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Resenha: Purple (1994)

Álbum de Stone Temple Pilots

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Mantendo a pegada do sucesso

Por: Vitor Sobreira

24/10/2019

O sucesso às vezes é algo que não tem explicação, principalmente no mundo das artes. Em termos musicais, várias bandas conseguiram a façanha da imortalidade, sendo lembradas após décadas do lançamento de seus trabalhos e certamente ainda serão por muitos e muitos anos. Ainda que tenha surgido em 1985, foi apenas no começo dos anos 90 que o Stone Temple Pilots sentiu o gosto do tão almejado sucesso.

Após o debut ‘Core’ (1992) – que simplesmente está na lista de 200 álbuns definitivos no Rock’n’Roll Hall of Fame -, presenciando a queda do império do Hard Rock e a expansão das tendências com ênfase em sons alternativos, a banda lançaria o seu segundo disco em 07 de junho de 1994, pela Atlantic Records. Com o título ‘Purple’, o trabalho manteve o índice de sucesso, permanecendo por três semanas na primeira posição do chart Billboard 200 e obviamente, vendendo milhões de cópias.

Vamos deixar claro o seguinte: a sonoridade alternativa ou mesmo grunge nunca conseguiu atrair muito a minha atenção – salvo algumas boas composições do Nirvana (eu poderia citar Alice in Chains também, mas creio que eles foram além desses rótulos) -, por isso, estar diante de um dito clássico dessa banda, vai ser mais uma aventura para mim (que ainda por cima, estou quebrando o gelo de algumas semanas sem ter digitado uma única frase sequer). Depois disso, vamos ao que interessa.

Se você está esperando algo energético logo na entrada, pode acender um cigarro e sentar na beira da calçada, pois “Meatplow” não vai te deixar mais feliz com sua carga sonora carregada. Após quase 30 segundos de alguns ruídos, temos uma agradável surpresa com a curta “Vasoline”, que conta com uma levada mais solta, até um pouco mais animada e com algumas batidas percussivas, poderia perfeitamente ter ficado no lugar da anterior. “Lounge Fly” é mais climática, quase ritualística pela atenção na percussão e que parece funcionar melhor se ouvida à noite. Aliás, o álbum em si não parece combinar muito com a luz do dia…

“Interstate Love Song” não acrescenta em nada na audição, mas em contra partida “Still Remains” supre a falta de criatividade da composição anterior com muita inspiração e feelin’ – é sentimento mesmo, nada forçado do tipo “ai mamãe, eu estou tão tristinho”. A falta de um bom violão já estava fazendo falta, mas como num passe de mágica surge a agradabilíssima “Pretty Penny”, que por sua simplicidade e por ser diferente das demais, já vale a audição!

Quando o guitarrista acerta a mão nos riffs, não tem coisa melhor, não é mesmo? Pois é, em “Silvergun Superman” isso acontece, imprimindo um peso natural em contrapartida aos vocais bem interpretados. “Big Empaty” mantém o clima denso, enquanto que a energia e um clima mais “pra cima” retornam com força em “Unglued” – que deve ter animado muitas festas pelos anos 90 a fora – e “Army Ants”, esta com uma interpretação vocal muita boa e um solo de guitarra bem bacana. Pois é, parece que o melhor foi deixado para a reta final…

“Kitchenware & Candybars” encerra o segundo álbum do Stone Temple Pilots, mas com uma peculiaridade: contém uma faixa escondida chamada “My Second Album”, que na verdade é uma paródia inspirada nas músicas do cantor Johnny Mathis, e que diga-se de passagem, ficou muito boa!

Enfim, mais uma audição curiosa, que me apresentou destaques imediatos e composições que precisarão de novas conferidas para serem melhor entendidas. O álbum está aí há 25 anos… E nunca se é tarde demais para conhecer algo novo!

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