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Resenha: Divine Intervention (1994)

Álbum de Slayer

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Slaytanic!

Por: Fábio Arthur

16/08/2019

Setembro de 1994 marca o lançamento de "Divine Intervention" e também a mudança de baterista, já que novamente Dave Lombardo saiu do grupo - mas iria voltar anos depois - e enfim um disco ainda pesado estava sendo colocado ao mercado, mas com algumas ressalvas, conotações mais profundas nos temas e algo mais moderno no som do grupo, sendo esse um passo para que a banda viesse a mudar radicalmente nos próximos discos. 

Com tudo isso, o Slayer ainda passou por diversas situações durante o processo de gravação do álbum. Uma delas remete o encontro desanimador com os dirigentes da gravadora, Araya descreveria o mesmo como tedioso e que nunca mais fariam algo desse porte. Uma das imposições das afiliadas seria de que o grupo obtivesse um hit para tocar nas rádios, mas, como o próprio Araya trouxe à tona dizendo: "Como você faz um hit, quando uma banda faz um som muito pesado e furioso". Então o grupo deu as faixas que tinham para a gravadora e mandaram o resto às favas. Em verdade, sete canções haviam sido preparadas de antemão e isso era algo promissor e mostrava que a banda detinha o nível firme e motivador de anos antes. 

As letras foram inspiradas em notícias de TV, chocantes, e assim, demandavam maior trabalho e concentração. No entanto, o conteúdo fez com que muitos ficassem chocados com o material exposto pelo grupo; o que convenhamos, casava intensamente com a direção da banda.

Para a nova arte, o artista Wes Benscoter reformulou o pentagrama e o logo da banda, dando uma direção mais moderna e realista, fora dos padrões de outrora, mas que ainda vinha chamar a atenção dos fãs. 

De acordo com Kerry King a masterização pecou ao final, após muitas horas de estúdio e gastos absurdos, o resultado não agradou tanto aos músicos. 

Uma outra curiosidade sobre o álbum em questão é que o mesmo foi totalmente banido da Alemanha, isso devidamente por causa das faixas "SS-3", "Circle of Beliefs" e "213", sendo mais um percalço em ser desbravado naquele momento. 

Com tudo, "Divine Intervetion" trouxe o Slayer pela primeira vez ao Brasil e a banda desfilou clássicos e apenas uma faixa do novo álbum, a de fechamento, "Mind Control", bem pesadona e com estilo dos discos anteriores. Um dos problemas em tocar algo do disco por aqui, seria que o mesmo ainda não havia sido lançado em CD e somente a versão importada vinculava pelas lojas, o que de fato não dava margem de compra para os fãs. 

Toby Wright e Rick Rubin cuidaram da produção ao lado da banda, mas precisamente de King, e assim, mais uma vez o Slayer detinha em mãos algo impulsivo e muito mais com a cara dos anos noventa, mas sem perder a pegada consagrada da banda. 

A banda nessa fase relutava cada dia mais com o estilo denominado Grunge, em resposta ao movimento e aos flertes da gravadora, que vivia pedindo um hit como já dito, para acompanhar a tal moda de época, o Slayer resolveu soar muito mais pesado em "Divine Intervention" e agressivo por assim dizer, no sentido próprio da palavra. 

O álbum alcançou mais de 90 mil cópias já na primeira semana de lançamento e a banda obteve também seus videos requisitados pela MTV, entre eles, a faixa veloz e curta "Dittohead", bem ao estilo das canções do disco de 86, "Reign Blood". 

Entre os momentos bem destacados do álbum, temos outra faixa curta e de apelo forte: "Sex, Muder, Art", e a abertura com "Killing Fields", em que Bostaph dá um show na bateria, mostrando que estava à altura do mestre Lombardo. Ainda que digam até mesmo nos dias de hoje sobre a diferença de ambos na bateria, Paul tem uma marcação muito peculiar e seu som de bateria em estúdio soa mais aberto por assim dizer, mas logicamente os dois refletem a face maníaca e sonora do Slayer. 

Outro momento de destaque seria a faixa-título, lembrando uma mistura dos discos passados com o mais moderno. Jeff (R.I.P.) trouxe sua característica incisiva na faixa. ?Na outra parte do álbum, "Serenity in Murder" chega bem mais contida em termos sonoros, em andamentos opostos das outras canções e seguindo uma linha mais "moderna", mas ainda assim é bem forte. 

O Slayer é uma banda que, apesar de nem tudo ser coerente na carreira do grupo, ele sempre primou por ser uma banda pesada, independente da fase do grupo, sempre mostraram uma agressividade excessiva em todos os termos. E da-lhe paulada!

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