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Resenha: Led Zeppelin (1969)

Álbum de Led Zeppelin

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Um registro inovador

Autor: Fábio Arthur

07/08/2019

Desde sempre, todos sabemos da unificação do pessoal do Led Zeppelin, de como se conheceram e também da familiaridade de Jimmy Page dentro dos estúdios; enfim, tudo já foi abordado sobre esse início de banda. No entanto, alguns pontos são bem relevantes e valem revisitar.

Uma banda em fúria e à frente de seu tempo, o Led Zeppelin rumou pelos caminhos corretos em sua carreira, primando sempre a criatividade e sua longevidade até o falecimento de John Bonham em 1980, determinou que se não fosse esse fator o grupo continuaria a comandar o cenário por pelo menos mais uma meia década; isso é um fato!

Page soube estabelecer a difusão entre rock e blues como ninguém e os demais do grupo britânico seguiram as normas de acordo com o mestre das seis cordas. Elementar, que cada qual dentro da banda tinha sua vertente aflorada, por exemplo Jonesy não somente entendia de música como um conceito firme, único e artisticamente, que o mesmo desenvolvia uma regular posição musical de executar tudo o que lhe viesse em mãos; fossem os bandolins, mandolins, violões, Hammonds, baixo e os teclados/sintetizadores. Plant foi pego em sua própria musicalidade, o vocalista esbelto de cabeleira loira - meio um sexy symbol - tinha uma fúria em agudos totalmente incisivos, e Page, ao perceber esse molde, resolveu desenfrear as cordas vocais do cantor e fazendo com que Robert pudesse ir além do possível e realmente tudo acabou ficando confortável para o mesmo. Bonzo sempre foi pesado, suas mãos de almofadas que entre outros atributos sabiam socar os adversários, construía artefatos em sua fazenda e com o Zeppelin mostrava que não era apenas a técnica e sim marretar aliado com a certeza de que - ele mesmo - seria o melhor e o maior bateristas de todos os tempos. Page, esse fala por si só, deixando tudo em ordem e acima de um padrão normal em que as melodias e as notas ficavam acima de proposto, muito à frente do desejado, tamanha qualidade exibida. 

Peter Grant, robusto o corpulento empresário que deixou o Led bem de vida e a si mesmo, mas, Grant era dominador e sabia impedir os piratas de discos e assim chegando ir ao extremo, ou seja, vias de fato para prosperar acima dos infratores de época.

O Led Zeppelin veio condecorar e mudar a direção da música, eles vieram ser o mais importante grupo de rock e afins de sua geração, negando mesmo se apresentar no Woodstock de 69 após o lançamento de Led I, como é conhecido, e de não se valer de singles e/ou TV para angariar fãs; eles não precisavam, preferiam ir na raça e, como diria Peter anos depois, "Tudo no boca-a-boca", simples assim.

Foi em Londres, em 1968, que a trupe entrou para as gravações após um contrato em mãos no Olympic Studios. Em 12 de janeiro de 69, lá estavam eles com um disco, petardo e o que mais lhe for atribuído de bom, com "Led Zeppelin" nas prateleiras britânicas. O disco em si, traz conotações muito elevadas para sua época, enfim, indo além do som do The Beatles e The Who, bem hard mesmo, no sentido da palavra. 

O Led se voltou contra um sistema e andou lado a lado com a contra cultura e assim passou por cima dos caretas e do som situado entre rock básico e/ou violão folk e voz; esse era o Led Zeppelin invadindo o espaço cultural, tanto europeu quanto o americano.

Obviamente, Page seria o produtor. Quem melhor do que o magrinho místico e detalhista para arrumar tudo em seu lugar, mantendo a banda forte, como nos concertos, aliás, o Led, desde sua primeira turnê, nunca tocou exatamente algum show copiando os fraseados dos seus discos, mas, eram modificações determinantes. A Atlantic Records - também viria em ser parceira do AC/DC dentre outras -, fazia um trabalho fenomenal aonde colocava  suas mãos; divulgação em massa.

O Zeppelin mandou um pouco mais de quarenta minutos de canções, entre elas; folk, hard, metal (por que não?), psicodélico, e blues de primeira. Entre plágios, covers e suas próprias composições, aliou vida em notas musicais para lá de importantes e que até os dias trazem Led I como um dos melhores trabalhos de estreia de uma banda.

Como sempre, a mídia detestava tudo que viesse a surgir com qualidade, imagine, eles fizeram isso a vida toda, impondo seus vômitos contra tudo e todos, desde Elvis, passando por Led, Purple, Maiden e etc; enfim, uns falidos profissionais em todas as ocasiões e o Led Zeppelin sabia disso e ignorava, simplesmente, mandava ver todos os concertos e etc. 

O Zeppelin surgiu tão grande e comandando tanto os anos setenta, que mesmo o KISS, com sua roupagem e seu som estilo um Beatles pesadão, não intimidava o grupo. Entre tudo, havia também o Black Sabbath, com seus altos e baixos, e o Deep Purple tentando se encontrar em cada disco lançado, mas o Led era o Led, a banda que se distanciava por seus feitos musicais. Obvio que não podemos desprezar os citados acima, isso nunca!

Em 36 horas, Page e banda produziram "Led Zeppelin", com sua arte retratada de um incidente real, o que deixava tudo mais a cara do som do grupo, pesado e incendiário por assim dizer. Mas, a banda teve alto custo de certa forma e só não foram mais demoradas as sessões porque o grupo havia ensaiado em exaustão o repertório todo.

A guitarra usada por Page no disco - uma delas - foi um presente de Jeff Beck, outro músico espetacular, e quando se especula porque também não durou tanto tempo em estúdio, seria porque, com o dinheiro em caixa para as gravações, teriam que ser guardados para verter em prol do grupo após o disco ser lançado. Dizem que, na verdade, a Atlantic estava ainda pensando em assinar com o grupo na época das gravações, mas o que realmente consta é que a gravadora estava já com o Led em mãos, apenas não deixaram a banda usufruir de seu vasto orçamento e sim, eles optaram por ficar as cegas enquanto o álbum era complementado, às custas dos músicos por vezes. O disco traz overdubs sim, as faixas necessitavam do tal recurso para se equiparar em um produto de qualidade maior e assim o som que se houve ao todo foi reproduzido em salas amplas, vastas e com reverberações, o que tornou tudo mais vivo, realmente ao vivo. Os microfones eram colocados durantes as gravações em uma distância acertada, diferentemente dos preceitos realizados anos antes de Led I, aqui Page inovara totalmente e ai se mantinha o chamado de "som ambiente".

Como não poderia deixar de ser, a banda tinha controle total sobre sua propaganda, ou seja, as camisetas, banners e posteres, eram idealizados pelos mesmos e seu retorno financeiro era de comum para a banda toda. 

No álbum, os músicos abraçaram os ideais e realmente colocaram a banda no segmento correto. Plant executa voz e harmônicas, Page elaborou os vocais de apoio, violões, guitarras e foi produtor, como já citado anteriormente. Jonesy cumpriu sua tarefa no baixo, órgãos e teclados. Para a faixa instrumental, "Black Mountain Side", passiva de plágio, viria o músico Viram Jasani e não Bonzo, como muitos pensam e o instrumento da canção seria a Tabla, em meio os violões de Page. A canção serviria ao vivo para se ajuntar no trecho do solo de guitarra de Jimmy. 

Empunhando um alto padrão de material, esse primeiro petardo do Led faz jus em sua conotação artística, ideológica e musicalmente falando, se tornou um presente para quem ama música na palavra concreta; isso tamanha diversidade.

O domínio de Bonzo com seu instrumento é primordial e desde as primeiras batidas ao retumbar do bumbo único em notas dobradas como se fossem dois na canção "Good Times, Bad Times", é simplesmente fora de comum para a época, deixando muitos bateristas com medo da concorrência. Ainda nessa mesma linha, a fenomenal "How Many More Times", que encerra o disco, mostra um elaborado de voz gritante, mas como já dito, a bateria se sobressai com tambores rugindo entre pratos e viradas, impulsionadas pelo braço poderoso de John. A semi-balada belíssima e acometida de plágio "Babe I´m Gonna Leave You", é o resultado de um ouvido apurado de Page e o íntimo da banda como um todo, Robert é fenomenal na interpretação. Em "You Shook Me", o cover da blues de Willie Dixon mostra o quanto o Led sabia fazer blues, mas com peso que marcava a inovação, ou seja uma banda totalmente focada em sua qualidade e na realidade dos tempos, e com certeza soava heavy na época. Com a faixa "Dazed and Confused", outra pega através de um discurso de plágio e a mesma realmente nos faz afirmar que é, mas que no seu âmbito zeppeliano se faz muito maior e traz Page destruindo tudo com a inovação de marcar as suas linhas musicais com um arco de violino, completamente uma ode à arte mais pura e precisa. "Your Time is Gonna Come" movimenta a linha de Jones com camadas de teclas e um vocal singelo e por vezes limpos de Plant, mas totalmente eficaz. O heavy chegou perto de ser pioneiro em "Communication Breakdown", por pouco eles não fizeram a primeira obra metálica dos tempos, mas foram mais fortes do que a bela "Helter Skelter" dos Beatles, perdendo para o Sabbath com seu volume de estreia apenas, no quesito peso. O blues volta através de cover e novamente de Dixon, a canção "I Can´t Quit You Babe", e enfim, a bolacha dos primórdios do Led ganhava o mundo, contra críticos e trazia os fãs de música moderna e de qualidade para um elevado sem cessar que a banda mostraria anos em frente; mas a partir deste seria gerada a nova face do rock mundial. 

O Led primou por ser um grupo de alto teor e realmente fica aqui a verdade que em estúdio eram melhores que ao vivo, mas também sabiam ser poderosos em seus concertos, obsessivos com repertórios que passavam de três horas de concertos e envoltos em improvisos que se assimilavam ao prazer real de tocar. 

O Zeppelin surgiu pesado e remodelou a história da música.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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