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Resenha: No More Tears (1991)

Álbum de Ozzy Osbourne

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Entrando com tudo na década de noventa

Autor: André Luiz Paiz

30/10/2019

Três anos se passaram após o lançamento do ótimo "No Rest For The Wicked", que agora tinha nas guitarras Zakk Wylde. É um álbum que gosto bastante, embora seja também o primeiro de Ozzy a ter dividido opiniões, por contar com algumas faixas abaixo da média. Após o lançamento dele, o Madman excursionou, lançou a coletânea "Best Of Ozz", o ao vivo "Just Say Ozzy" - único com Geezer Butler em carreira solo - e adentrou à década de noventa pronto para produzir um novo lançamento.

Estávamos em fase de transição, em que o hard rock e o glam passariam em breve a ceder o seu lugar sob os holofotes para o grunge. Pouco antes, as bandas começavam a sair da era do eletrônico e dos sintetizadores para agora focar em novas propostas musicais e visuais, sendo a principal delas: a TV. Os fãs não queriam mais apenas ouvir, queriam ver, assim, grandes como a MTV bombavam produzindo vídeos e mais vídeos para promover visualmente os artistas da cena. Metallica, Aerosmith, Guns e até mesmo o Maiden entraram nessa. Consolidava-se também a era do CD, com foco no visual, produção e álbuns contendo mais faixas.
No meio de tudo isso, o Black Sabbath estava novamente para mudar a sua formação, promovendo o retorno do mestre Dio para lançamento de "Dehumanizer", e Ozzy, chegava com "No More Tears".

O sexto álbum de estúdio de Ozzy é um dos mais pesados e enérgicos da sua carreira, além de mostrar claramente a transição sonora da década de oitenta para a de noventa que já mencionei. A formação continuou a mesma de "No Rest For The Wicked", com Ozzy, Zakk, Bob Dailey, Randy Castillo e John Sinclair. Trata-se do segundo álbum mais vendido de Ozzy na América e venceu até um Grammy, com a faixa "I Don't Want to Change the World". Resumidamente, um grande acerto na carreira do Madman.

O álbum possui 11 faixas e começa quebrando tudo com a excelente "Mr. Tinkertrain", seguida da já mencionada vencedora do Grammy. Duas grandes faixas da carreira de Ozzy. Em seguida, a faixa que Lemmy (Motorhead) ganhou mais dinheiro em sua carreira, a bela e melódica balada "Mama, I'm Coming Home". Sim, o compositor de alguns dos clássicos do heavy metal contribuiu para a composição desta balada.
Continuando, temos agora quatro grandes faixas: "Desire", extremamente pegajosa; "No More Tears", densa e melódica, com ótimo riff de Mike Inez (baixista); e as faixas "S.I.N." e "Hellraiser", que nos remetem à década anterior.
Para acalmar os ânimos, a balada "Time After Time" também soa bem, embora com menos destaque. Sem dar tempo para a peteca cair, "Zombie Stomp" e "A.V.H." resgatam o ouvinte com bastante energia e ótimos riffs de guitarra.
Por fim, encerramos com a balada "Road To Nowhere". Ótima faixa, que poderia ter figurado no tracklist apenas com "Mama, I'm Coming Home", deixando "Time After Time" de fora.

A minha versão é remasterizada e possui duas faixas bônus: "Don't Blame Me" e "Party With The Animals", que também são legais e realmente não competem com as que entraram para a versão original.

"No More Tears" foi um sucesso comercial e certamente figura como um dos melhores da carreira do Madman.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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