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Resenha: Marsbéli Krónikák II (The Martian Chronicles II) (2014)

Álbum de Solaris

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Um disco onde a cada minuto acontece algo novo e adorável

Por: Tiago Meneses

19/10/2019

Após trinta anos do lançamento do seu maior clássico, será que a Solaris conseguiria o mesmo alto nível caso quisesse se aventurar em uma parte dois dele? Bom, imaginar uma sequência para Martian Chronicles três décadas depois é bem complicado e confesso que na época antes de ouvir esse disco pela primeira vez eu estava bastante pé no chão, melhor dizendo, descrente de que algo bom viria. Porém, minha preocupação era à toa, pois Martian Chronicles II conseguiu recuperar a magia da sua obra-prima. Não posso deixar de destacar que manter quase a mesma formação ajuda, ainda mais quando no meio tem os extraordinários Robert Erdesz e Attila Kollar. 

O álbum começa através de ”Marsbéli Krónikák - 1. Tetel”, uma abertura pomposa e brilhante, com Robert Erdesz criando uma atmosfera mágica, aprimorada pela flauta agressiva de Attila e pelos belos coros. O som folclórico meio Europa Ocidental é perfeito para capturar o mistério envolvido no conceito, e os solos de guitarra de Csaba Bogdan (que também estava presente na primeira parte do álbum trinta anos atrás) são fortes e de um peso suficiente para capturar o interesse do ouvinte.

“Marsbéli Krónikák II - 2-6. Tetel” é um épico de 12 minutos em que a banda retorna às suas raízes com aquela maravilhosa atmosfera do Leste Europeu, mas desta vez com a voz de Zsuzsa Ullmann e uma magnífica passagem de violino, que combinada com a incrível seção rítmica prende o ouvinte na magia característica da banda. Na parte dois, Erdesz adiciona seus teclados para torná-lo mais intrigante (se é que isso é possível), mas um solo pesado de guitarra de Csaba Bogdan nos faz lembrar que a obra é de rock progressivo.

“Marsbéli Krónikák - 7. Tetel” é onde certamente me pegaram de surpresa, porque depois de uma bela introdução de violão e baixo, eles mudam sua sonoridade típica húngara para algum tipo de Space Rock com clara influência de "A Great Gig in the Sky". Não é uma cópia, claro, mas foi obviamente inspirada no Pink Floyd.

“Hangok A Multbol Tetel - 1-2” é a única faixa em que as duas partes são claramente diferentes, a primeira é basicamente uma coleção de sons criados por Erdesz em uma melodia hipnótica, mas na parte 2 a banda se move para uma linha mais eletrônica com um violão que cria um delicioso choque de estilos. E para torná-la mais complexa, Attilla Kollar acrescenta uma flauta matadora. O final é pomposo e excessivo bem ao estilo do rock progressivo sinfônico. 

“A Vilag Nelkulunk” representa um dos melhores esforços da banda no disco. Mesmo que os músicos tenham a chance de mostrarem suas destrezas em várias passagens, trata-se de uma bela melodia que flui suavemente do começo ao fim com algumas seções mais fortes, especialmente as fornecidas pela guitarra agressiva de Bogdan e a flauta de Kollar em um estilo que lembra Thijs Van Leer.

“Az Emberbogarak Buszkesege” a banda retorna ao clima do álbum de 1984, com aquele som místico húngaro e um refrão agradável para melhorar o efeito sonoro. Mas novamente Bogdan fica encarregado de encaixar na música alguns momentos bem mais pesados. 

“Lehetetlen” certamente é uma das faixas mais fortes do álbum por causa das mudanças radicais do melódico para o frenético. A banda aqui varia entra o leve e o pesado, nos oferecendo uma das faixas destaque, mesmo de certa forma compacta em seus poucos mais de quatro minutos. 

O disco chega ao fim através de “Alien Song”, apresenta uma melodia cativante, onde Erdesz e Kollar se sentem à vontade para adicionar todos os efeitos sonoros desejados para criar uma faixa que funcione como um alívio da tensão após um álbum enérgico. Já vi comentários que acham a faixa de certa forma boba, algo que eu nem mesmo discordo, mas acredito que o humor também tem o seu lugar no rock progressivo (basta ver Keith Emerson em "The Sheriff" ou "Benny the Bouncer") e essa faixa revela de forma brilhante e com classe esse lado subestimado da música.

O que dizer sobre esse disco? Uma verdadeira obra-prima que já nasceu um clássico. Superando inclusive o disco de estreia e tão aclamado Martian Chronicles.

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