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Resenha: Old School (2019)

Álbum de Helix

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A legitimidade de veteranos do rock

Por: Diógenes Ferreira

28/07/2019

Com uma carreira longeva de 45 anos de estrada que não é pra qualquer um, os canadenses do Helix são aquele tipo de banda que nem todo mundo conhece, mas quem os acompanha é fã de carteirinha. No Rest for the Wicked (1983), Walkin' the Razor's Edge (1984) e Long Way To Heaven (1985), foram justamente os álbuns que trouxeram mais visibilidade para a banda mundialmente através da Capitol Records e também com participações em trilhas sonoras de filmes clássicos dos anos 80 que todo garoto nascido naquela década assistiu na Sessão da Tarde como Footloose (Ritmo Louco) em 1984 com Kevin Bacon e John Lithgow, além de Iron Eagle (Águia de Aço) de 1986 com Jason Gedrick e Louis Gossett Jr. Porém, a banda já havia lançado de forma independente os seus dois primeiros álbuns Breaking Loose (1979) e White Lace & Black Leather (1981) capitaneados pelos irmãos Brian e Brent Doerner, respectivamente, baterista e guitarrista, junto com o vocalista Brian Vollmer. 

A banda continuou sua trajetória nos anos 90 com outro clássico Back For Another Taste (1990), mas logo em 1992 sofreu a perda do talentoso guitarrista e compositor Paul Hackman em um acidente. Hackman estava no grupo desde 1976 e havia se tornado um dos principais compositores da banda ao lado de Brian Vollmer. A banda sentiu a pancada, mas ainda assim permaneceu na ativa fazendo shows e lançando álbuns ao longo das décadas seguintes até este novo disco recém chegado ‘Old School’.

Ao apertar o play, o ouvinte já se depara com o que está acostumado quando se trata de Helix e fazendo jus ao título do álbum, “Old School”, pois desde a primeira faixa o álbum traz aquele velho Hard Rock calcado no mais puro Rock n’ Roll que o Helix é mestre em executar. ‘Coming Back With Bigger Guns’ como o próprio nome sugere, apresenta um Helix “de volta com armas maiores” para acertar o ouvinte em cheio. E mais um tiro certeiro é dado com ‘Whiskey Bent & Hell Bound’ que começa com aquele clima que nos remete às clássicas ‘Breakdown’ do álbum Back For Another Taste (1990) e ‘Deep Cuts The Knife’ do outro clássico Long Way To Heaven (1985), duas das músicas preferidas desse que vos escreve em relação a carreira dessa grande banda e que tem sua atmosfera revisitada nessa segunda faixa desse novo ‘play’ e com um solo mais que perfeito cheio de ‘feeling’. E o rock n’ roll dá as caras novamente com ‘If Tears Could Talk’, seguida de ‘Your Turn to Cry’ mantendo a linha. ‘Tie Me Down’ vem em forma de uma balada meio country naquele estilo Poison, Nelson, Tesla, mas aqui obviamente feita pelos mestres canadenses. Ela é daquelas que dá vontade de pegar o violão e logo querer tirar as notas para sair cantarolando nos momentos relax da vida. ‘Closer To You’ mete o pé no Southern Rock, enquanto que ‘Games Mother Never Taught You’ vem na veia Hard n’ Heavy tipo Quiet Riot e afins. ‘Southern Comfort’ passeia novamente pelo rock sulista a la Molly Hatchet e Doc Hollyday. A faixa ‘Hound Dog Howlin' Blues’ vem como registro ao vivo altamente ‘bluesy’ e em seguida o álbum encerra com a balada ao piano ‘Cheers’, emocionalmente interpretada pela voz rouca e característica de Brian Vollmer, que dá um show em todo o disco.

Todo esse deja-vu de ‘Old School’ tem explicação, é que o disco é composto por canções nunca lançadas pela banda do período entre 1981-1989, sendo que três dessas canções eram pra ter entrado no álbum Back For Another Taste (1990), mas acabaram não sendo aproveitadas. O álbum também ainda conta com a participação do genial e falecido Paul Hackman em algumas faixas, onde todo o álbum é dedicado a ele como parte fundamental da banda desde os primórdios em 1976 até o ano de sua morte em 1992. A produção do álbum ficou a cargo do baixista Daryl Gray, mixado pelo vencedor do prêmio Juno, Sigfried Meier e masterizado pelo grande Harry Hess, outro ícone do rock canadense, vocalista fenomenal do Harem Scarem. 

Portanto, independente de ser material novo ou sobras de estúdio de décadas passadas, o que encontramos nesse álbum do Helix é uma forte legitimidade de uma banda que sempre entregou o som mais puro possível para os amantes do Rock/Hard e que 45 anos depois permanecem na ativa ensinando de forma simples a essência das coisas. Um disco altamente indicado para os mais saudosistas quanto para quem ainda esse tempo todo nunca ouviu o Helix mas tem aqui uma ótima oportunidade de conhecer. Deleite-se!

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