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Resenha: This Godless Endeavor (2005)

Álbum de Nevermore

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Seguindo o alto nível em um grande disco

Por: Marcio Alexandre

30/07/2019

O Nevermore havia se colocado no olimpo das bandas que mesclavam agressividade, velocidade, muita técnica e muito groove em suas canções. Em 2000 lançou um dos melhores discos do gênero, em 2003, lançaram um álbum que dividiu opiniões, mas ainda assim um tanto complexo e pesado, o “Enemies of Reality“, que precisou ter duas impressões devido à sua má mixagem na primeira tiragem, e em 2005 era chegado o momento de mais um lançamento, surgia assim “This Godless Endeavor“, que trazia de volta Andy Sneap na produção, que havia sido responsável pela masterpiece “Dead Heart in a Dead World” e também por consertar o disco de 2003. Mas enfim, o que encontramos de fato neste disco em questão?

Pois bem, a resposta vem com “Born“, que abre o disco em forma de uma explosão de riffs alucinados, bateria insana e a voz de Warrel Dane mais uma vez sendo um atrativo a parte de tudo! Aqui a levada é caótica e ao mesmo tempo tão melódica e principalmente em seu refrão que cai num lugar que se destoa totalmente do andamento da canção até ali e ao mesmo tempo encaixa perfeitamente e que momento este! O solo de Loomis é divino e vemos como a química da banda continua em alta. Grande começo.

“Final Product” é quem continua o andamento e o faz com a mesma pressão. Pesada e com começo agressivo, é bastante cadenciada levada pela bateria de Van Williams que a conduz esplendorosamente, a quebrada nos bumbos na ponte são de dar um nó e que solo mais carregado temos após essa chamada. O groove aparece com força aqui e liga tudo de forma absurda, outro grande momento.

Começando mais arrastada mas ainda um tanto pesada, “My Acid Words” surge logo mudando o ritmo e aparece com aquela fúria característica do Nevermore para nos jogar em um outro grande refrão. É uma das melhores faixas do disco, sem dúvida alguma, pela sua riqueza de ritmos e mudanças de andamento de forma tão natural e de novo há de se falar da bela voz de Dane que parece um maestro conduzindo toda essa loucura para um rumo. A ponte de novo é um grande trecho ali, e sua levada de novo arrastada para abrir espaço para outro solo transbordando feeling. Que trinca de abertura foi essa!

“Bittersweet Feast” vem chegando em crescendo e logo começa a banda mandando ver na cozinha e com guitarras hipnóticas e bateria toda quebrada. Aqui que realmente brilha é o baterista Williams, sua precisão aqui é quem demarca a canção toda e suas mudanças com tantos detalhes são muito ricos. Não tem lá muitos destaques, mas ainda uma ótima faixa.

Chegando agora numa espécie de balada sombria, “Sentient 6” é melancolia pura que transborda na voz de Warrel e como ele conduz com maestria esses momentos. O refrão é grande em todos os sentidos e nos joga ainda mais num buraco de angústia e se for um daqueles dias sombrios, passe bem longe desta.

“Medicated Nation” traz o peso e passagens intrincadas de volta e lá vamos nós de novo num verdade turbilhão de ritmos. O peso explode em todos os lados, principalmente no solo onde tudo vira de cabeça para baixo e parece brincar com nossa cara com tamanha destreza dos músicos em tanta passagem que soam tão natural como o simples respirar. Que guitarra maravilhosa dá as caras aqui.

“The Holocaust of Thought” é um breve interlúdio que abre o caminho para “Sell My Heart For Stones” que traz aquele ar melancólico de volta e assim se segue pelos seus minutos sem muita mudanças novamente, mas brilha em sua simplicidade por todo o ar sombrio que carrega e torna algo bastante profundo sua audição, fazendo bastante jus ao seu nome.

Volta peso e riffs alucinados. Assim é “The Psalm of Lydia” que de cara nos faz pensar em um momento totalmente esquizofrênico em formato de música. Que coisa doida é esse seu andamento, cheio de mudanças de ritmos e guitarras sem freios numa vertigem de sons, e uma cozinha totalmente afiada que não perdoa em espancar a bateria e baixo para casarem a dinâmica da coisa toda. O que Loomis criou aqui brilha por si e ainda no meio desse peso todo, há uma breve passagem de um violão que chama um solo alucinado e mais uma vez recheado de solo. Um grande destaque dentro do disco.

“A Future Uncertain” começa calma com voz e violão e aos poucos vai ganhando forma e chega em toda aquela destruição sonora de peso e melodias carregadas de guitarras dobradas.

Encerrando o trabalho temos a faixa título. “This Godless Endeavor” é uma das faixas mais ricas que o Nevermore já compôs e que trabalho magnífico encontramos aqui. Ela é um aglomerado de tudo o que a banda pratica, como eles costumam fazer várias vezes em pérolas que compõe e aqui isso erradia carisma. Os primeiros momentos são mais brandos e que momentos lindos são esses. Notem como a voz e instrumentos casam de forma tão perfeita ali. Logo as coisas viram e tudo se transforma naquele peso aliado à uma carga gigante de groove e levada cadenciada e intrincada que a cada momento vai elevando mais e mais e muita, mas muita criatividade. Encerramento digno.

Mais um grande disco dentro da rica discografia do Nevermore e mais um grande presente para os fãs. Seguem ali o alto nível, as letras ácidas de Dane e músicos fabulosos. Uma pena que só cinco anos depois a banda lançaria algo novo e logo rumaria para sua separação, porém o que eles trouxeram até este disco de 2005, exatos vintes anos após seu começo é de um grande mérito, originalidade e que deixa saudade de ouvir algo tão criativo que poucas vezes nos aparecem em tempos atuais.

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