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Resenha: Hamartia (2017)

Álbum de Novembers Doom

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Um dos pontos altos da carreira

Por: Vitor Sobreira

13/09/2019

Existem bandas que você simplesmente se identifica, passando a acompanhá-las e aguardando ansiosamente cada lançamento. Lá se vão um pouquinho mais de 11 anos desde que conheci o Novembers Doom, tendo a felicidade de ouvir logo de cara ‘The Novella Reservoir’ (2007) e algum tempo depois ‘The Pale Haunt Departure’ (2005) – dois trabalhos que tenho muita estima. Agora, em 2019, resolvo a rabiscar virtualmente algumas linhas sobre ‘Hamartia’. Me acompanha?

Lançado oficialmente em 14 de abril de 2017, ‘Hamartia’ é o décimo full length da banda de Chicago e que conseguiu fazer um bom nome aqui por estas terras brasileiras. São dez composições em aproximadamente 57 minutos de uma sonoridade que pode ser reconhecida à distância. Sim, estou falando daquele elaborado que leva Melodic Death Metal, Doom e Progressive, feito por quem sabe e pode fazer sem medo de errar a mão. E lhes sou grato por isso.

Sem mais enrolações… Apostando em levadas discretamente mais velozes do Death Metal, vocais guturais e lúgubres teclados como base no refrão, “Devil’s Light” foi uma ótima pedida para faixa de abertura, exibindo o dinamismo da banda e a sua preocupação com os mínimos detalhes. Só ouvindo mesmo para entender o que estou escrevendo! Se você também já conhece o Novembers Doom há algum tempo, sabe que os vocais de Paul Kuhr são inesquecíveis e em “Plague Bird” ele deu ênfase aos limpos (coisa que a faixa anterior não teve), ainda que inserindo os cavernosos nos momentos certos, apenas para reforçar a interpretação. O extenso e progressivo solo – a partir de 3:47 – só reafirma que realmente estamos diante de um autentico trabalho dessa banda, pois isso não poderia faltar de maneira alguma.

É bem fácil notar que as composições têm os seus macetes e em “Ghost” a jogada foi repetir por algumas vezes o dedilhado da introdução e moldar um refrão com interessantes linhas de voz (exclusivamente limpas) – “I’m haunted by the ghost of yesterday / Visits my dreams and steals breath away / Relive the moments I’m desperate to ignore / I don’t want to feel this pain anymore”.

Pode ter certeza, que ‘Hamartia’ é um daqueles álbuns onde não existem apenas esse ou aquele destaque, mas é do tipo que o ouvinte pode selecionar qualquer faixa aleatoriamente e ainda assim sairá satisfeito, pois é realmente um dos melhores que a banda já lançou! De volta ao tracklist, seguimos com “Ever After”, que abre com um trabalho de bateria quase ritualístico e segue numa linha mais Progressiva, com boas doses de melancolia. Mais uma vez os dedilhados e solos fazem a diferença! Para a faixa título temos uma curta peça semi-acústica, onde guiada por teclado, violão e vocal, nos apresenta algumas boas passagens, mas só. Não digo que foi uma escorregada, mas também não é o melhor momento da audição.

Os primeiros instantes de “Apostasy” podem gerar dúvidas, por causa de uma pegada mais Rock e descompromissada, mas é claro que tudo não passou de uma pequena aventura criativa e tudo retorna ao normal com uma faixa bastante energética, repetindo um pouco do que “Devil’s Light” apresentou. O clima melodioso (mas não leve) retorna em “Miasma” – o que não poderia ser diferente, pois traz a participação da filha de Paul, Rhiannon Kuhr em algumas linhas vocais. A voz da moça é bonita, porém a participação ficou bem limitada… Algo que poderia ter sido melhor estruturado.

Não basta ter técnica se não tiver entrosamento e isso os músicos transmitiram perfeitamente ao longo das composições. Como os vocais já foram citados mais de uma vez, pulemos para a dupla Larry Roberts e Vito Marchese  que indiscutivelmente sabem explorar suas cordas, tanto com riffs diretos ou elaborados dedilhados, licks e solos. A cozinha comandada por Mike Feldman (baixo) e Garry Naples (bateria) guia com perícia, através da escuridão, o turbilhão sonoro e emocional das canções e seus diversos detalhes, bem como o tecladista convidado Ben Johnson, que na verdade também aparece nos álbuns ‘Aphotic’ (2011) e ‘Bled White’ (2014), onde apesar da discrição, consegue abrilhantar determinados momentos com suas notas.

Pegando o embalo da reta final temos a misteriosa “Zephyr”, a diversificada “Waves in the Red Cloth” (só imagine peso, uma bateria inquieta e um refrão com bastante melodia) e a mais longa de todas “Borderline” – que contou com a participação de Dan Swanö (que cuidou novamente da mixagem e masterização) e Bernt Fjellestad (Susperia) nos backing vocals – como um ótimo encerramento!

Com mais uma expressiva ilustração de capa, desta vez feita por Eugen Poe, e produção do focado Chris Wisco – que tem envolvido em estúdio com o Novembers Doom desde 1995, chegando inclusive a ocupar o baixo de 2007 a 2009 -, ‘Hamartia’ é um dos pontos altos da discografia dos estadunidenses, que ainda este ano nos presentearão com o seu sucessor. Mas isso, é assunto para uma outra oportunidade.

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