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Resenha: Ghost Reveries (2005)

Álbum de Opeth

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Ghost Reveries é um álbum feroz, brutal, delicado e complexo

Autor: Tiago Meneses

15/10/2019

Esse álbum é feroz, brutal, gentil, delicado, complexo, tudo o que você pode querer pode ser encontrado aqui. O mellotron em abundância flutua sobre todas as músicas. Existem riffs esmagadores por todo o lado, bem como três faixas puramente silenciosas que não podiam soar melhor. A criatividade da banda é excelente, cada música tem uma sonoridade bastante diferente, deixando com que eles nunca percam depois de várias audições a mesma boa sensação sentida inicialmente. As transições entre as seções mais claras e momentos mais obscuros são mais uniformes do que nunca, principalmente por causa da quantidade adicional de vocais limpos nas seções mais pesadas.

Opeth nunca esteve tão em contato com o seu lado progressivo. Como eu disse, traz  mellotron em todos os lugares, ótimas composições, músicas longas, musicalidade surpreendente, flauta, lindas harmonias, instrumentos variados, enfim,  tudo o que uma música progressiva precisa pode ser encontrado nesse álbum e em abundância. Tudo flui perfeitamente.

“Ghosts of Perdition” é a faixa de abertura. Começa com um pouco de piano, mas logo muda para uma seção com ótimos vocais. Os riffs de guitarra são extremamente pesados e impressionantes. A bateria é bastante enérgica. Em cerca de um minuto, tudo fica mais suave e Mikael canta de forma mais natural que de costume. Então que sentimos pela primeira vez o doce sabor de mellotron, perfeitamente misturado com o trabalho pesado de guitarra. Logo a faixa se torna pesada novamente, com mais canções e harmonias em abundância, temos o gostinho de uma das mais belas melodias da banda, com Mikael cantando suavemente. As coisas permanecem assim por um tempo. Então isso continua por um bom tempo até a banda apresentar mais alguns riffs pesados com uma voz que funciona muito bem. Essa faixa possui ainda um dos momentos mais pesados de todo álbum. Uma música simplesmente avassaladora. 

“The Baying Of The Hounds” começa com um riff de guitarra extremamente empolgante. Após cerca de dois minutos a música entra em uma seção de ótimo vocal, mellotron e mais guitarras pesadas. Pouco tempo depois acontece uma vocal em camadas com harmonias lindíssimas. Um belo e curto solo de guitarra e atmosfera fica mais suave graças a um teclado onírico. Mikael entra com um vocal limpo, surpreendente e muito harmonioso. Mas depois de cerca de dois minutos de uma levada suave, a música volta pra sua principal característica, ou seja, seu peso. Por mais uma vez tudo suaviza antes de novamente voltar  a ficar massivamente pesada até chegar ao seu fim definitivo. 

“Beneath The Mire” dá uma sensação de estarmos ouvindo algum som vindo do oriente médio, principalmente pelo mellotron que é bastante utilizado aqui. Antes do primeiro minutos a faixa já impressiona com guitarra distorcida se misturando com violão acústico. Quando enfim os vocais de Mikael entra pela primeira vez a faixa se mostra mais feroz ainda. Então que as coisas andam pra algo mais comum e sem o brilhantismo encontrado no início. Um momento mais suave “quebra” a música com uma mudança de ritmo excelente e vocal muito bem construído. Mas novamente volta a ficar muito comum, ainda assim, não tem como negar a qualidade das seções pesadas.

“Atonement” uma faixa mais leve e novamente de cara sentimos certa influência vinda do oriente médio. O trabalho de guitarra é notável e o vocal embora não seja tão bom como nas músicas anteriores (devido a uma distorção meio estranha que é acrescentada), também possui seu valor. Ela continua meio repetitiva por um tempo, e então começa uma nova melodia por volta dos cinco minutos, isso logo após um ótimo trabalho de piano. No fim das contas, uma boa música. 

“Reverie/Harlequin Forest”, sinceramente, seu eu tiver que reclamar de maneira mais ferrenha de algo nesse álbum, a reclamação seria em relação a essa faixa. Vocais parecem muitas vezes estarem fora de lugar, creio que ele só funciona bem em uns 50% da faixa. A música comum toda parece meio sem inspiração (o que é demais pra uma faixa com pouco mais de onze minutos). Até a seção mais lenta que a banda parece sempre acertar soa meio chata. Por volta dos sete minutos creio que os vocais de death deveriam ter sido usados, mas não foram. Deixo claro que eu não estou querendo dizer o que é melhor ou pior na criação da música da banda, querendo ditar o que eles devem usar, mas sim, apenas dando uma opinião em caráter pessoal.  A música é ruim? Não. Mas dentro dos padrões Opeth de qualidade ela deixa sim a desejar. 

“Hours Of Wealth” é uma faixa bastante suave. Um pouco arrastada, mas não chega a se comprometer por isso. Concentra-se principalmente no uso sutil de flauta, piano, mellotron e outros instrumentos, além de uma bela guitarra. O vocal de Mikael volta a soar muito bem aqui. Algumas harmonias desta música são realmente inspiradoras. 

“The Grand Conjuration” é uma música boa, porém, é daquelas que poderiam ter seu tamanho final menor do que tem. O trabalho de teclado é excelente e apresenta um peso já tradicional do Opeth em músicas nesse estilo (porém, com eu disse, nada que justifique uma música de mais de dez minutos, creio que sete estava bom demais). Não se tem muito que dizer dessa faixa além disto. 

“Isolation Years” é a mais curta do álbum e o fecha de maneira suave. Bastante bonita, ainda que não seja tão boa quanto outros momentos mais serenos do disco. 

Opeth é de longe uma das bandas mais originais, criativas e bonitas desta geração. Ghost Reveries é muito bem feito e trabalhado apesar de algumas poucas derrapagens. Os toques sutis, a beleza interior ou brutal, qualquer que seja, tudo funciona e contribui para uma incrível experiência musical.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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