Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Obscured By Clouds (1972)

Álbum de Pink Floyd

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Para fãs incondicionais à ouvintes casuais

Autor: Tiago Meneses

31/10/2019

Sempre disse que considero Obscured by Clouds sem dúvida alguma o álbum mais subestimado (no sentido de nunca ser lembrado) da discografia da banda. Estou certo? Talvez até não, mas é o que vejo. Assim como More, Obscured by Cloud também é um disco de trilha sonora para um filme. Inclusive, comparando com os outros discos de trilha, Obscured...é indiscutivelmente o melhor. Não é tão experimental quanto More, nem é difícil de ouvir como Zabriskie Point, mas contém músicas incríveis que seriam muito acessíveis ao público em geral e - surpreendentemente - provavelmente também atrairiam pessoas que estão interessadas em músicas mais complexas. Em poucas palavras, é um álbum "para todos" apreciarem.

“Obscured by Clouds” é a faixa que dá início ao disco. Totalmente instrumental, começa com um sintetizador solitário e em seguida entra a bateria que ecoa constantemente. Algumas pinceladas de guitarra também ornamentam a música. O baixo apenas marca bem a sua parte. No geral é uma música meio sombria. 

“When You're In” é mais uma faixa instrumental. Considero mais musical e menos “barulhenta” que a anterior. Apesar de repetitiva, seu tamanho curto não a deixa perder sua atratividade. Melodia simples, com a bateria e baixo espessos e aquela guitarra esbelta tão conhecida e eficaz. 

“Burning Bridges” é uma das músicas mais lindas de todo o catálogo do grupo. Sempre tive a impressão que ela soa um pouco como “A Whiter Shade of Pale” do Procol Harum. É baseada em órgão (mas claro, sem deixar de ter seu momento onde a guitarra se sobressai). Destaque para o dueto vocal de Wright e Gilmour, algo que só me reforça a ideia que isso deveria ter acontecido mais vezes, pois é sensacional. 

“The Gold It's In The ...” é a segunda música mais rock and roll do Pink Floyd, fica atrás apenas de “Nile Song”, mas considero “The Gold It's In The...” bem mais interessante, mais otimista e cativante. É um pouco mais suave, embora até mesmo a bateria tenha certa semelhança. O trabalho de guitarra é impressionante, apesar de menos limpo, ainda que nesse caso muito provável que tenha ficado assim de proposito. 

“Wot's ... Uh The Deal” é um dos momentos mais suaves e melancólicos do disco. Gilmour além do seu inquestionável talento na guitarra, pra mim tem uma das vozes mais bonitas de todo o rock. Baseada em piano e guitarra, possui tanto solo de Wright quanto de Gilmour cada um muito bem encaixado na melodia. Daquele tipo de música que nos traz uma paz. 

“Mudmen” assim que começa lembramos o tema central de “Burning Bridges”, mas com um piano ao invés de órgão (ao menos inicialmente), um ritmo mais lento e uma levada mais solta, digamos assim. Algumas vezes a bateria fica mais enérgica e outros momentos há uma explosão de órgão e guitarra. 

“Childhood's End” foi composta completamente por David Gilmour. Começa muito suavemente com um sintetizador, mas se transforma em uma jam muito legal com algumas batidas que faz o ouvinte lembrar do que eles ainda iriam fazer em “Time”. A música é baseada principalmente em uma alta explosão de órgão, que é seguida pela voz sempre bela de David. Destaque também pra mais um breve, mas sempre bem feito solo de guitarra. A melodia como um todo é cativante. 

“Free Four“ infelizmente é daquelas músicas que queimam o filme do álbum por não ter nenhum pouco da qualidade das faixas apresentadas até aqui. Uma música pop alegre (mesmo de letras sombrias) que é envolvida em palmas. Aquele som meio de zangão de guitarra da primeira faixa está de volta e apenas contribui para a qualidade irritante da música. Sinceramente costumo sempre pular essa faixa. 

“Stay” vem pra tirar a má impressão deixada pela faixa anterior. A voz suave de Wright encaixa como uma luva na música. Wright não escreveu tantas músicas assim pra banda, mas arriscaria que essa aqui seja a melhor delas (contrariando a maioria que prefere “Summer ’68” do disco Atom Heart Mother). O foco aqui é maior no piano, mas dando sempre um espaço pra guitarra fazer pequenos desfiles. 

“Absolutely Curtains” é a faixa que encerra o disco. Já cheguei ouvir que se trata de uma espécie de “A Saurceful of Secrets” só que melhorada. Não espere nenhum tipo de jam ou qualquer coisa parecida, trata-se de apenas de uma parte atmosférica que, como foi dito por Waters na época, “pode significar qualquer coisa”. A ideia aqui é simplesmente fechar os olhos e imaginar vários tipos de imagem. A música por fim é tomada por uns cantos que inicialmente são bem legais, mas depois acho que ficam longos demais. 

Obscured by Clouds não é tão popular quanto os álbuns mais clássicos do Pink Floyd, mas, de qualquer forma, é um trabalho repleto de muitas composições excelentes e performances fortes e eficazes. Dito isso, o que um ouvinte ia querer mais?

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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