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Resenha: Hatfield And The North (1973)

Álbum de Hatfield and the North

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Complexidade desafiadora, humor caloroso e espirituoso.

Autor: Tiago Meneses

09/10/2017

Hatfield and the North é um bom exemplo de como as bandas da cena Canterbury são inter-relacionadas através de suas histórias, uma cena incestuosa, fazendo com que integrantes de várias bandas sempre estejam interagindo. A banda foi formada quando Richard Sinclair e o tecladista Steve Miller deixaram o Caravan após a gravação do clássico Waterloo, para se juntaram a banda Delivery no qual já tocou o guitarrista Phil Miller e o baterista Pip Pyle. Ainda ocorreram outras mudanças, mas não vejo a necessidade de focar tanto esse detalhe, pois o mais importante é que após consolidarem a Hatfield and the North, o grupo encontrou o seu estilo único, cheio de complexidade desafiadora, humor caloroso e espirituoso, com influências da música clássica ocidental e toques jazzísticos. 

Esse é um daqueles discos onde todas as faixas estão interligadas entre si, fazendo com que o álbum seja visto como uma única peça e de bastante consistência. As quinze músicas do álbum variam no tamanho entre vinte segundos e dez minutos. Um disco que requer múltiplas audiências para que a magia se desenrole. A primeira instância pode deixar o ouvinte atônito caso não esteja acostumado com uma música assim, uma união de músicos aventureiros que combinam perfeitamente o jazz e o rock transformando tudo em um testemunho musical de primeira grandeza, ousado e alheio às tendências contemporâneas.

Um disco que não tem como falar faixa por faixa, uma espécie de música dos deuses e para os deuses executada por um supergrupo de rock progressivo do mais alto nível. Este álbum compreende o melhor e absoluto esforço pra uma obra perfeita da cena de Canterbury, e embora seja mais centrado na intrincada habilidade instrumental, existe uma atmosfera bem humorada criada pela parte lírica.

Volto a enfatizar que esse é um tipo de álbum de gosto adquirido, podendo fazer com que você seja impulsionado mais facilmente a amá-lo se acompanhado de uma boa cerveja, whisky, vinho ou a bebida de sua preferência, pra que sua mente através da descoberta dessa obra-prima ainda desconhecida por muitos, sinta-se maravilhada como quem realiza uma viagem dos sonhos explorando os recantos de algumas das músicas mais sofisticadas feitas por qualquer banda em todos os tempos. 

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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