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Resenha: Duke (1980)

Álbum de Genesis

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Mais um passo rumo ao rompimento com o passado

Autor: Tiago Meneses

28/10/2019

Para muitos, aqui foi onde o Genesis de fato encerrou suas atividades na música progressiva, ainda que outros marquem essa linha do fim em discos anteriores. Duke é o segundo disco da banda na formação de trio. Não tem como negar que se trata de um disco em que seu desenvolvimento é calcado em um pop rock mais acessível. Isso quer dizer que não existe nada de progressivo no álbum? Bom, não é isso, mas a quantidade desses elementos foi diminuída drasticamente. Em um olhar mais atento, Duke parece ser um disco dividido em duas partes principais, a primeira contendo suas seis primeiras faixas e que foi composta por todos os membros em conjunto, inclusive, há quem diga que cada uma delas junta formariam uma única música. Porém não existe uma confirmação de nada disso e nenhum membro da banda algum dia comentou sobre existir nessas seis faixas um conceito subjacente. A outra metade do álbum é composta por meia dúzia de músicas escritas de maneira individual pelos membros da banda. Em relação às faixas não quero e creio que nem precisa adentrar nelas com muito detalhe, uma passagem superficial já é o bastante. 

O disco se inicia através da faixa "Behind the Lines". Tem um ótimo começo progressivo, se as coisas permanecessem assim seria ótimo, mas depois a música entra em um ritmo pop. É uma música que até que tem uns bons momentos, mas nada demais. 

"Duchess” é basicamente mais uma música pop trazendo também algumas influências progressivas. De certa forma representa mais um momento que considero bom no álbum. Achei válido e interessante à intenção de mesclar a música progressiva com o pop. 

“Guide Vocal” com seus pouco mais de um minuto e meio é a menor faixa do álbum. Trata-se de uma balada muito bonita e melancólica, que nos dá um breve e agradável momento musical. 

"Man of Our Times" é uma música que parece mais influenciada pela nova onda sonora do momento do que pela música progressiva. É uma boa composição? Sim, nada de impactante, mas ao menos bem equilibrada e agradável. 

"Misunderstanding" é uma música claramente pop e também uma das mais bem produzidas do álbum. Ao ouvi-la dá impressão de Phill tê-la feito pra ser lançada no disco Face Value (álbum solo de Collins de 1981), mas de última hora decidiu inclui-la em Duke. Com isso a vejo como uma excelente peça para o Face Value, porém, um pop meio insosso pra um disco do Genesis. 

"Heathaze" é uma das minhas músicas favoritas do álbum. Sempre achei que essa é uma música subestimada e que merecia fazer parte de algum álbum melhor da banda. É uma balada muito bonita na veia do que costuma fazer Banks. Sem dúvida um dos melhores momentos musicais do álbum. 

"Turn it on Again" é a música mais pop rock do álbum, digamos assim. Foi um dos maiores sucessos da banda e figurinha mais do que carimbada em todos os concertos do grupo. No geral é uma boa música. 

"Alone Tonight" mostra que se por um lado a banda consegue fazer uma balada muito bonita como "Heathaze", também consegue ir na contramão disso e através de uma balada produzir um dos piores momentos do álbum. Sem mais. 

"Cul-De-Sac" a princípio mostra-se uma música interessante, inclusive trazendo algumas influências progressivas, além de soar agradável e melódica. Mas a minha primeira impressão com ela não ficou e com o tempo comecei a acha-la sem graça. 

“Please Don't Ask" é mais um momento do álbum que sinceramente, considero bastante esquecível. Uma balada pop, lenta e extremamente arrastada. A mais fraca de todo o álbum? É uma forte candidata. 

As duas últimas faixas do álbum eu gosto de ouvi-las sempre juntas, então posso fazer o mesmo na hora de avalia-las. "Duke's Travels" e "Duke's End" são realmente os momentos verdadeiramente progressivos do álbum. Essa faixa é tão fantástica que nos faz lembrar até mesmo do velho Genesis. Uma pena mesmo é que algo tão grandioso assim ocupe tão pouco do disco. Ainda assim, é melhor do que nada. 

Bom, eu acho que a banda procurou fazer algo diferente, de alguma forma romper com o passado. Talvez eles não tivessem naquele momento ainda a coragem ou não pudessem cortar completamente seu passado. Com isso, o resultado final é um álbum indefinido, mas assim como também ocorreu em ...And Then There Were Three, tem seus momentos. Na média o álbum é bom, não mais nem menos que isso.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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