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Resenha: Spartacus (1975)

Álbum de Triumvirat

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Triumvirat em seu álbum definitivo

Por: Marcel Z. Dio

19/10/2019

A multiplicidade do rock progressivo fez a geração dos anos 70 saborear sons de variadas formas no comparativo entre bandas. Tirando alguns filhos bastardos do Yes e Gênesis, os grupos considerados serie A do Prog, eram facilmente identificáveis, e é precisamente na mão contrária que entra o alemão Triumvirat (pronuncia-se Traiunvirê). A comparação com Emerson Lake & Palmer é inevitável, com ênfase nos teclados de Jūrgen Fritz. Pois bem, é até saudável tal equiparação, então, quem curte ELP pode ouvir Triumvirat, se esbaldar e encontrar peculiaridades no som dos alemães, como o charme do sotaque chucrute.

Numa discografia curta e queimada com os derradeiros e fracassados A La Carte e Russia Roulette, Spartacus ganha o troféu de grande clássico. Agradável de cabo a rabo e mais direto que o antecessor, ainda conceitual, ampliando o que foi feito em Mediterran Tales, dessa vez narrando de forma cronológica a história do escravo e gladiador romano Espártaco.

De inicio, a curta instrumental The Capital of Power tem o som centrado na insanidade dos teclados sobre uma cozinha de precisão cirúrgica. Assim School of Instant (suíte dividida em 4 etapas) usa a mesma ideia harmônica da abertura desenvolvida agora sobre pianos e vocais calmos na primeira parte. Podemos largar o estigma ELP e ver uma boa influência de Genesis na condução e vocal. As demais etapas recebem boa dose de intensidade, deixando o piano e o clima tranquilo para apostar em solos de moog e bateria.

O ritmo alegre e discrepante em Walls of Doom, deixa a canção caricata, aspecto que vai se apagando conforme ganha dramaticidade, além de ser uma curta masterclass de Hans Bathelt, um baterista com B de Brilhante.

Basicamente construída sobre violão piano e voz, The Deadly Dream of Freedom é um espetáculo a parte, com cadência e bom gosto, mostrando que o prog dos anos 70 funcionava com excelência quando feito com simplicidade.

Sob o olhar atual, The Hazy Shades of Dawn pode pintar como pieguice em estado puro, pelo fanfarrão ritmo marcial ou timbre de Atari reverberado, no entanto, o desconto tem que ser dado pelo timbre bastante usual a época.

Passando pela imponente instrumental Burning Sword of Capua, caímos de cara na acústica de The Sweetest Sound of Liberty, novamente jogando a favor da simplicidade em outra balada merecedora de estar em qualquer Best Of do Triumvirat.
E por falar em Best Of, The March To The Eternal City' merece seu lugar lá, não só como a melhor canção do grupo e sim um hino do rock progressivo de todos os tempos.
Desse modo The March Eternal City ganha temperos de angustia com densa introdução de Jūrgen Fritz , passando pelo tradicional padrão Triumvirat de piano voz, entremeando essas partes com maestria. O terceiro movimento é a virada épica, com baixo e bateria na linha de frente. Um solo de moog faz a ponte entre a volta minimalista do teclado preliminar, seguido do finalizante canto traduzido abaixo :

"Em seus caminhos vão tão confiantes
Eles carregam mísseis e lanças
O desespero desapareceu
E a vitória está próxima"

A caótica faixa título fecha o bolachão apostando em temas mais complexos, repetindo poucas partes durante o mesmo, a exceção dos refrães, um retorno a Illusions on a Double Dimple.
Enfim, Spartacus é item obrigatório para se conhecer a época de ouro da música.

Nota 10

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