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Resenha: Orgasmatron (1986)

Álbum de Motorhead

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Pesado e furioso

Autor: Fábio Arthur

29/09/2019

Motörhead com certeza tem sua marca registrada na história da música, e seu legado intenso e promissor sempre ficou sob a aceitação dos fãs. Apesar de mudanças contínuas na formação, Lemmy continuou mantendo viva a chama da banda.

Depois de "Overkill" e "Ace of Spades", a banda viveria em partes de seu nome e dos fiéis seguidores - inclusive esse que vos escreve. De fato, com uma qualidade impressa e muito speed metal e um rock and roll furioso, a banda demonstrou que tinha todo um aparato seguro e eficaz para burlar as quedas impostas pelos trabalhos menos favorecidos do grupo.

Depois de 82 com a saída dos músicos originais e a tentativa de inovar - de certa forma - a banda lançou uma coletânea com algo inédito entre um dos lados, e assim, em 1986, veio com tudo e se sobressaindo de um começo de década conturbado. 

Ainda assim, com os problemas estampados entre a banda e a gravadora Bronze Records, o Motörhead veio aguçar o lado metálico e feroz e assumindo e reafirmando seu nome no cenário e agora também, a GWR seria a major por detrás do grupo; e isso seria uma outra batalha.

Agora, com dois produtores, Bill Laswell e Jason Corsaro, a banda elevaria seu som ao nível infernal, pesado e mais instigante que nunca. O maior dos problemas com o resultado final de"Orgasmatron" seria de fato um som mais carente de polimento, falta de timbragem nas guitarras e um cuidado melhor com a voz de Lemmy. Isso seria um ato em que a banda travaria uma sequência árdua de dois discos seguidos com a mesma linhagem pobre e acentuada de produção. 

Um outro elemento seria a comercialização do álbum, a gravadora não realizou devidamente o marketing necessário para elevar o grupo ao seu lugar merecido. Então qual seria o ponto positivo e promissor desse long play? Pois bem. Além de uma arte de capa fenomenal e com um ar diabólico e imponente, as faixas seriam um momento totalmente agradável e por fim um baterista bem ajustado: Pete Gill ex-Saxon. 

E como já citado, as faixas são em sua maioria muito fortes, bem ajustadas e com uma alavancada de riffs sedentos entre vocais ríspidos e velocidade pulsante. 

Gravado em Londres e com pouco mais de trinta minutos a banda vem com tudo, aliás com dois guitarrista por assim dizer, um deles Würzel também já falecido - além de Lemmy - Phil Campbell que tocou na banda até seu fim alguns poucos anos atrás. 

Aqui as faixas foram gravadas em apenas onze dias, e nesse período o grupo já datava em três anos sem gravar, vindo obviamente de um certo fracasso comercial.

O título do disco em verdade foi inspirado em uma obra cinematográfica do ator/cineasta Woody Allen e assim eles davam vida a um dos discos mais controversos da banda, parte divulgação produção e outro ponto ótimas canções com um desenvolvimento apelativo e fantástico em que desde 1980 não se via no contexto do grupo. O título em verdade seria o nome de outra faixa do petardo, que foi alterado um tempo depois, o que coube muito melhor para o trabalho no geral.

A abertura com "Deaf Forever" acaba sendo bem vigorosa e uma pegada sentida por um riff frenético e impotente. "Nothing up my Sleeve" segue furiosa, assim como a canção "Claw" e "Mean Machine", uma pedrada firme e uma das melhores do álbum. "Built for Speed", antes tida como (On the Road), vem balançada e com uma bateria exemplar na marcação, além dos riffs. "Doctor Rock" traz o lado rocker do grupo, muito bem ajustada e a canção título demonstra inovação e uma letra muito curiosa, essa foi regravada pelo Sepultura e agradou aos fãs em cheio. 

O Motörhead seguramente trouxe nesse período um disco em potencial, deixando de lado as falhas da produção e gravadora, é um álbum rico e superior, e que a banda levaria tempo para fazer um outro no mesmo patamar.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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