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Resenha: Virgo (2001)

Álbum de Virgo

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Entre o Angra e o Shaman, o Virgo!

Autor: Marcio Alexandre

13/08/2019

Já não mais contente com o trabalho no Angra, Andre Matos acabou deixando a banda tendo como seu último registro "Fireworks". Antes que o cantor se enveredasse novamente com outra banda, no caso o Shaman, um outro projeto foi idealizado e registrado por ele e um parceiro de alguns anos, o guitarrista e produtor Sascha Paeth dentro desse meio tempo, no então intitulado, Virgo. O projeto trazia algumas distâncias do que Andre apresentou em seus trabalhos anteriores, dando maior liberdade para que ele alinhasse as coisas à seu próprio ponto de vista e explorar uma variedade sonora, feito este que resultou num disco de audição gostosa, fácil e cativante para vários públicos.
Quem abre o disco é "To Be". Já de imediato vemos que a direção musical não irá se tratar de mais do mesmo e faixa já chega com um violão flamenco, numa pegada Malmsteen. Então Matos dá as caras acompanhado por um piano destilando escalas musicais com a maestria da sua voz, até que as guitarras surgem e dão seu charme. E temos um grande refrão que brinca com os agudos e esbanja carisma. Logo somos pegos pelo trabalho e o que mais irá vir dali.

"Crazy Me?" começa um pouco mais pesada e segue mais cadenciada guiada pelo som de baixo e no refrão é que está a cereja do bolo, Andre patina na nossa cara com uma entrada vigorosa de notas executadas perfeitamente nas suas linhas. Finaliza com tom épico em vozes de corais fazendo a deixa.

A seguir encontramos "Take me Home" que já vem com uma cara mais branda tem cara de um prog leve e mais um refrão extremamente simpático e melódico. A levada da música é bastante relaxante e espalha beleza por todos os seus momentos. Acompanha um solo de piano muito bonito executado por Andre, dando a deixa para Sascha mostrar um pouco do seu talento.

"Baby Doll" já tem um clima mais pra cima e uma levada muito boa, cara de um rock tradicional com guitarra concisa e um teclado jogando pitadas de um charme a mais no andamento. Sascha aqui se empolga e mostra vários bons momentos. E em "No Need To Have An Answer" tudo começa bastante melancólico com Andre acompanhado por piano e resultando numa balada muito bonita, com direito a solo de violão que soa perfeitamente encaixado ali e um refrão que parece ter saído diretamente dos anos 80. Mais uma vez o final é entoado por um coral que recheia a música com mais enfase.

A próxima da lista é "Discovery" que abre com uma gaita e tem andamento também mais calmo e um refrão bastante dramático, um dos momentos mais bem explorados da voz de Andre. "Street To Babylon" tem início com batida eletrônica no melhor estilão pop dos anos 80 e um baixo bastante marcante. Lembra muito algo do Depeche Mode, mas numa estilo mais calmo e que delícia o trabalho vocal aqui empregado, dá vontade de nunca parar de ouvir.

"River" é um baladão de violão e voz que se assemelha muito com a música gospel americana, ainda mais com a adição de um vocal feminino ali que eleva à canção e magnífico a extensão de Andre perto do final. E trazendo para algo mais do Heavy Metal, chega "Blowing Away", mas acalme-se antes de achar que será algo exatamente característico do estilo, ela é mais rápida que as demais, tem uma vibe do gênero e um refrão bem na pegada, mas ainda segue a intenção desse disco que é sair da mesmice dos envolvidos, então ainda se trata de uma faixa que brinca com vários momentos e muito boa por sinal, tem um solo caprichado.

Quem encerra é "I Want You To Know" que tem um estilo bem pop, bem rádio e é uma faixa muito bem composta, com momentos que pegam rápido e um andamento muito gostoso, daquelas que dá vontade de por nos fones de ouvido e só sair por aí apreciando alguma vista.

Virgo pode não ser lá exatamente o que muitos esperam de Andre Matos, ou não acrescente tanto ao já então vasto currículo do cantor, não há pretensões gigantes, nada mirabolante ou complexo, porém, há de se falar da liberdade criativa, da diversão dos dois amigos e de como esse realmente era um projeto válido ao pensar na questão do diferente. O disco nos entrega não só isso, mas música boa de verdade e carregado de carisma. Então se ainda não ouviu, corra atrás e se delicie nesses momentos.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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