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Resenha: The Tide, The Thief & River's End (2013)

Álbum de Caligula's Horse

Acessos: 91


Metal progressivo/alternativo sólido de ponta a ponta

Autor: Tiago Meneses

30/10/2019

Se eu for pegar as bandas de metal progressivo surgidas nessa última década e que produziram discos de altíssimo nível, a surpreendente Austrália seria de onde eu mais extrairia essas bandas e discos. Caligula’s Horse faz um metal progressivo extremamente sofisticado através de dosagens exatas em sua amalgama de influências. Possuem o peso estrondoso da Peryphery, a delicadeza e sensibilidade emocional do Pain of Salvation, a seção rítmica sempre de bom gosto da Porcupine Tree e até mesmo a engenhosidade harmônica vista, por exemplo, na clássica Steely Dan. 

Apesar de gostar de todos os trabalhos, The Tide, The Thief and River's End é certamente o disco que mais me agrada.  Uma música progressiva envolta em um cobertor de vocais excelentes, composição cativante e produção impecável. 

“A Gift To Afterthought” é a faixa de abertura. Já começa com uma boa agressividade que de certa forma é uma marca registrada da banda nesse tipo de música. Em termos vocais, o ouvinte pode perceber a semelhança com o Tool, mas o som da banda é mais orientado para as músicas e há mais ênfase nas melodias e no uso do falsete para melhorar isso. No geral um excelente cartão de visita tanto da ótica instrumental quanto vocal. Excelente e empolgante faixa. 

“Water's Edge” inicialmente possui um ar meio oriental através de um delicado trabalho que varia entre guitarra acústica e elétrica. Novamente a jornada é adornada pelos falsetes de Jim Grey que fazem com que percebamos com clareza a sua dinâmica de tenor. Por volta de quando chega em 2/3 de música a faixa ganha mais agressividade e assim permanece até chegar ao seu fim.  Em alguns momentos nota-se uma influência leve em Opeth. 

“Atlas” tem um início extremamente suave e quase comercial, mas então que a banda mistura a essa sutileza um riff na linha djent para apimentar as coisas. Mesmo assim em alguns momentos é extremamente perceptível que se trata de uma faixa compatível com a rádio. O refrão é agradável e cativante. Admito que inicialmente não me pegou, mas com o tempo passei a gostar bastante dela. 

“Into the White” é um dos melhores momentos do disco. Belíssimas guitarras acústicas, um baixo melódico e muito gracioso em linhas que podemos imaginar Pete Trewavas fazendo (pois o estilo lembrou), a bateria cria um clima maravilhoso, o acréscimo de flauta e clarinete também ajudam nesse ar muitas vezes quase pastoral. A guitarra quando acionada nas partes mais enérgica também merecem uma citação, enfim, uma música maravilhosa. 

“Old Cracks In New Earth” é basicamente uma faixa instrumental (digo basicamente porque tem algumas falas no final). Possui um começo pesado, mas mostrando também umas nuances jazzísticas mais suaves através de um trabalho fluido de guitarra. Uma faixa que possui tudo de bom que se encontra durante todo o álbum. A cozinha é bastante sólida e o trabalho de guitarra cheio de fragmentos e vibratos e sensações arrepiante. 

“Dark Hair Down” é com certeza a faixa que as pessoas podem estar mais familiarizadas, afinal, foi o single principal do disco com direito a um vídeo clipe bastante visto pelo mundo. É a música mais direta e reta em termos de estrutura e dinâmica. Tem um refrão forte e do tipo que pode grudar na cabeça. Talvez o mais próximo de algo pop encontrado no disco, mas ainda assim, muito bom. 

“Thief” é a música mais curta do álbum, uma peça acústica muito bela e que serve também como um interlúdio que leva para a última faixa do disco. “All Is Quiet By The Wall” é uma das músicas mais pesadas do álbum. Já começa com um riff matador e em seguida apresenta um solo sombrio e de bastante técnica. Os grooves, a delicadeza instrumental misturada a linhas mais efusivas, vocal poderoso, tudo isso e mais um pouco faz com que o disco termine da mesma maneira que começou e se desenvolveu, ou seja, sem nenhuma falha relevante. 

Como definir em algumas poucas palavras? Eu diria que a Caligula's Horse nesse disco conseguiu compor músicas modernas e surpreendentes com bastante rock clássico e elementos de metal progressivo reunidos em uma coleção perfeitamente coerente de faixas.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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