Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Creatures Of The Night (1982)

Álbum de Kiss

Acessos: 137


Flertando com o heavy metal

Autor: Fábio Arthur

29/10/2019

O primeiro disco de rock que ouvi fora justamente esse: "Creatures of the Night", álbum que marcou uma mudança na minha cabeça e me fez ir atrás de todas as outras bandas de rock/metal existentes e que estivessem ao meu alcance.

Em 13 de outubro de 1982, o grupo americano lançava essa pérola. Um long play controverso. Sim, pois, outrora o Kiss se valia de um rock a lá The Beatles, com distorções e mais pesado. Após esse período, eles flertaram abertamente com a Disco Music - e com um certo sucesso -, depois fizeram uma tentativa de Ópera Rock, o que desgastou o grupo e os fãs. E mediante tudo isso, resolveram modificar sua veia musical, mergulhando no Rock/Heavy oitentista. São 38 minutos entre dois estilos amados dos anos 80, como já dito, o rock pesado e o heavy, aliando isso a um Hard bem definido. 

O Kiss estava em uma fase de que a Casablanca Records queria ver algo como no passado, hits de sucesso, público fiel e venda de ingressos consistentes. Nessa loucura toda, chegaram a vir para o Brasil e fizeram os últimos shows da tour, inclusive, naquele momento os últimos momentos com a famosa pintura facial que a banda ostentava desde seu início. Ainda assim, as vendas foram pequenas de ingressos e de discos, o público americano não recebeu bem a banda e por aqui alguns shows foram cancelados. Na Europa o Kiss vinha se sustentando de forma singela e, no Japão, o grupo era tido como referência. Mas qual seria o problema então? Simples, eles se reinventaram tanto que perderam a fórmula exata e ficaram de certa forma ultrapassados. Sem os integrantes originais, também estava difícil de seguir com a mesma linha. Ace ficou para gravação de vídeo clipe, para fotos de capa - aliás que arte fenomenal - mas já estava fora do grupo fazia tempo. Eric Carr (R.I.P.), pelo menos agora detinha condições de mostrar que era um mega baterista nessa etapa da banda. Paul e Gene tinham que se virar para compor e resgatar a dignidade frágil do momento. Mas, a banda se valeu de ajuda para seguir em frente, trouxeram até mesmo o cantor Bryan Adams, que deixou duas faixas maravilhosas nas mãos do grupo. E dá-lhe ajuda extra no estúdio: Bob Kulick, Vinnie Vincent - que viria ser parte da banda pouco depois- Steve Farris e o talentoso Jim Vallence (Scorpions), entre outros. Tudo para trazer o Kiss de volta à vida.

Realmente creio eu ser esse um dos melhores discos do grupo dentro do cenário anos 80, aliás ele trouxe um posicionamento único e diferenciado nessa fase. Infelizmente a situação ainda assim se fez precária e a banda por pouco não despencou de vez de seu trono de grande banda. 

O disco mostra com clareza uma gama de ótimas canções: "I Love It Loud" considerando seu vídeo famoso e sua pegada pesada, traz um refrão ótimo, uma letra simples e um apelo do qual foi chamada pelos críticos americanos de "última boa canção de Gene nos anos oitenta", e assim a música ajudou e muito, inclusive fazendo com que o álbum rendesse no nosso país o Disco de Ouro. "Killers" é uma canção ríspida, Hard e regada ao tom metálico de época, denominada de rock pauleira por tantos. A abertura com "Creatures of the Night" é perfeita e mostra uma bela vocalização de Paul. Em outros pontos o disco segue furioso, como em "Saint and Sinner" também, com Gene no vocal e outra do mesmo, "Rock and Roll Hell". A balada forte "Still Love You" vem complementar o nível ambicioso do petardo e "War Machine" traz mais um deleite no repertório. 

Hoje em dia se você perguntar aos fãs da banda o que eles destacam na discografia, certamente metade deles dirá que esse é um dos preferidos. 

A banda trouxe nesse período uma mudança significativa e muito além do seu passado glorioso. Esse é mais um disco importante e que impera dentre os clássico dignos do rock. Certamente!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: