Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Emerson, Lake And Palmer (1970)

Álbum de Emerson, Lake And Palmer

Acessos: 541


Uma estreia poderosa

Autor: Tiago Meneses

10/10/2017

Um dos álbuns mais importantes da história do rock progressivo. A estreia de uma banda de apenas três integrantes, porém poderosos músicos capazes de entreter uma multidão em performances “solos” avassaladoras. Três forças comandantes em que cada uma continha o seu próprio holofote em cima do palco. Um registo bastante complexo, muita evidência de criatividade, abordagem cheia de drama inspirado e uma ampla gama de ótimas ideias. Um tipo de música pura que agarra pelos os ouvidos e transporta o ouvinte para outro lugar.

Keith Emerson mostra que não é apenas um virtuoso, mas também possui habilidade em harmonia e desenvolvimento do tema. Também são notáveis as transições suaves entre partes improvisadas. Grek Lake é uma voz excelente e trabalha muito bem o seu baixo e apesar de sentir que nem sempre Carl Palmer tem a mesma precisão dos outros dois, ele consegue encaixar muito bem na música. Um disco muito diversificado e de bastante dinâmica.

A primeira faixa "Barbarian" é uma referência a um trabalho enérgico do compositor clássico húngaro, Bela Bartok. Uma coisa é fato, se você quiser gostar de Emerson, Lake & Palmer, você tem que gostar de música clássica, pois é algo bastante apresentado no seu estilo. "Take a Pebble" é uma das melhores músicas prog com piano. A banda encontra expressão na interação e a voz de Lake é muito cativante. O solo de guitarra acústica aumenta a dinâmica com o tom silencioso. As linhas de piano de Keith Emerson são destaque. Toca de maneira virtuosa, mas despretensioso e concentrado na criação de uma boa atmosfera.

"Knife Edge" é uma boa prova de que uma banda sem guitarrista pode realmente funcionar muito bem. Os riffs das teclas de Emerson são bastante pesados, surpreendentemente, a música é baseada na Sinfonietta de Janacek. No meio há uma citação a Bach. Um excelente Hammond também é tocado música. A única bola fora da banda aqui é que as citações não são creditadas. "The Three Fates" é a vitrine instrumental de Emerson. Essas composições sofisticadas e complexas se inclinam para o clássico e apresentam alto nível de musicalidade. No começo, essa composição de três partes pode parecer autoindulgente e bombástica, mas não encaro esse como sendo um caso. Vejo apenas como uma peça musical bem elaborada e que pode prender a atenção do ouvinte do primeiro ao último segundo.

“Tank” não é que ache uma faixa fraca, mas hoje em dia geralmente eu a pulo quando escuto esse disco. Tem um começo e final que não me prenderam e um solo de bateria no meio, sendo que algo que nunca consegui gostar é de solos de bateria. "Lucky Man" foi um single de sucesso. Tem um refrão bastante bonito com voz e back vocals (que também eram feitos por Lake) de grande harmonia.  As letras de Lake são sobre o absurdo da guerra. Uma balada agradável com uma melodia folk e um solo moog no final.

Difícil dizer qual é o melhor álbum entre os quatro primeiros da banda, mas com certeza esse é o mais indicado pra quem procura músicas mais consistentes e menos explosivas. Considero o melhor ponto de partida pra quem queira se aventurar no som do trio, mas como eu disse lá no começo, pra gostar de forma plena de Emerson, Lake & Palmer é preciso apreciar a música clássica, principalmente barroca. Há também grandes momentos jazzísticos. Enfim, se você considera teclados proeminentes e não se importa com a falta de guitarra, conhecer esse álbum é obrigação. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: