To Nowhere (2012). Agora a banda retorna com um novo álbum e mais um novo vocalista já que Fabio Lione está efetivado no Angra, então eis que Olaf nos apresenta nesse novo disco o vocalista Ivan Gianinni e também uma atração de peso nas baquetas com a entrada do renomado Mike Terrana (Metalium, Artension, Masterplan, Rage, Yngwie Malmesteen, Axel Rudi Pell), uma verdadeira máquina de tocar bateria, dando um novo gás no Vision Divine com esse novo álbum When All The Heroes Are Dead, que acaba de sair do forno.

O disco começa com uma introdução épica chamada “Insurgent” que prepara o terreno para a maestria musical do grupo em “The 26th Machine” já como single e vídeo presente nas plataformas digitais, mostrando a faceta atual do VD com mais pegada na cozinha e as vocalizações de Gianinni que acompanham a variação rítmica da banda, indo do mais clássico ao prog/power com total desenvoltura. “3 Men Walk On The Moon” é mais um single, essa com lyric vídeo disponível e que traz o Power Metal melódico característico da banda, mas aqui com uma temática que fala sobre a tripulação da Apollo 11 formada pelos três primeiros homens à pisarem na lua (os astronautas Neil A. Armstrong, Michael Collins, Edwin E. Aldrin Jr.). “Fall From Grace” vem com a bateria de Mr. Terrana na cara, imprimindo um certo peso à canção junto com os riffs da dupla de guitarras Olaf Thorsen e Federico Puleri, até chegarmos ao refrão melódico e os teclados de Alessio Lucatti que dão aquele clima. E por falar em teclados, a próxima faixa “Were I God” é introduzida por uma bela melodia de Alessio e que deixa a faixa mais sinuosa para a banda injetar um pouco de Melodic Rock. “Now That All The Heroes Are Dead” volta ao Power com fritação de guitarras, duelos intercalados com os teclados e tudo mais que o estilo pede. “While The Sun Is Turning Black” vem em forma de balada para conter o ritmo do álbum e também servir de demonstração do alcance vocal de Ivan Gianinni, que mostra um timbre e afinação interessantes nessa faixa. “The King Of The Sky” começa disparando armas e depois dispara os bumbos de Terrana com sua precisão habitual, sendo essa a faixa mais Power/Speed do álbum, com velocidade e riffs intensos. “On the Ides of March” é a minha favorita de todo o disco, com uma pegada Prog e melodias intrincadas de muito bom gosto, até chegar no refrão acelerado repentinamente e com uma cama de riff e teclado muito bem encaixada depois do solo. A faixa “300” (subjetivamente baseada na Batalha das Termópilas) vem mais pesada, mas novamente com vocalizações que chamam atenção para o talento de Gianinni, provando que apesar de desconhecido do grande público, sua escolha foi acertada. O álbum encerra com a climática “The Nihil Propaganda” com Alessio ao piano inserindo um clima mais clássico, finalizando de forma épica, com direito a narrativas que complementam a parte lírica da obra.

Em resumo, o Vision Divine inicia uma nova fase, com um novo vocalista que não compromete e se mostra coeso, uma cozinha com maior pegada com o monstro Terrana, um álbum que se não equipara aos melhores momentos do grupo com aquelas músicas que “pegam” de cara, mas aponta uma regularidade e uma banda se entrosando de forma positiva, que poderá render bons frutos. Falar da qualidade dos músicos envolvidos e da representatividade que o Vision Divine já atingiu no cenário é chover no molhado. Olaf sempre vai despertar interesse naqueles que conhecem seu trabalho já desde sua banda anterior (o grande Labÿrinth) e acompanham o VD desde os primórdios, pois trata-se de um guitarrista acima da média, com técnica e feeling apuradíssimos, além de sempre ter se mostrado um bom compositor. Um bom retorno do Vision Divine após um período de hiato. Ótimo disco!


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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