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Resenha: The X Factor (1995)

Álbum de Iron Maiden

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O X da questão

Autor: Fábio Arthur

31/07/2019

Em "The X Factor" o Iron Maiden inovou totalmente e foi muito além do que havia elaborado anos antes ou nos discos anteriores. Aqui, a coisa toda foi adaptada para os anos noventa e saíram diversificadas nesse período, tanto na questão musical quanto na carreira do grupo, sendo que um dos elementos importantes foi a troca de vocalista, ao qual a banda teve que se valer de novas inserções musicais. 

O primeiro ponto a ser destacado foi a produção modificada de Nigel Green, do qual obteve de pronto a interferência de Steve Harris e um fator a ser reconhecido, é o de que as canções ficaram bem mais audíveis em um sentido literal, mais limpas. As contribuições de Janick Gers e Blaze Bayley seriam predominantes nessa empreitada, isso logicamente com a junção de Harris, e fariam composições mais sombrias e que casavam muito bem com o timbre do novo vocalista. 

Steve Harris, além de ter que lidar com a perda de Bruce Dickinson, nesse período ainda tinha que superar uma dramática separação em seu casamento. Isso, munido ao clima chuvoso e frio da França onde o líder e baixista compôs parte do material para o álbum, ajudou em um profundo aglomerado em tendencias mais obscuras e que refletiram nas faixas do material. 

Para a arte, a banda resolveu tratar do conteúdo mais realista e um Eddie em processo de lobotomização foi exibido e concebido por Hugh Syme, também criador da arte do Megadeth - "Youthtanasia", o que permitiu alinhar com o clima proposto. A principal contribuição para um Eddie realista veio do guitarrista Dave Murray, que por sinal nesse disco não apresentou composições, deixando para os demais companheiros de banda. 

Algumas músicas ficaram de fora do disco e no entanto elas foram apresentadas em uma coletânea de B-Sides um tempo depois. Assim, "The X Factor" trouxe alguns vídeos, inclusive de faixas de singles, e a banda conseguiu também levar seu trabalho ao vivo em países não visitados anteriormente. 

O título do disco veio parte do algarismo romano X, que significa o número dez, e o termo Fator, por causa da entrada de Blaze na banda; além de ser o décimo trabalho em estúdio do grupo.

Colocando em pauta as canções de "The X Factor", o que temos em mãos seriam faixas que lembram em partes o Maiden de outrora e um novo conceito musical do qual agradou muitos dos ouvintes. Logicamente nem tudo no álbum se faz coeso, mas, em alguns temas, nós podemos observar o comprometimento da banda com a nova fase e a vontade seguir em frente e se superar. 

A introdução em canto gregoriano é fenomenal e dá abertura para um das melhores faixas já elaborada pela banda, que seria "The Sign of the Cross", uma canção típica da banda e que apesar de uma produção mais ponderada, traz à tona uma boa performance dos britânicos. Alguns momentos do álbum são mais brandos, dando liberdade para o baixista Steve Harris utilizar seu baixo eletro/acústico e o que veio a cair muito bem dentro do disco, sem soar exagerado, e a faixa "Blood on the World´s Hands"  mostra esse vertente com firmeza. A música "Lord of the Flies", com sua letra retirada do livro homônimo, nos traz uma guitarra sintetizada em meio aos riffs rasgados e uma cadencia firme com um refrão bem elaborado. "Man on the Edge", uma pedrada literalmente e que alavanca uma sugestão de que o Maiden ainda sabia fazer o som pauleira dos anos oitenta com competência. Apesar de um refrão bem simples, a canção funciona muito bem no álbum e ao vivo também. O disco segue com inúmeros momentos bons, tais como a faixa "Look for the Truth", "2 A.M." e em "The Unbeliever", que encerra o disco de forma bem coesa e ao mesmo tempo branda. 

Em "The X Factor" a banda trouxe para o estúdio um apanhado de inovações. Isso não quer dizer que o álbum é um clássico, mas sim um disco conciso e que mudou a direção do grupo. Ao vivo, a banda chegou a vir ao Brasil e participou do Monsters of Rock, ao lado de King Diamond, Helloween, Motörhead e foi headliner. Também nesse disco, podemos notar que o nome do mesmo não tem nenhuma faixa com o nome do álbum e o processo de gravação ocorreu em Essex, na Inglaterra. 

Para os fãs ardorosos, esse é um disco perfeito, para outros, um apanhado de ótimos momentos. Já alguns, deixaram o grupo de lado nesse período. Ao vivo, o Maiden mostrou a fase antiga da banda, mas também focou no material de "The X Factor" e que combinava melhor com as vocalizações de Blaze. Obviamente, acabou deixando outras canções de fora por um longo período até a volta de Dickinson. Realmente acredito que Blaze foi um herói e corajoso por entrar na banda. Seu estilo de voz não era compatível de forma alguma com o grupo e suas tonalidades deram resultados perfeitos em estúdio, mas realmente cantar em uma banda igual ao Maiden por mais de uma hora é realmente penoso e exige notadamente um preparo mais eficaz. 

O mais importante é o disco eternizado e sua permanência entre a discografia ótima do grupo. Acredito que "The X Factor" soe bem mais maduro que seu antecessor e até mesmo flui de maneira mais profunda em termos gerais. 

Up The Irons!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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